“Ao nosso alcance…”, por Rui Calado

Créditos: Mohammad Mahdi Samei / Unsplash

Todos sabemos que este não é o momento próprio para artigos de opinião. Por isso, divulgo apenas 5 apontamentos, que não se destinam aos que não gostam das conversas públicas de gente descomprometida. É apenas para os que gostam de trocar opiniões e ideias.

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1 – Tem sido noticiado que nem todos os nossos compatriotas seguem as indicações das autoridades de saúde. Estou certo que os comportamentos inadequados irão diminuir quando as pessoas compreenderem o tamanho do problema que estamos a viver. Por isso divulgo umas figuras com o número de casos e de óbitos conhecidos, primeiro na China, depois no Resto do Mundo (onde Portugal está incluído). Agora olhe para as figuras. O que está a azul são os dados da China, o que está a vermelho, os dados do Resto do Mundo até ontem.

Facilmente se compreende que, como se está a verificar em Portugal, a pandemia está longe de controlada e podemos esperar para os próximos dias um agravamento substancial da situação. Por isso e por favor, siga rigorosamente as recomendações dos serviços de saúde.

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2 – Nas redes sociais, começa a ser evidente o aproveitamento da situação de fragilidade das pessoas para passar mensagens de ódios antigos e vinganças prometidas. Não nos podemos deixar contagiar, à semelhança do que fazemos com o Coronavírus. As acusações à China continuam, mesmo depois da divulgação pelo Scripps Research Institute, na Revista Nature Medicine, de um estudo absolutamente credível que conclui que o Coronavírus circulante não foi criado em laboratório, sendo o resultado de mutações ocorridas na natureza.

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E de explicações plausíveis sobre o início de epidemias e pandemias nesse imenso território, justificado por um conjunto de condições favorecedoras, entre as quais a densidade populacional nas suas inúmeras metrópoles urbanas (Chongqing – 30 milhões de habitantes, Xangai 24, Pequim 22, Guhangzhou 20, Wuhan 11). Os juízos de valor sobre o acerto ou o erro das decisões dos responsáveis também podem ficar para depois, com o compromisso de que ninguém se irá esquecer. Mas, convenhamos que agora, quando todas as nossas energias se devem concentrar no combate deste flagelo, não as podemos desperdiçar com discussões adiáveis. Agora, neste preciso momento, o tempo é de solidariedades e de interacções construtivas e úteis. Tudo o resto é dispensável, tudo.

3 – Será importante não termos a pretensão de pensar que esta infecção só vai acontecer aos outros. Esta ideia bem portuguesa, responsável por tantos comportamentos inadequados, poderá ser um factor de agravamento da situação. Todos somos muito susceptíveis (Boris Johnson, Carlos – Príncipe de Gales, Sophie Trudeau, a esposa do PM do Canadá, …) mas só alguns são mais vulneráveis, em especial os idosos e os seus cuidadores (lembro António Vieira Monteiro, CEO do Santander). Por isso, em comunidade, estes justificam a nossa especial e primeira atenção, numa tentativa de diminuir os casos mortais e a procura hospitalar.

4 – Também uma palavra para os desafiadores do risco. Desta vez, não lhes podemos dar o privilégio de não nos intrometermos nas suas decisões. Desta vez vamos exigir-lhes que cumpram os seus deveres de cidadania, que adoptem comportamentos que não prejudiquem terceiros. Para o que devemos aumentar os nossos níveis de exigência, exercendo controlo social, recorrendo se necessário às forças de segurança. O Estado de Emergência também serve para isso.

5 – O combate ao Coronavírus faz-se através da aplicação de conjuntos de medidas, em função de cada situação concreta. O objectivo é contrariar a capacidade do vírus de se transmitir e disseminar, usando distanciamento social, testes, quarentenas, isolamentos locais ou regionais, medições de temperatura, máscaras, tudo o que as autoridades de saúde nos aconselharem, que seja pertinente e que esteja ao nosso alcance. Na convicção de que dessas associações, se formos rigorosos e cumpridores, resultarão efeitos sinérgicos (o efeito obtido pela aplicação de um conjunto de medidas é maior que a soma do efeito de cada uma delas) favoráveis e desejáveis.

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