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Domingo, Agosto 1, 2021

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“Amamentação – uma decisão pessoal”, por Vânia Grácio

Esta semana falamos de amamentação. Para muitas mulheres é um prazer, para outras um drama. Para mim, é uma escolha pessoal. As vantagens são inúmeras e conhecidas, tanto para o bebé, como para a mãe. Sendo uma “vacina natural”, as crianças terão assim menores probabilidades de apanhar vírus, infeções, alergias, etc. A mãe, tem menor probabilidade de desenvolver cancro da mama, para além de recuperar mais rapidamente do parto.

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A amamentação é no entanto (e obviamente) uma decisão da mãe, e só da mãe. Tem as suas dificuldades que poderão ser muito complicadas de gerir por algumas pessoas. Apesar das vantagens, deve ser uma decisão pessoal e não deve obviamente ser criticada por terceiros. Vemos muitas vezes circular nas redes sociais comentários sobre as coisas que se dizem/ ouvem durante a gravidez e durante a amamentação. É tudo (ou na maioria) verdade e por vezes não são fáceis de digerir.

A pressão social para as mães (principalmente de primeira viagem) é muito elevada. No entanto, se nós mulheres conseguimos parir uma criança, não havemos de saber lidar com os comentários menos agradáveis? Era agora o que mais faltava! É por isso fundamental não dar demasiada importância aos comentários dos outros, nem deixar que isso influencie a nossa decisão.

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Não é tarefa fácil, mas ser mãe também não é. A mulher deve ser apoiada nesta fase para tentar ultrapassar as dificuldades, caso entenda amamentar. Apesar de todos os benefícios que a amamentação traz para a criança, ser amamentada por uma mãe “contrariada” não ajudará em nada. Portanto, decidindo avançar, é das melhores sensações do mundo.

Para além das vantagens diretas para a saúde, há ainda a vantagem da relação mãe-filho ser estimulada e reforçada. O vínculo afetivo é fortalecido, sendo que as crianças ficarão mais seguras e com maior autoestima. É por isso um momento único, dos dois, onde ambos ganham. A vinculação à mãe é fundamental para o desenvolvimento do bebé.

Esta relação começa a ser construída ainda no ventre. No momento do parto, a magia acontece. Quando se vê um filho pela primeira vez e o colocam em cima de nós, é um momento inigualável, inexplicável, um sentimento tão belo e grande que não cabe no peito. A partir daí, e durante os primeiros anos de vida, a relação estabelecida com os pais vai marcar o adulto que o bebé será. É portanto importante que as medidas de incentivo à natalidade contemplem não só benefícios fiscais, apoios financeiros, melhores condições de saúde e de educação, mas que contemplem tempo para que os pais possam estar com os filhos. Possam mima-los, dar-lhes regras, criar rotinas, vê-los crescer, sendo sujeitos ativos na sua educação e não apenas meros espectadores.

Na Noruega, 98% dos recém-nascidos são amamentados e, destes, 80% continuam a mamar até completarem 6 meses de idade. Um país onde que as práticas hospitalares estimulam o aleitamento e as licenças parentais rondam um ano, divididas entre pai e mãe de acordo com a sua realidade e exigência profissional.

A Dinamarca segue o mesmo exemplo, a Finlândia permite o gozo de 42 semanas, mas é a Suécia que bate todos os recordes com um ano e quatro meses de licença. A Alemanha permite o gozo de 58 semanas, sendo que 8 são em exclusivo para o pai.

Em Portugal gozamos (nós mulheres) de, no máximo, 5 meses de licença parental, paga a 83% se partilhar a licença com o pai (mais um mês). Ora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha à amamentação até aos 6 meses como forma exclusiva de alimentação do bebé e até aos 2 anos, como complemento alimentar.

O relatório da Iniciativa Mundial sobre Tendências do Aleitamento Materno vem esta semana recomendar que Portugal deve prolongar a licença de maternidade paga até aos seis meses para apoiar a amamentação exclusiva dos bebés e que os empregadores passem a ter zonas específicas para que “as mães possam amamentar os seus bebés e/ou extrair e armazenar leite materno”.

Acrescento ainda que estes espaços destinados à muda da fralda e alimentação do bebé não devem ser confinados ao uso feminino, mas sim serem espaços que os homens possam também utilizar. Parecem-me medidas simples de por em prática e que a sociedade verá retorno a médio prazo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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