Alcanena | SOS Alcanena, um movimento sem cor política mas com opinião (c/vídeo)

O movimento SOS Alcanena foi criado em 2019 e surge atualmente a dar voz aos protestos contra a mais recente onda de maus cheiros no concelho de Alcanena. O porta-voz, Ricardo Rodrigues, é um jornalista e ativista ambiental que afirma não ter qualquer ligação político-partidária nem ambições de concorrer a qualquer cargo público, mas não é por isso que não deixa de ter opinião e dar voz à luta por melhor qualidade de vida na sua terra natal.

PUB

Para sexta-feira, 24 de julho, às 20h00, antes da Assembleia Municipal, estava marcada uma manifestação contra os maus cheiros, que entretanto foi cancelada oficialmente porque o movimento não cumpriu os prazos legais para agendar um protesto desta natureza. Os elementos do movimento compareceram assim como cidadãos em nome próprio e convidaram a população a seguir o exemplo.

Aos 31 anos, Ricardo Rodrigues já conta no currículo com uma passagem por Moçambique, onde trabalhou na comunicação do grupo Ensinus. Regressado a Alcanena em 2016, ficou surpreendido com a evolução dos maus cheiros. “Antes o cheiro era a porcaria, até porque as descargas eram diretas. O cheiro agora é tóxico, a sulfeto de hidrogénio, e isto é muito grave para a saúde das pessoas”, reflete.

PUB

Ricardo é jornalista e pertence à Associação de Proteção dos Animais de Torres Novas, também conhecida como APA. Fora este seu ativismo ambiental, garante, nunca teve qualquer filiação político-partidária. Mas a situação em Alcanena, “refém” da indústria de curtumes, exaspera-o.

“A população de Alcanena é muito apática. Já estive em Moçambique e nunca estive num ambiente tão terceiro mundista no que toca a uma pobreza democrática que asfixia”, afirma.

PUB

O problema, considera, passa pelas próprias entidades. “Os industriais não são próximos da população e a Câmara Municipal é reacionária”. O comentário, sublinha, não é um ataque pessoal à atual presidente, Fernanda Asseiceira. “Isto não começou com a Fernanda Asseiceira, o problema tem décadas”, constata.

“A prova que não tenho nada contra a presidente desta autarquia, citando agora o Rui Rio, é que desejo-lhe toda a sorte, porque a sorte dela é a nossa sorte”, afirma.

Ainda assim o movimento SOS Alcanena marcou uma manifestação contra os maus cheiros para sexta-feira, dia 24, pelas 20h00, antecedendo a sessão de Assembleia Municipal. Ricardo gostaria de poder contar com pelo menos 200 pessoas, mas desconhece se a iniciativa terá adesão, sendo a que concentração de forma oficial acabaria por ser cancelada pelo SOS Alcanena, mantendo-se o apelo à participação das pessoas. No encontro marcariam presença cerca de 50 pessoas.

O movimento SOS Alcanena foi criado em 2019 e surge atualmente a dar voz aos protestos contra a mais recente onda de maus cheiros no concelho de Alcanena. Foto: mediotejo.net

A manifestação enquanto tal foi cancelada porque o movimento não pediu a autorização necessária, deu conta o SOS Alcanena em nota de imprensa.

Para já continua a decorrer a petição pública que pretende ser enviada à Comissão Europeia contra a poluição em Alcanena. No momento da redação deste texto a petição contava com 1541 assinaturas, mas Ricardo adianta que, com os nomes em papel, o documento encontra-se nas 2 mil.

Na reunião camarária de segunda-feira, dia 20 de julho, Fernanda Asseiceira apontou o dedo aos industriais de curtumes, que continuam sem ter os equipamentos adequados ao tratamento de químicos e gorduras, potenciando assim as sucessivas ondas de maus cheiros no território. Do mesmo modo, sentindo-se ameaçada e difamada em praça pública, apresentou queixa ao Ministério Público contra desconhecidos.

Sobre a manifestação, a presidente adiantou à Lusa que “da parte da Câmara Municipal tudo tem sido feito. Chega a ser triste”, disse, salientando que foi preciso “coragem” para retirar os utilizadores (na maioria indústrias de curtumes) da gestão do sistema de tratamento de águas residuais e criar uma entidade “imparcial e 100% pública”.

“Não somos poluidores. Não percebo porque as manifestações são sempre em frente à Câmara Municipal”, disse, referindo, entre as várias iniciativas do seu executivo, a criação de um observatório do ambiente e a contratação da empresa do investigador Saldanha Matos para se alcançarem soluções definitivas.

“Sou muito positiva e acredito que vamos ter resultados”, declarou.

c/LUSA

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here