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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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“Ano novo, vida nova”, por José Martinho Gaspar

Os Romanos foram os primeiros a definirem um dia para a comemoração da festa de Ano Novo, o que aconteceu em 753 a.C. Estabeleceram, nessa altura, que o ano começava a 1 de Março, mas tal data foi trocada, em 153 a.C., pelo 1.º de janeiro, o que continuou a acontecer no calendário juliano, adoptado em 46 a.C. Em 1582, a Igreja Católica consolidou a comemoração quando adotou o calendário gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII. Com o passar do tempo, o calendário gregoriano tornou-se quase universal, tendo a sua generalização começado por países do ocidente, como França, Itália, Espanha e Portugal.

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Mais recentemente, a celebração do ano novo passou a ser conhecida também pela expressão Reveillon, termo oriundo do verbo Francês réveiller, que significa despertar. A palavra era usada no século XVII em jantares longos e chiques realizados diversas vezes durante o ano, mas com o tempo tal designação passou a ser usada só nos festejos do dia 31 de dezembro.

Ao longo dos séculos, diferentes culturas têm comemorado a passagem de ano enquanto ritual festivo que representa o início de um novo ciclo de vida, novos acontecimentos, momento que se propõe marcar transformações e simbolizar renascimento. Os rituais de comemoração do ano novo tiveram a sua origem ligada à natureza, aos ciclos celestes e lunares e à agricultura. Essa ideia de recomeço foi preservada até à atualidade.

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Uma espreitadela à cronologia abrantina do século XX, a título de exemplo, mostra-nos que o dia 31 de dezembro foi várias vezes escolhido para pôr fim a determinados projetos, enquanto o 1.º dia do ano marcou com alguma frequência a inauguração de edifícios ou a fundação de instituições: em 1933 foi inaugurado o mercado de Abrantes; em 1938 foi criada a Banda Filarmónica Alveguense.

No que diz respeito às tradições da passagem de ano, elas são diversas, dependendo da cultura e da latitude. No Japão, por exemplo, trata-se da mais importante celebração do calendário do país do Sol nascente, onde a data é considerada sagrada. Os japoneses prolongam o oshougatsu por vários dias, que podem chegar a uma semana, sendo uma oportunidade privilegiada para as pessoas se purificarem e fazerem orações de boas-vindas ao ano que se inicia. É curioso o facto de os nipónicos, em vez de saudarem o novo ano, agradecerem por aquilo que conseguiram no ano que está a terminar.

Na Escócia, existem várias costumes associados à passagem de ano, a mais conhecida das quais é a de ser a primeira pessoa a pisar a propriedade do vizinho, o que é designado first-footing (primeira pegada).

No Brasil, as boas vibrações do novo ano são conseguidas, segundo a tradição, com o uso de roupas brancas na passagem de ano ou com o consumo de um prato de lentilhas na ceia de final de ano.

Entre nós, são várias as tradições associadas à passagem de ano. Um dos nossos costumes consistia em comer uma mistura feita com as sobras da ceia, a 1 de janeiro. O ingrediente principal da chamada “Roupa Velha” é o bacalhau cozido, com ovos, cebola e batatas, regados com azeite.

Também é habitual associar 12 passas a 12 desejos, durante as 12 badaladas, o que, defendem alguns, trará muita sorte, o mesmo acontecendo com a prática de subir a uma cadeira com uma nota numa mão. Estrear uma peça de roupa interior ou fazer a cama com lençóis a estrear também são superstições que alguns associam à ideia de renovação, assim como o hábito ancestral de deitar fora objetos velhos que perderam a utilidade.

Fazer barulho é igualmente uma das práticas antigas, com gritos, lançamento de foguetes ou batendo em panelas. A ideia é espantar os maus espíritos, os demónios e os velhos fantasmas que possam ter atormentado ou perturbado o ano que findou.

Cada qual escolherá a prática que lhe parecer mais adequada, porque alguns “demónios” que atormentaram tanta gente em 2016 parecem não querer desistir da sua ação. Bom ano!

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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