Quinta-feira, Março 4, 2021
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“Alexandre Dumas”, por Armando Fernandes

O agora apagado escritor Alexandre Dumas, autor de Os Três Mosqueteiros entre muitos mais, além de ter sido um autor de gigantesco êxito, foi renomado especialista na área das artes culinárias elevadas à condição de alta cozinha, tendo-nos legado bem fundamentado, ao tempo (século XIX), Dicionário de Gastronomia.

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Este Dicionário contém receitas, muito bem descritas, no entanto, o continuar a ser lido e estudado prende-se com o facto de conter judiciosas e bons relatos sobre a génese e evolução da cozinha, ainda sobre inúmeras matérias-primas.

O furioso escritor (escreveu para cima de trezentas obras, milhares de artigos), era neto de uma escrava negra de Santo Domingo e de um nobre francês arruinado, desprovido de talento para granjear riqueza, filho de um general valoroso em permanente crise de rendimentos, ganhou imenso dinheiro dada a popularidade alcançada pelos seus livros. Se fizermos uma comparação (são odiosas) relativamente aos dias de hoje constatamos o facto de que os autores de aeroporto ao pé dele no tocante a vendas são uns pindéricos.

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O mulato Dumas dono de olhos azuis electrizantes provocava ruidosas ciumeiras e silenciosas invejas por via do seu êxito junto das mulheres, os biógrafos anotam centenas de amantes enquanto pôde dar azo à sua exuberância.

Adorava cozinhar, regulava ao pormenor à preparação dos produtos e respectiva confecão, sabia quão crucial era a boa dosagem do fogo, de cada estação do ano retirava os maiores proveitos, na época da caça conseguia obter galinholas, narcejas, faisões, lebres e perdizes em quantidade capaz de construir ceias monumentais.

Os amigos agradeciam a prodigalidade, ele às vezes ficava depenado qual peru na véspera do Natal, pedia e pagava à conta de novos trabalhos literários.

A melhor forma de o leitor perceber a maestria de Dumas é ler aquelas obras que na sua juventude o entusiasmaram a ponto de querer ser espadachim.

Se o reler, agora utilizando outros olhos, poderá recolher informações referentes a comeres e beberes, sem esquecer as tulipas (a Tulipa Negra), podendo recordar dos contemporâneos dele, portugueses, também propiciadores de conhecimentos relativos a comeres e beberes, refiro-me a Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz.

O escritor Viale Moutinho fez uma incursão desse género na obra camiliana (muito incompleta pois Camilo também escreveu imenso), e o Embaixador brasileiro Dario Castro Alves publicou um dicionário gastronómico sobre a obra do gourmet Eça, amante de canja de galinha recheada de ovos e consistente de enxúndia.

canja

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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