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“Arte após Corona”, por Massimo Esposito

Não sendo profeta nem astrólogo, não posso prever o que irá acontecer daqui a seis meses ou dois anos, mas estou certo que tudo irá mudar, em alguns sectores pouco, em outros será de forma substancial. Alguns irão desaparecer e irão nascer outros inovadores.

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Estando em casa a pintar e a pensar, não estou muito convencido que na minha área específica regressaremos à normalidade. Isto é, continuar com as mesmas inaugurações de exposições de arte, concursos de pintura e assim por diante. Até o tipo de expressão será diferente e provavelmente correntes artísticas irão nascer e reflectir o impacto do Covid. Este invisível vírus está a mudar a nossa sociedade de forma substancial e, se não mudamos, haverá uma grande falha em nós.

A re-descoberta da família e das coisas simples é um facto. O próprio conceito de liberdade e direitos adquiridos está a mudar porque DEVEMOS pensar que há outros que interagem connosco. Ao contrário de antes, em que o orgulho pessoal era preferido. Espero vivamente que Portugal não tenha de vivenciar algo tão terrível como em Itália, mas o conceito geral está a ser assimilado por muitos e quem sabe que expressões e interacções possam nascer e ser mais positivas a nível social.

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Não acredito no que dizem alguns pessimistas que não viajaremos mais de avião, que a sociedade mudará tão radicalmente que a Europa colapsará, que a industria automóvel irá modificar definitivamente os seus objectivos, que ficaremos todos vegetarianos e teremos todos um cão e assim por diante. Mas que mudará, isso sim, vai mudar.

Estou em contacto com alguns colegas criativos e estamos a considerar algumas formas de ultrapassar este momento com iniciativas e experiências novas.

Haverá mudanças, sim, e talvez seja um momento que vá reconfigurar a arte. Talvez haja um antes e depois de 2020 na arte, mas duma coisa estou certo: os artistas irão continuar activos e criativos e espero também que os que gostam de arte, que amam a música, os quadros, o ballet, a poesia e o teatro nos continuem a apoiar e incentivar com a sua presença e auxilio para continuarmos a ser uma parte integrante e activa da nossa sociedade.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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1 COMENTÁRIO

  1. Óptimo texto Massimo!! 👌
    Estou igualmente certo que teremos num futuro próximo uma mudança muito positiva, alguns dos muitos sectores que não sofriam quaisquer alterações há décadas, podem agora vir a apresentar-se mais dinâmicos… Por sua vez, nós na Arte, sempre fomos camaleões, acabamos por aceitar algumas das oscilações e sem baixar a cabeça continuamos a produzir mesmo com poucos recursos.
    Por vezes sem ovos, criam-se boas obras artísticas com apenas as caixas… 😉

    Um abraço e bons projectos criActivos!
    🎨👊🍀

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