“António Costa empurra Portugal para a Grécia”, por Duarte Marques

Há algumas semanas atrás, o Primeiro-Ministro português, António Costa, foi a Atenas anunciar uma “parceria” com o governo de Tsipras para combater a austeridade na Europa. Curiosamente, semanas antes, António Costa tinha aprovado, com o apoio do PCP e do Bloco, mais um aumento de impostos.

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Na audição do MNE Santos Silva no Parlamento, critiquei, como Coordenador do PSD na Comissão de Assuntos Europeus, esta missão e a oportunidade desta “frente comum”.

Neste link poderá ver os detalhes desta posição comum http://economico.sapo.pt/noticias/costa-e-tsipras-juntos-contra-a-austeridade-na-europa_246887.html

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No passado domingo, o Parlamento grego aprovou mais um aumento de impostos, a redução dos mínimos de existência (com os mais pobres a pagar IRS), um novo corte das pensões, o aumento da TSU, o que significa mais um enorme aumento da austeridade.

Tendo em conta esta realidade, fico sem perceber o que acordaram afinal Alexis Tsipras e António Costa em Atenas.  Pelos vistos, ambos prometem menos austeridade, mas aprovam, nos seus países, precisamente o contrário. Até nisto parece que se concretiza aquilo que os partidos de esquerda sempre tentaram: que Portugal ficasse cada vez mais parecido com a Grécia.

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A irresponsabilidade e o populismo de ambos os governos só provocam mais austeridade e mais dificuldades para as pessoas. Não é o discurso anti austeridade que resolve o problema, mas são sim a responsabilidade, o não endividamento e a boa gestão dos recursos públicos, que evitam a austeridade. É a credibilidade de um país e o apoio à iniciativa privada que atrai investimento, que gera emprego e que melhora a vida das pessoas.

Nem Costa nem Tsipras ainda perceberam isso. Fico também curioso, e gostava mesmo de saber, qual é o mandato que Mário Centeno levou à reunião do Eurogrupo que se realizou no início da semana. Apoiou as pretensões gregas? Votou favoravelmente o novo pacote de austeridade para a Grécia? Defendeu medidas mais benévolas para a Grécia do que para Portugal? Será que pediu a renegociação da dívida como defendem os seus parceiros de coligação bem como o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares? Exigiu que se complete a União Bancária para impedir que os depósitos dos contribuintes paguem os resgastes dos bancos? Pediu a alteração das regras do BCE que o PS tanto critica por cá?

Parece-me, cada vez mais, que todo o discurso que o governo faz por cá é apenas retórica e não tem qualquer consequência prática. Todos já sabemos que para o atual governo a “palavra dada não é palavra honrada”. Os incidentes da semana passada na Grécia provam que a palavra dada, por Costa e Tsipras, não foi cumprida.

Os dados do primeiro trimestre já demonstram que a economia cresceu menos do que no último ano e o desemprego voltou a crescer. Começam a ficar claras as consequências desta política populista e irrealista. Mais uma vez, são os portugueses que sofrem as consequências.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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