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Domingo, Setembro 26, 2021

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Ambientalistas denunciam manto verde no Tejo e culpam gestão ibérica da bacia hidrográfica

Os últimos dias têm sido de denúncia e partilha de imagens nas redes sociais referentes ao estado em que se encontra o rio Tejo, coberto de uma camada de um verde quase fluorescente, no que aparenta ser um misto de algas, limos e lodo. Situação que se tem verificado nomeadamente na zona de Belver e praia fluvial do Alamal, concelho de Gavião, bem como junto à Barragem de Belver e praia fluvial de Ortiga, concelho de Mação.

O movimento ambientalista proTEJO reconhece que o fenómeno não é novo, e que é até usual nesta altura do ano, mas culpa Espanha pelo esvaziamento das barragens e critica a má gestão dos caudais em prol da produção hidroelétrica e sem respeito pela bacia hidrográfica do Tejo.

Devido ao incumprimento da Convenção de Albufeira, o proTEJO pondera avançar com queixa à Comissão Europeia por má gestão Portugal/Espanha dos caudais e mostra-se contra a construção de mais barragens, crendo que essa não é uma solução.

Esta quarta-feira, dia 15, esta película verde já se verifica a acumular-se nos cantos e recantos das margens do rio, flutuando com ao sabor do vento e consequente movimentação das águas.

Porém, ainda é muito visível o cenário denunciado pelo proTEJO e por diversos cidadãos que ao caminharem nos passeios pedestres junto ao rio, questionaram sobre este manto verde.

VÍDEO de Arlindo Consolado Marques, o “Guardião do Tejo” e membro do movimento ambientalista proTEJO, realizado a 14 de setembro

O proTEJO afirma que este lodo verde “vem diretamente de Espanha da barragem de Alcântara como era de calcular e consta das denúncias das associações ecologistas e dos jornais da Estremadura”, apontando que a culpa é do “esvaziamento das barragens de Alcântara e Valdecañas em julho para produzir energia hidroelétrica por parte da Iberdrola”.

“Ainda acham que a energia hidroelétrica é verde? Só se for da cor do lodo que cobre o rio Tejo”, critica o movimento em comunicado.

Por outro lado, o proTEJO sublinha a inércia por parte da tutela, que não tem feito cumprir com a lei e com a Convenção de Albufeira.

“O Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática João Pedro Matos Fernandes também deve fazer cumprir a Convenção de Albufeira quanto à qualidade das águas vindas de Espanha de modo a existir um bom estado ecológico das massas de água do rio Tejo.
O Tejo merece melhor!”, afirmam os ambientalistas.

O mediotejo.net entrevistou Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO que abordou este fenómeno e reconheceu que nada disto é novidade, tendo vindo ao longo dos últimos anos o movimento ambientalista a chamar a atenção para a necessidade de defender a saúde do rio, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade da água disponível.

ÁUDIO | Paulo Constantino, porta-voz do movimento ambientalista proTEJO

Na senda destes acontecimentos, o proTEJO admite que pondera avançar com queixa à Comissão Europeia devido à má gestão da bacia hidrográfica do Tejo.

O movimento acusa a “gestão puramente económica” para a produção de energia hidroelétrica em Espanha, e critica a gestão de Portugal e Espanha da bacia hidrográfica do rio Tejo.

“Não estão a ser acautelados os valores ecológicos da bacia hidrográfica e, nomeadamente, o cumprimento da Diretiva Quadro da Água que prevê que se faça tudo para se assegurar o bom estado ecológico de todas as massas de água da bacia do Tejo”, conclui Paulo Constantino.

 

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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