Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Segunda-feira, Agosto 2, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“ARITMÉTICA DEMOCRÁTICA (ou aritmética & democracia)”, por Sérgio Ribeiro

Uma das coisas em que venho insistindo na minha (já longa) vida a pegar a realidade pelos cornos da economia é na exigência de considerar esta como ciência social, e de recusar tudo o que a reduza a exercícios (sempre falhados) sobre variáveis quantitativas ou quantificadas, essas variáveis que esquecem (ou fazem esquecer) que qualquer número de desemprego são seres humanos sem emprego, que cada média esconde uma dispersão, que um PIB per capita é um número que tem trabalho por detrás, que o chamado Rendimento Nacional é um somatório de rendimentos que não revela como se fez a partilha por famílias e que umas que têm num dia ou mês o rendimento de muitas e muitas outras de um ano ou até de décadas.

- Publicidade -

Por isso, recuso-me a considerar economistas (no meu conceito) certos conceituados financistas, contabilistas ou estaticistas (profissão muito próxima, não só filologamente, de esteticistas…).

O que não impede que goste de “brincar com os números”. Ora vejamos um exemplo desses jogos em que, por vezes, me perco (ou me encontro…), até porque podemos supor (isto é só um suponhamos…) que, a 4 de Outubro, alguns que, zangados com a vida e com os “políticos” se abstiveram ou anularam o voto, teriam votado, e ainda que outros, com outra informação e não aquela que lhes injectaram, teriam votado de outra maneira.

- Publicidade -

Ora, passando para um mero exercício aritmético, suponhamos uma coligação que tinha tido mais votos mas que, ao ser desfeita após as eleições (como é de lei), passava a ter menos mandatos que o segundo partido concorrente a essas eleições. Assim, vejamos o caso de uma eleição de que resultaram mandatos para 7 partidos (dos quais, por exemplo, B se poderia ter coligado, eleitoralmente, com C, D ou E, pelo que a coligação tivera mais votos que A).

Os 7 partidos com mandatos deveriam ser colocados por esta ordem: Partido A-35% (de mandatos), Partido B-30%, Partido C-15%, Partido D-10%, Partido E-8%, Partido F-1% e Partido G-1%.

A maioria absoluta (51%) a 2 só seria possível num caso (A+B), a 3 seria possível em 12 casos (A+B+C, A+B+D, A+B+E, A+B+F, A+B+G, A+C+D, A+C+E, A+C+F, A+C+G, A+D+E, B+C+D, B+C+E), a 4 seria possível em 22 casos (salvo erro e omissão, diria um contabilista, mostrando que em alguns casos a maioria absoluta poderia depender dos partidos com menor percentagem de mandatos,  isto é, com menos deputados).

Mas o que mais importa, ou o que importa, é qual o sentido que as alternativas de apoio parlamentar podem ter a partir do critério das políticas que podem prosseguir e a quem servem.

Doutor em Economia e ex-membro do Comité Central do PCP, é membro da Assembleia Municipal de Ourém. Foi deputado à Assembleia da República em 1986 e de 1989 a 1990. Foi também consultor Chefe de Missão BIT/OIT em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, Director Geral do Emprego e deputado ao Parlamento Europeu desde 1990 a 1999, onde integrou várias Comissões do Parlamento Europeu e do Inter-Grupo do PE para as Questões de Timor-Leste.
Escreve mensalmente no mediotejo.net.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome