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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Alcanena/Materiais Diversos | Um diálogo com o espaço da Fábrica por Radouan Mriziga (c/vídeo)

Radouan Mriziga trabalha com o espaço, as medidas e os sons. Numa performance só na aparência arbitrária, constrói um mundo inspirado no seu passado e na sua cultura. No sábado, 16 de setembro, no âmbito do Festival de Materiais Diversos, Minde pôde assistir na Fábrica da Cultura ao espetáculo “55”, a primeira produção deste coreógrafo marroquino. Um momento para refletir o papel do homem na construção de um mundo cada vez mais complexo.

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Começa com os sons, transpostos em cassetes depositadas em modelos antigos de gravador, que emitem pequenos acordes musicais ou assobios roubados à natureza. Percorre-se depois o palco, em piruetas e movimentos corporais ritmados, numa dança que é em si um ato de criação. Mede-se o espaço em passos largos, apalpa-se o terreno, escuta-se o som que ele produz e planeiam-se as linhas que vão definir o nosso universo.

Radouan Mrizga encheu os lugares disponíveis na Fábrica da Cultura. Foto: mediotejo.net

Com um lápis de giz desenham-se os primeiros círculos, executam-se cálculos, constroem-se formas cada vez mais complexas entre si. Unem-se pontos, apagam-se pequenos defeitos, refazem-se as contas, constroem-se os limites de um edificado caleidoscópico que pode ser o cosmos ou a cúpula de uma mesquita, um vitral cristão onde se misturam as formas e a história da arquitetura e do homem.

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O desenho final é o resultado de um diálogo do artista com o espaço. Onde quer que este atue, ainda que o padrão divirja, é este o objeto visual que ele quer deixar ao público, após um elaborado movimento de dança em que o homem se confunde com a sua criação. Um momento de meditação que ambiciona levar o espetador a fundir-se com a estética e a evidenciar o homem como o resultado de um equilíbrio entre mente, corpo e espírito.

Radouan Mriziga nasceu em Marraquexe em 1985 e formou-se em 2012 na prestigiada escola de dança contemporânea, em Bruxelas, P.A.R.T.S. O solo “55” é a primeira obra deste bailarino e a primeira parte de uma trilogia produzida pelo Moussem Nomadic Arts Center. Em Minde conseguiu encher os lugares disponíveis na Fábrica da Cultura, onde cerca de meia centena de espetadores puderam assistir ao seu diálogo com a Fábrica e à proposta de reflexão que deixou entre o homem e a arquitetura.

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Numa conversa final com o público, Radouan Mriziga confessou que quando mais jovem trabalhou na construção civil, nascendo daí o seu interesse pela arquitetura, admitindo-se influenciado pela sua cultura, o artesanato e as formas do edificado tradicional dos países islâmicos. Na performance, procurou adaptar o corpo a essas expressões.

“Não há um significado” concreto para o padrão que desenhou ao longo do espetáculo, admitiu, apenas a transposição de conceitos visuais. Afinal, referiu, “o artesão não é só aquele que faz, é o veículo de algo superior”, tornando-de o ato de criação, do exercício do espírito e do corpo, uma prática meditativa.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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