“Arte terapia”, por Massimo Esposito

Ultimamente fala-se muito de arte terapia, sobretudo com o aparecimento da Covid-19, distanciamento social, isolamento, ânsia pelo futuro, interrogações sobre o que iremos fazer e dizer, etc.

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Desde Carl Jung e o início da psicologia, mas sobretudo com o contributo do médico alemão Johann Christian Reil, a arte sempre foi um suporte, uma ajuda e uma evidente terapia para socorrer aqueles que, mais frágeis, demonstram um comportamento desviante (segundo os parâmetros institucionalizados) e têm uma conduta mais vulnerável à autoestima, relacionamento social e aceitação da sociedade em mutação.

“No caso da prática da arte terapêutica descrita na Psicologia Analítica, aponta-se que a arte tem finalidade criativa, e a energia psíquica consegue transformar-se em imagens”.

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Neste sentido, a arte pode ser visual, musical ou poética, e é uma ferramenta essencial para a superação de momentos ou modus-operandi que dificultam a inserção social de muitos elementos da sociedade e, desde março de 2020, isto é mais evidente que nunca.

Desempregados, recém-formados, pessoas que perderam o emprego, empresários que viram o trabalho de anos desvanecer e tiveram de deixar os próprios sonhos para regressar à dura realidade de uma comunidade sem sentimentos, agora procuram e precisam de um tratamento, de um apoio para restaurar o próprio equilíbrio e objetivos.

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Há quase 25 anos que trabalho em cursos de desenho e pintura no Médio Tejo e sempre tive alguns alunos que precisaram desta ajuda, destes momentos de arte, manchas, riscos e cores para ultrapassar instantes difíceis. Adolescentes problemáticos, tímidos, hiperativos, divorciados, viúvos e muito mais e sempre vi como uma pincelada, um risco com cores e a finalização duma obra pode ser curativo e positivo para os sentimentos de quem é mais frágil.

Um homem, há alguns anos atrás, disse à sua esposa, minha aluna, que queria falar comigo. Fiquei apreensivo visto saber que o homem era de grande porte. Quando veio ao meu encontro me abraçou e disse “Obrigado! Antes minha mulher pagava um capital em psiquiatra, agora, com uma modesta mensalidade no curso de pintura, já está melhor e a sorrir”.

Isto é um pequeno exemplo de como a arte pode, e é, uma terapia muito motivadora e útil, posso dizer mais ainda visto que ultimamente muitos se estão a aproximar mais da arte, mais querem dedicar algum tempo a desenhar, pintar, e a procurar algo de belo e agradável que pode ser alcançado só com a mão e um pincel.

As instituições, as associações sociais e autarquias devem começar a pensar nisto e criar laboratórios, ou espaços onde se possa aceder à arte terapia mais facilmente para ajudar a população a encontrar novamente motivações sólidas de recuperação social e alegria em viver. A arte é amor e alegria.

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