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Segunda-feira, Agosto 2, 2021

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“Artes culinárias japonesas”, por Armando Fernandes

O director do Digital tem conhecimento da tramitação que efectuei no sentido de se realizar um Festival/Festa de comeres portugueses e japoneses em Abrantes, levando em linha de conta a existência de uma unidade industrial nipónica do ramo automóvel no Tramagal, e porque um acontecimento deste género traria benefícios de vária monta, incluindo o da revisitação da cozinha tradicional de cunho local.

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O projecto está depositado no limbo, nós por cá vamos indo, os japoneses gastronomicamente falando são grande potência, Tóquio é um firmamento de estrelas superior a Londres, Nova Iorque, Paris, deixando a «anos-luz» Estrasburgo, Barcelona, Copenhaga, San Sebastian, Lyon, Milão e tutti-quanti.

Há três gerações ainda a penúria alimentar atacava duramente largos sectores da sociedade japonesa, apesar das dificuldades, no tocante ao preparo dos alimentos não se perdeu a disciplina incutida aos aspirantes a cozinheiros nas escolas, hotéis e restaurantes. Um clássico tratado culinário referente ao ensino de preparar o arroz (alimento emblemático) nos Mosteiros explica os cuidados a ter, afirmando o seu autor que só a aprendizagem a lavar convenientemente os grãos demora no mínimo seis meses, e o aluno tem de ser diligente.

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O escrúpulo na escolha e tratamento das matérias-primas e produtos nos restaurantes estrelados é total, os seus chefes, os cozinheiros e os seus proprietários além do factor lucro, atribuem a maior das importâncias ao prestígio acumulado, não se poupando a esforços no intuito de o aumentar. Por seu turno os restaurantes de menores pretensões, a praticarem preços acessíveis à generalidade das pessoas não se desleixam, antes pelo contrário, procuram granjear fama e reconhecimento.

A longa e larga caminhada da gastronomia em direcção aos lugares cimeiros da classificação mundial está a produzir múltiplos frutos, lá e no estrangeiro. A prova provada é a multiplicação de restaurantes de comida japonesa, da exaltação dos seus produtos incluindo ingredientes, das suas técnicas.

Há séculos os portugueses introduziram no Japão a tempura, a mesma, fruto da disciplina nipónica, é conhecida mundialmente, nós contentamo-nos em lembrar a sua paternidade, bem como as centenas de vocábulos deixados no país do Sol-Nascente.

Nos dias de hoje a inteligência e o talento dos cozinheiros japoneses alcandoraram à universalidade várias representações culinárias colocando-as ao alcance de biliões de pessoas.

Pelo exposto, o leitor verificará quão interessante seria realizar-se tal amostra gastronómica em Abrantes, enriquecida não só com as composições de cunho local, também no enlace/desafio/comparação a nível da doçaria, lambiscos e vinhos. Se no referente a uísques já degustei destilados japoneses de intenso e prazenteiro sabor, no que tange a vinhos guardo boa lembrança de um Chardonnay.

Tóquio regurgita de restaurantes, mais de 150.000. A cidade é grande e populosa, os japoneses têm poder de compra e gostam de comer. Nós também, de maneira diferente, mas não regateamos esforços no sentido de mastigar boas pitanças. O dinheiro é que não abunda!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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