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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Alcanena/Abrantes: A voz e a ambição de Joana Cota

Nasceu em Monsanto, Alcanena, há 26 anos. Tornou-se fadista profissional em São Miguel de Rio Torto, Abrantes, há dois anos. Gosta de música, do heavy metal ao fado, “os únicos géneros que se ouvem em silêncio”. O grande incentivo partiu da mãe, mas hoje é o marido, Rui Duarte, quem a apoia nesta sua nova jornada. Joana Cota reconhece o percurso difícil e repleto de competição, mas aposta num fado de qualidade, ambicioso, que quer ver definir um percurso singular e – deseja-se – recheado de sucessos. Para já tem boa parte dos fins-de-semana preenchidos com espetáculos, dentro e fora do país. Na carteira está um novo trabalho, que deixa ainda por revelar. 

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A música conheceu-a de “pequenina”. “Com sete anos a minha mãe colocou-me numa escola de música”, onde aprendeu a tocar órgão e solfejo. “A minha mãe foi o maior incentivo”, comenta, lembrando que adorava ouvir rádio e cantar músicas com o pai. Nessa altura, no entanto, “nem pensava cantar fado”.

Com 14 anos surge a oportunidade de entrar num duo musical, chamado “Arnaldo Marques e Joana”, no qual deu os primeiros passos na atuação, participando em bailes e festas variadas. Ainda passou por uma banda de rock, comenta rindo. Entretanto “duas pessoas cruzaram-se comigo e desafiaram-me a cantar fado. Foi um bichinho que quando entra, ataca”.

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Joana Cota não tem ninguém na família ligada à música, mas a voz feminina já tinha força e fama. “A minha avó materna gostava muito de cantar”, embora as atuações se centrassem em contexto religioso. A sua formação nem seguiu por tal a música, mas a construção civil. Após o 12º ano seguiu para uma empresa de hidrografia, onde se especializou na área e conheceu o marido.

foto Mastersound
foto Mastersound

Pelo caminho permaneceram os bailes e o fado, experiências profissionais “bastante gratificantes” para as quais foi sendo desafiada e aceitava. Apercebe-se hoje que já se passou uma década desde que cantou o fado pela primeira vez. Há dois anos apresentou o primeiro trabalho profissional.

Com “Fado no Sorriso” tem percorrido o país e feito atuações em Cabo Verde, apoiada na organização pelo marido, o seu “braço direito e esquerdo”, através da Mastersound. “Acabou por ser o início da carreira e deixei a empresa de parte”.

A Mastersound, que o casal criou em 2014, tem procurado dar espaço também a outros artistas. Rui Duarte explica que o lema “é o requinte do fado”, apostando-se em organizações de espetáculos “com uma produção bem feita”.

Nos últimos dois anos, Joana Cota fez mais de 140 atuações. “Tendo em conta que não estou num grande centro, fazemos o melhor pelo fado”, comenta. Tentam assim potenciar um ambiente intimista, aconchegante, mesmo no pico do verão. “O auge do fado é o Inverno. Criámos um projeto «fado vai à rua»” a pensar nos concerto de verão.

Com um reportório que atinge os 140 fados, Joana Cota comenta que já se cruzou com diversos artistas, embora nenhum nome sonante da música portuguesa. Para já continua a dar a conhecer o seu “Fado no sorriso” e espera em breve lançar novo álbum, ainda “no forno”, com o título “Influências”. O nome deve-se aos diversos ritmos de música que vão inspirar este trabalho.

“O fado tem uma linguagem muito própria”, comenta. Neste novo disco, desvenda, vão introduzir o instrumento chapmanstick, cujas primeiras experimentações com o fado tiveram boa aceitação nas redes sociais.

Joana Cota quer “crescer, quero aprender mais, levar o fado ao mundo” e conhecer novos palcos. Afirma-se “amaliana por natureza”, mas não hesita em referir que também gosta de heavy metal. Fazer musicais não passa pelos seus planos, mas ponderaria o desafio.

Na rádio online amigosunidos.net possui ainda um programa em que aborda a temática do fado, transmitido às terças-feiras. Sabe que este mundo é “muito” complicado, mas que tal não se deve tanto à concorrência em termos de talentos, mas de muita oferta a preço de saldo. “O fado caiu numa vulgaridade horrível”, não hesita em apontar Rui Duarte, sublinhando que Joana procura a qualidade e espetáculos verdadeiramente de fado. Ambição, rigor e respeito por si e pelo trabalho apresentado ao público. Quem não o faz “deixa de ser um artista e passa a ser um atuante”.

Joana Cota termina a constatar que o “fado está em ascensão”. “Há uma vasta gama de fadistas e músicas que está a entrar no circuito com uma roupagem bonita e muito tradicional”, explica. “Hoje em dia há muita juventude a cantar fado”. Afinal, se “no fado só custam os primeiros 30 anos, ainda tenho muito para dar”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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