Alcanena | “Tenho sempre muito gosto em apresentar-me no meu concelho”, diz pianista Marta Menezes (c/vídeo)

Marta Menezes, 32 anos, pianista natural de Minde, no concelho de Alcanena, sobe este sábado, dia 7, ao palco do Cine-teatro São Pedro com o espetáculo “5 Encores para Beethoven”. A artista, com um currículo internacional, regressa à terra onde nasceu para apresentar um novo projeto, num momento em que os espetáculos culturais ainda sofrem as incertezas da pandemia. Ao mediotejo.net, Marta Menezes recordou o seu percurso e a sua vontade dar mais espaço aos compositores portugueses.

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Era muito pequena quando, em ambiente familiar, mostrou interesse por instrumentos musicais. Os pais inscreveram-na no Conservatório de Música Jaime Chavinha, em Minde, e aí fez a sua formação, ganhando cada vez mais interesse pela música. “Quando dei por mim já estava nesse caminho”, admite.

“Tenho muito boas memórias” do Conservatório, refere. Questionada sobre se a sua paixão pela música pode ter sido influenciada pelo ambiente cultural de Minde, reconhece a grande diversidade de atividades da vila e o interesse da população por espetáculos. “Acho que tudo é importante” na formação, admite.

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Marta Menezes seguiu a vertente de piano e estudou na Escola Superior de Música de Lisboa, fazendo um segundo mestrado no Royal College of Music, em Londres, e um doutoramento na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos da América. O percurso internacional resultou da sua curiosidade e busca por novas experiências, diz.

“A principal diferença  talvez tenha sido o contacto com pessoas muito diferentes, que ficaram meus amigos”, comenta, refletindo sobre o que encontrou do outro lado do Atlântico. Os estudos além fronteiras também lhe deram acesso a outras oportunidades.

A pianista de Minde venceu um primeiro prémio no Concurso Beethoven no Royal College of Music e no Concurso Internacional de Piano de Nice/Côte D’Azur. Em 2014 recebeu a “Medalha de Prata de Valor e Distinção” pelo seu percurso enquanto pianista, atribuída pelo Instituto Politécnico de Lisboa.

Os seus concertos são sobretudo a solo, em música de câmara e com orquestra, tendo atuado em diversos países na Europa, bem como em Cabo Verde, China e EUA.

Como solista, apresentou-se com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orchestre Régional de Cannes (concurso de piano de Nice), Orquestra IKFEM, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa, Camerata MusArt, entre outras. Trabalhou com maestros como Pedro Neves, Pedro Amaral, Nicolas Simon, Christopher Bochmann, Gareguin Aratiounian e Vasco Azevedo.

Atualmente encontra-se a apresentar o projeto “5 Encores para Beethoven”, no âmbito dos 250 anos de nascimento do compositor. O concerto estabelece uma ponte com o momento presente e com a música de compositores portugueses através da estreia de cinco encores para os cinco concertos para piano e orquestra do compositor, encomendados a Nuno da Rocha, Tiago Cabrita, Luís Soldado, Gonçalo Gato e Tiago Derriça.

A Alcanena, Marta Menezes vai atuar com a Orquestra Sinfónica Juvenil, dirigida por Christopher Bochmann. Vai interpretar o Concerto para Piano e Orquestra nº 2 de Beethoven e a obra “Blinding Beethoven” de Tiago Cabrita. O restante programa incluirá uma sinfonia de Haydn.

“Eu tenho sempre muito gosto em apresentar-me no meu concelho”, afirma, “é sempre muito bom”. O público acompanha o seu trabalho e sente o carinho com que a recebem. O município de Alcanena, adianta, também a tem sempre apoiado.

O espetáculo esteve para ocorrer em maio, mas a pandemia alterou as datas. Marta Menezes reconhece um ano difícil para os artistas e para o mundo cultural, que só agora está a retomar. “Ainda não sabemos o que virá nos próximos tempos”, refere, “sinto que há a vontade de manter as datas, cumprindo as regras sanitárias”. O cenário, porém, ainda está recheado de incertezas.

O futuro passa assim por “ver o que acontece e adaptar os planos”, reconhece. Mantém porém o seu objetivo de dar espaço e continuar a divulgar a música dos compositores portugueses nos seus projetos, mantendo o caminho traçado no seu primeiro CD, onde juntou Beethoven e Lopes-Graça.

Além dos concertos, Marta Menezes dedica-se ao ensino, profissão pela qual também admite grande vocação. A quem deseja seguir uma carreira na música aconselha a não desistir:”É muito importante fazer aquilo que gostamos.”

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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