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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Alcanena | Tiago Rodrigues, o professor de piano que desde 2020 já lançou quatro álbuns

Tem 38 anos, confunde a música com a sua vida, e é natural de Minde, onde leciona aulas de piano (Conservatório Jaime Chavinha) a par de Odivelas (Conservatório D. Dinis). Ao longo de vários anos de vida dedicados à música foi reunindo ideias e, num único ano (2020), lançou três álbuns. “Winter ‘s Pale Light” foi o quarto e o último, tendo sido lançado em novembro de 2021 e com Radiohead e David Bowie como grandes referências.

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Também a influência da música minimalista clássica e a fase de música ambiente do Brian Eno são referências para Tiago Mendes Rodrigues, a par de Bjork, Kelly Lee Owens ou Tori Amos, entre muitos outros. De forma a conhecer um pouco mais sobre o músico e o seu trabalho, o mediotejo.net colocou algumas questões a Tiago Mendes Rodrigues, artista para quem “a música é uma forma de expressão que permite comunicar aquilo que de outra forma não é possível”.

MT: Como surgiu a música na sua vida?

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TR: A música surgiu na infância, tinha aberto o conservatório Jaime Chavinha em Minde há pouco anos e os meus pais decidiram inscrever-me. Foi assim que iniciei a minha formação em música e mais especificamente em Piano.

Foto: Joana Patita, retirada do site oficial de Tiago Mendes Rodrigues.

“Winter ‘s Pale Light” é o quarto álbum, lançado agora em novembro. Os outros três foram todos lançados em 2020… eram muitas as ideias na gaveta, que permitiram a produção destes quatro álbuns todos de seguida? Porquê agora?

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Sim existiam muitas ideias na gaveta e nem eu o sabia. O plano original seria lançar apenas um álbum em 2020. Tinha estado envolvido com alguns projetos de performance nos últimos anos e a intenção era lançar a música dessas performances, o que viria a ser o Lighthouse. Mas quando revisitei o que tinha feito para trás encontrei muitas canções de diferentes fases do meu percurso e pareceu-me que mereciam ter uma nova vida. Apresentei-as ao João Clemente, que tem produzido todos estes álbuns, e a opinião dele foi a mesma e decidi avançar. Com o surgimento da pandemia passou a existir a disponibilidade necessária para acelerar o processo, em si limitado no que concerne ao acesso a estúdios, e acabamos por lançar um álbum a cada três ou quatro meses. Com o “Winter ‘s Pale Light” o processo foi diferente devido a ser material atual ou muito recente e foi necessário mais tempo.  

New Sight” – Single de apresentação:

Este álbum tem algum caráter biográfico.. como surgiu, qual a mensagem, o que nos pode dizer mais sobre ele e a sua conceção? Em que género musical se enquadra?

Lá está, géneros e etiquetas é sempre complicado… Quando faço música é sempre porque quero dizer algo ou porque quero descobrir o que quero dizer. Eu nunca penso em géneros, o meu foco está no que é necessário para conseguir o objetivo final de transmitir a mensagem que pretendo. Pode dizer-se que é biográfico, pelo menos na génese, mas eu intencionalmente prefiro não ser demasiado explícito e deixar espaço para que as músicas possam ganhar o seu próprio significado para quem as ouve. 

Tem muitas parcerias…

Nos álbuns anteriores tinha gravado tudo sozinho como no “Lighthouse” ou no “All Is Well”, e no “Why Are You Still Holding That Gun” foi tudo gravado entre mim e o João Clemente, entre pandemias e confinamentos. Para o ” Winter’s Pale Light ” queria convidar outros músicos e decidi convidar amigos, pessoas próximas, que admiro imenso como músicos. Posso dizer que se gravando aqui ou em Abbey Road, seriam estes os  músicos que queria levar comigo. Sinto-me muito grato e honrado por terem contribuído com a sua arte e talento a este álbum. 

Géneros de música preferidos?

Eu não tenho um género preferido, ouço de tudo. Diria que a adoração pela música Clássica vem desde sempre e para sempre ficará. Sempre ouvi jazz e música definida como alternativo ou rock alternativo. Hoje em dia gosto muito do que se faz no campo da música Indie, o surgimento de cada vez mais mulheres na música e a fazer música seja em que área for, desperta sempre a minha curiosidade, trazem uma sensibilidade diferente e com ela algo de novo. Por isso não diria que tenho um género preferido mas uma enorme curiosidade por tudo o que se faz.

Foto: Joana Patita, retirada do site oficial de Tiago Mendes Rodrigues.

Grandes referências musicais?

Dentro do contexto em que se insere o álbum “Winter ‘s Pale Light” terei que nomear Radiohead e David Bowie como algumas das grandes referências. Também a influência da música minimalista clássica, e a fase de música ambiente do Brian Eno são sempre referências. Por outro a Bjork sempre me fascinou e hoje em dia a Kelly Lee Owens faz querer viajar para assistir a um dos seus concertos, e como canto e toco piano, a Tori Amos tem o seu pedestal! 

O que é, para si, a música?

A música é a vida, assim como a arte é a vida. A música é uma forma de expressão que permite comunicar aquilo que de outra forma não é possível. É considerada por muitos a forma mais suprema de arte devido a ser totalmente imaterial, e deste ponto de vista costumo dizer que o momento em que a música ganha significado para quem a ouve ou faz, algo meio místico e inexplicável que apenas se sente, é nesse momento que ela existe.

Como é ser músico em Portugal?

A música é a minha vida. Como a minha formação académica é na música clássica, naturalmente, realizei inúmeros concertos ao longo dos anos e, nesta área,  o ensino é algo que surge de forma natural no nosso percurso. Paralelamente estive envolvido em vários projetos, sejam Bandas de Rock/Alternativo, grupos de música experimental ou de performance englobando outras áreas como a dança e o vídeo, que funcionam no modelo de residências artísticas seguidos de apresentações públicas. Dito isto penso que hoje em dia ser músico em Portugal é um desafio mas, como é apanágio de quem tenta ser artista num país que historicamente têm optado pela contínua desvalorização da arte e a cultura, estamos cá para resistir a fazer a nossa arte, preservando a cultura de um povo com muito para dizer.

Foto: Joana Patita, retirada do site oficial de Tiago Mendes Rodrigues.

Como vê o estado da música em Portugal? E a nível global?

Globalmente são tempos de incerteza em ambos os campos. Após as plataformas de streaming terem arrasado uma das principais fontes de rendimento dos músicos – a venda de discos – veio ainda a pandemia fechar salas de espetáculo e cancelar festivais. Penso que são tempos de incerteza generalizada, e resta pouco mais que esperar que surja uma solução. Penso que não iremos sair para a mesma realidade que tínhamos anteriormente, algo novo irá surgir e é esse o desafio que se vislumbra no futuro.

Projetos para o futuro?

Muitas coisas a germinar esperemos que a pandemia não venha intrometer-se. Alguns projetos dentro da música clássica estão a avançar, propostas para a composição de música para performances envolvendo a dança, também. Quanto a atuações com este álbum em específico, apontamos para 2022 e estão previstas já algumas datas mas está tudo muito em aberto devido à situação em que nos encontramos.

Outras paixões para além da música?

Desporto, adoro e pratico Ténis, a NBA… e o Sporting! A Literatura, e cada vez mais a psicologia e a sociologia.

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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