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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Alcanena | Roque Gameiro, o Saúl, falou de arte e do legado familiar em Fátima

Saúl Roque Gameiro, sobrinho-bisneto do aguarelista de Minde, concelho de Alcanena, Alfredo Roque Gameiro, foi o convidado da sessão desta quarta-feira, 22 de março, do “Chá com Arte”, no Consolata Museu, em Fátima, Ourém. Um momento para lembrar o seu percurso pela arte, as influências do tio-bisavô na sua vida e da necessidade de Portugal ter um grande Museu que dignificasse toda a sua extensa História.

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Nascido em Minde em 1957, Saúl Roque Gameiro estudou no antigo Colégio La Salle, em Abrantes, partindo depois para Inglaterra, onde se formou em engenharia têxtil e design. Voltando a Minde, recordou, ainda trabalhou algum tempo na indústria têxtil que existia então na localidade, notando o quanto essa faceta influenciou a fase inicial da sua obra.

“Comecei a interessar-me por pintura na adolescência”, recordou para um grupo de artistas e interessados em arte no Consolata Museu, “pela influência das aguarelas de Roque Gameiro”, o seu tio-bisavô. Inicialmente dedicou-se ao trabalho de design nos têxteis, começando gradualmente a pintar e obtendo algum sucesso fora de Portugal.

A importância da arte para a reflexão do mundo foi um dos temas abordados por Saúl Roque Gameiro. Foto: mediotejo.net
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Questionado sobre se sentia o peso do nome “Roque Gameiro”, o artista respondei que “sim e não”. “O Roque Gameiro estimulou-me a seguir o caminho das artes”, mas como aguarelista fez outro percurso, com uma técnica muito específica e “quase inatingível”. “O peso que sinto é que as minhas aguarelas são sempre comparadas com as de Roque Gameiro”, constatou, referindo que também já realizou alguns trabalhos com essa técnica.

Para o pintor, o tio-bisavô tem um percurso muito próprio dentro da sua época, nos finais do século XIX e inícios do século XX. “O que Roque Gameiro nos transmite é a doçura dos tempos do fim do século XIX. As paisagens limpas, sem fios de eletricidade, havia tempo, tudo conservava as suas características da tradição portuguesa”, refletiu. “As pessoas viviam essa vida do quotidiano”, comentou, enquanto hoje “é tudo a velocidade, a tecnologia, a moda, a competitividade”, referiu.

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A mensagem da arte e o que ela despoleta no observador foi um dos temas mais abordados durante o “Chá com Arte”. “A arte é suposto ser uma forma de expressão, que pode ter vários objetivos. Não é fácil de definir”, dissertou. “Temos que nos questionar porque é importante para nós a arte”, refletiu. “A arte tem um papel essencial neste processo de encontrarmos o sublime, o belo, do que nos estimula intelectualmente”, salientou.

Para Saúl Roque Gameiro, as grandes dificuldades do artista encontram-se na questão de económica, mas sobretudo em “conseguir produzir uma arte que tenha um impacto sobre o público, não só pela qualidade técnica mas também pelo que ela transmite”. Para se conseguir vingar no mundo das artes não é necessário estar em Lisboa, frisou, “mas tem que se estar a par do que se passa em Lisboa e no Porto. Pelo menos para quem quer fazer carreira na arte contemporânea”.

O pintor faz sobretudo paisagens, tendo um amplo trabalho dedicado à Serra de Aire, mas também tem produzido obras em torno da figura humana. Para Saúl Roque Gameiro a fotografia, usada pelos artistas no apoio à criação artística, é apenas uma “comodidade” que não facilita de todo o trabalho. “A fotografia muitas vezes induz-nos em erros (de cor, de sombras, etc). Não é um bom apoio, é apenas cómodo”, constatou.

Saúl Roque Gameiro realizou em outubro uma exposição no Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas, considerando ter sido essa uma das melhores apresentações da sua carreira. “Eles empenharam-se bastante”, salientou, referindo que toda a exposição estava muito bem organizada.

O “Chá com Arte” terminou com a ideia da criação de um grande museu nacional, que se equiparasse ao Louvre, em França, ou ao Prado, em Espanha. “Temos muito bons museus”, frisou Saúl Roque Gameiro, mas “em Lisboa precisávamos de um grande museu de arte portuguesa e da História de Portugal dos últimos 500 anos”, eventualmente nos edifícios do Terreiro do Paço, sugeriu.

“Os museus são a nossa relação com o passado”, constatou, e precisamos deles para compreender o futuro. “Nascemos selvagens”, comentou, e o conhecimento é necessário a esse crescimento. “Nos dias de hoje tomamos a sociedade por garantida”, refletiu. Mas “isso é um conhecimento acumulado ao longo dos séculos”. Daí a importância dos Museus.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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