“Angústia para o jantar”, por Armando Fernandes

Em Rio de Moinhos, a cheias de quinta-feira invadiram casas e estabelecimentos comerciais, tendo obrigado ao realojamento de seis pessoas. Foto: mediotejo.net

Noite do dia 18 de Dezembro, jantava em Lisboa, o telemóvel soou, a voz ansiosa da Dona Teresa informava-nos de a água ter galgado as margens da ribeira de Rio de Moinhos ter e ameaçar invadir a nossa casa, a Dona Teresa pediu-nos calma, no entanto, foi dando conta dos estragos já produzidos junto a nossa residência. O jantar ficou em suspenso, importava regressar rapidamente. Assim aconteceu, pensamentos sombrios no decorrer da viagem de regresso, não troquei palavra com a minha mulher, temi pela sorte das gatas, de todos os pertences em geral, dos meus amados livros em particular. A angústia a secar o palato!

PUB

O avanço das águas cercou Rio de Moinhos, um vizinho deu-nos instruções de modo a acedermos ao local da residência, luzes de alarme, velocidade de caracol em dia solarengo, conseguimos chegar. Felizmente a água estacionou a meia dúzia de metros, os amáveis vizinhos, o Senhor Garrafão relatou-me o sucedido. Agradeci, as máquinas domésticas já tinham sido colocadas no sítio habitual pela Dona Teresa e marido, importava descobrir uma ratazana que terá entrado através de um cano de esgoto.

A angústia foi-se diluindo, ficaram as interrogações: a quem pedir explicações por a ribeira colapsar daquela forma? A ponte da estrada nacional que liga Rio de Moinhos a Abrantes estava limpa de modo a o escoamento das águas processar-se conforme se processava no antecedente? Há quantos anos a ribeira não é limpa competentemente? Há quantos anos a ribeira não é inspeccionada?

PUB

As interrogações preencheram o resto da noite e até hoje tarde (dia 22) fui ouvindo lamentações acerca da inércia reinante, os prejuízos causados (morta de aves de criação e ovelhas, instalações e maquinaria agrícola), falta de civismo e queixas relativamente a alterações realizadas na referida ribeira a que os meus solícitos respondentes não souberam informar. A angústia voltou porque passada a tormenta tudo voltará ao mesmo ritmo da sonolenta apatia de só nos lembrarmos de Santa Bárbara na próxima enxurrada. Por mim vou continuar a pretender colher respostas para as interrogações e querer que as Junta de Freguesia e a Câmara Municipal dêem explicações cabais e de assumpção de responsabilidades.

PS. Angústia Para o Jantar é o título de um incisivo romance de Sttau Monteiro.

PUB

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here