- Publicidade -

Artes Culinárias e Gastronomia do Médio Tejo

O Mário Rui Fonseca, entre outras qualidades, tem a de ser inconformista no amplo e positivo sentido da palavra, atrevendo-se a saltar a barreira do deixa-te estar cómodo a ver o rio Tejo engrossar ou ficar no fio conforme as estações do ano e os efeitos do ciclo – as chuvas vieram – tal como se poder ler numa obra com esse título da autoria de Louis Bromfield.

- Publicidade -

O Mário Rui telefonou-me entusiasmado, certamente, risonho, a arfar de alegria, na sua característica voz macia, mesmo quando eleva a intonação não ganha aspereza, a dizer, a explicar. Explicou este novo projecto – jornal digital – primacialmente dedicado a conceder atenção ao território e às gentes do Médio Tejo e da zona do Pinhal. Após a explicação, qual Gato das Botas dos contos que ainda nos encantam, de um bote disse do seu interesse na minha colaboração, especialmente no referente a tudo quanto diga respeito àquilo que distingue o Homem dos restantes animais: a cozinha. Com efeito, James Boswell dedicado companheiro do enciclopédico e corrosivo Dr. Johnson disse: o homem é o animal que cozinha. Ora, para se cozinhar têm de existir matérias-primas, estas serem trabalhadas de modo a transformarem-se em produtos alimentares que por seu turno possibilitam a confecção de comeres e beberes capazes de alimentarem material e espiritualmente o dito Homem. Aludindo ao carácter espiritual da comida recordo que desde as Sociedades primitivas até aos dias de hoje – o banquete – repasto de certa solenidade é fundamental nos sucessivos degraus das comunidades (mesmo nas de menores recursos) como apanágio de convivialidade; outrora comunicação com a divindade, agora aproximação entre os governantes e os governados. Seja no âmbito do sagrado, seja no âmbito do profano, se dúvidas existirem lendo Mircea Elliade ou Lévi-Strauss dissipam-se de imediato.

Sendo assim, e é, dedicando eu tempo e fazenda ao estudo das raízes, troncos comuns, liames e fios subjacentes a tudo quanto diga respeito à alimentação e sua História nas múltiplas histórias, não podia responder negativamente ao convite. Também por ele próprio, ouso escrever: fundamentalmente por o considerar merecedor da minha estima e consequente consideração.

- Publicidade -

Nada será colocado de parte no propósito de abordar, analisar, explicar e tornar mais conhecidas as referidas matérias-primas deste terrunho, as artes culinárias que lhe dão representação nas gastronomias, sejam oriundas da cozinha oral, sejam da cozinha de autor, passando pela cozinha de filamento urbano ou rural. As diferenças existem, especialistas de várias índoles e matrizes deixaram livros a enunciarem as alteridades existentes. O leitor interessado, pelo menos, faça o favor de ler os escritos de Silva Teles, Bernardino Barros Gomes, Joaquim da Natividade e do extraordinário e múltiplo Orlando Ribeiro. Se vou dedicar atenção às artes culinárias e à gastronomia do Médio Tejo, obviamente, tecerei opiniões relativamente a restaurantes, casas de comeres e beberes, desde a taberna à locanda, se valer a pena, claro, claro, as casas de pasto (porque são de pasto) não serão esquecidas, bem como Mestras cozinheiras, chefes e cozinheiros, pessoal a trabalhar nas salas, ainda as cartas de vinhos e seus criadores. No Médio-Tejo existem vários Mundos… enriquecidos porque as Mulheres e os Homens cozinham… bem. Muito bem!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).