Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Quinta-feira, Setembro 16, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Angústia para o jantar”, por Armando Fernandes

Noite do dia 18 de Dezembro, jantava em Lisboa, o telemóvel soou, a voz ansiosa da Dona Teresa informava-nos de a água ter galgado as margens da ribeira de Rio de Moinhos ter e ameaçar invadir a nossa casa, a Dona Teresa pediu-nos calma, no entanto, foi dando conta dos estragos já produzidos junto a nossa residência. O jantar ficou em suspenso, importava regressar rapidamente. Assim aconteceu, pensamentos sombrios no decorrer da viagem de regresso, não troquei palavra com a minha mulher, temi pela sorte das gatas, de todos os pertences em geral, dos meus amados livros em particular. A angústia a secar o palato!

- Publicidade -

O avanço das águas cercou Rio de Moinhos, um vizinho deu-nos instruções de modo a acedermos ao local da residência, luzes de alarme, velocidade de caracol em dia solarengo, conseguimos chegar. Felizmente a água estacionou a meia dúzia de metros, os amáveis vizinhos, o Senhor Garrafão relatou-me o sucedido. Agradeci, as máquinas domésticas já tinham sido colocadas no sítio habitual pela Dona Teresa e marido, importava descobrir uma ratazana que terá entrado através de um cano de esgoto.

A angústia foi-se diluindo, ficaram as interrogações: a quem pedir explicações por a ribeira colapsar daquela forma? A ponte da estrada nacional que liga Rio de Moinhos a Abrantes estava limpa de modo a o escoamento das águas processar-se conforme se processava no antecedente? Há quantos anos a ribeira não é limpa competentemente? Há quantos anos a ribeira não é inspeccionada?

- Publicidade -

As interrogações preencheram o resto da noite e até hoje tarde (dia 22) fui ouvindo lamentações acerca da inércia reinante, os prejuízos causados (morta de aves de criação e ovelhas, instalações e maquinaria agrícola), falta de civismo e queixas relativamente a alterações realizadas na referida ribeira a que os meus solícitos respondentes não souberam informar. A angústia voltou porque passada a tormenta tudo voltará ao mesmo ritmo da sonolenta apatia de só nos lembrarmos de Santa Bárbara na próxima enxurrada. Por mim vou continuar a pretender colher respostas para as interrogações e querer que as Junta de Freguesia e a Câmara Municipal dêem explicações cabais e de assumpção de responsabilidades.

PS. Angústia Para o Jantar é o título de um incisivo romance de Sttau Monteiro.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome