Segunda-feira, Janeiro 24, 2022

“Aperitivo”, por Armando Fernandes

Abrir o apetite é cristalina imagem de aperitivo, palavra que só se impôs enquanto sinónimo de bebida a tomar antes da refeição no século XI, no entanto, o homem desde a Antiguidade que extrai das plantas suculências a darem azo a bebidas as quais eram mais consumidas pelas suas virtudes terapêuticas do que no âmbito da gastronomia.

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Os Romanos apreciavam vinho misturado com mel, na Idade Média surgiram os hipocrazes, os licores, os vinhos eivados de especiarias, amargos e os vinhos doces, além dos vermutes a outros aperitivos alcoólicos, desde aguardentes a águas de vida chamadas uísques e champanhes.

Sem qualquer espécie de surpresa o Larousse menager (1926),  anota uma receita mais salutar do que as alcoólicas, trata-se de antes das refeições se ingerir uma malga de caldo simples capaz de apaziguar a premência do alimento e preparar o apetite para acolher as pitanças subsequentes.

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Caro leitor: os aperitivos fazem parte do nosso quotidiano, abundam as receitas nesta área de exaltação da sentença romana: em matéria de gostos nada está escrito, talvez por ser verdade gastar-se o amarelo (usar-se a cor amarela), recordo que em Portugal existem excelentes vinhos intranquilos (espumantes), as tais águas de vida, licores e vinhos generosos (lembro os mundialmente famosos Porto e Madeira) para se brindar nesta quadra de Festas que desejo que sejam felizes.

Vou brindar com um cálice de verdelho do Pico colheita de 1961 porque a última garrafa ainda contém o precioso néctar, enlevo dos czares russos.

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Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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