Alcanena: Requalificação de 6 milhões liberta concelho do mau cheiro

Fernanda Asseiceira e Carlos Martins no descerramento da placa celebrativa da remodelação da rede de coletores do sistema de saneamento de Alcanena. foto mediotejo.net

Em cerimónias de rua, “antes preocupávamo-nos com o tempo e o mau cheiro. Hoje só nos preocupamos com o tempo”. A presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, terminou assim a inauguração da remodelação da rede de coletores do sistema de saneamento do concelho, na sexta-feira, 17 de junho. A estrutura colapsou após 25 anos de corrosão pelos gases provocados pelas lamas, e estava bastante danificada. O projeto falava-se desde 2009, mas só em 2014 se conseguiu assinar o contrato que fez avançar as obras. Durante um ano foram investidos nesta requalificação cerca de 6,5 milhões de euros, comparticipados a 85% por fundos comunitários.

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A rede de coletores de Alcanena, com cerca de 40 quilómetros, foi construída em meados dos anos 80, mas boa parte da estrutura foi-se deteriorando ao longo de duas décadas, devido à forte corrosão de que era alvo pelos gases libertados. Colapsou, nas palavras de Fernanda Asseiceira, o que provocou ao longo dos anos o mau cheiro permanente no concelho, a infiltração das águas residuais, muitas provenientes da indústria de curtumes, nas terras e a poluição do rio Alviela. Esta “obra marca a qualidade de vida do concelho de Alcanena”.

foto mediotejo.net
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Durante a cerimónia foram exibidas várias fotografias do estado de degradação acentuado em que se encontravam os coletores de saneamento, antes da intervenção que arrancou em janeiro de 2015 e terminou em dezembro. “Era necessário muito dinheiro”, explicou Fernanda Asseiceira, agradecendo a todos os que apoiaram o projeto, inclusive a AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, que apoiou na componente nacional de 15% dos 6,5 milhões necessários a toda a remodelação.

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Num processo que “foi um calvário”, Fernanda Asseiceira lembrou que o projeto de 2009 só foi revisto em 2014, pelo então Ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva (presente na cerimónia), tendo passado pela transição de quadros comunitários de apoio. Em 2015 competiu finalmente ao consórcio Secal EcoEdifica avançar com os trabalhos, que decorreram sem problemas da parte da população e terminaram dentro do prazo.

A presidente lamentou ainda a morte de um funcionário, já no final das obras de remodelação, cujas causas do acidente, afirmou, ainda estão por apurar.

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Na ocasião esteve também presente o Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que saudou o esforço dos municípios pela defesa do ambiente e o trabalho realizada em Alcanena na requalificação da sua rede de coletores.

Na ausência de visibilidade da rede (está enterrada), o descerramento da placa celebrativa deu-se junto ao ponto de chegada das lamas, na ETAR de Alcanena. Das restantes intervenções previstas no protocolo de 2014, permanece em curso a beneficiação da ETAR, obra da responsabilidade da AUSTRA.

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