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Alcanena | Plano de Saneamento não pensa no futuro da indústria, alerta Assembleia Municipal

Apesar dos elogios ao documento, os deputados municipais discutiram na sessão de Assembleia Municipal de 11 de março a falta de uma visão de futuro para a indústria de curtumes no Plano Estratégico de Saneamento de Alcanena (P.E.S.A). O programa a 10 anos de 10 milhões de euros foca-se sobretudo em resolver os problemas de maus cheiros e descargas poluentes que existem atualmente, mas não atende às antigas questões de ordenamento de território.

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Face ao pedido dos deputados, decorreu uma sessão temática da Assembleia Municipal, dedicada à apresentação e discussão do P.E.S.A. O documento foi elogiado por todas as bancadas, nomeadamente pela identificação dos vários problemas existentes no sistema de saneamento e respetiva ETAR, assim como um plano estratégico para resolvê-los e acabar com descargas poluentes acima dos limites da licença.

Porém, sobressaíram os receios com a falta de soluções para problemas mais estruturais, que não ficarão resolvidos com os mais 10 milhões de investimento e que podem trazer novos problemas no futuro.

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Rui Anastácio, dos Cidadãos por Alcanena, foi o primeiro a intervir, considerando que o P.E.S.A. é o documento mais importante do concelho a seguir ao Plano Diretor Municipal (PDM). Frisaria assim que o documento cruza-se com problemas de ordenamento do território do Alcanena, para os quais não apresenta soluções.

“Temos que dar condições para crescimento e desenvolvimento sustentável da indústria”, defendeu, considerando que se deveria discutir a relocalização das empresas de curtumes, sobretudo para próximo da ETAR. Também no caso dos resíduos, continuou, não são dadas alternativas para o expetável aumento de lamas.

Quando o plano estiver concretizado, concluiu, terão sido gastos nos últimos anos 80 milhões de euros no sistema de saneamento e ficam problemas estruturais por resolver.

Também Joaquim Gomes (PS) apresentou as suas dúvidas, na mesma linha de raciocínio. “Falta aqui uma ação preventiva”, argumentou, que preveja a sustentabilidade do município.

O P.E.S.A preocupa-se com a correção do incumprimento da licença de descarga pelos industriais e quer acabar com os maus cheiros e as deficiências da rede, frisou, mas continuam por resolver os problemas da dispersão da indústria e a necessidade de se investir em mecanismos concretos que promovam a economia circular, a criação de uma fábrica de água e soluções para o aterro de lamas.

Também Ivo Santos (CDU) acabaria por comentar que  “não há planeamento para o futuro”.

Em resposta, representado a presidente ausente, o vereador Hugo Santarém (PS) deu algumas explicações. “Conhecer para intervir, é isso que esse plano vem definir”, frisou repetidamente, destacando que foi necessário identificar quais os problemas do sistema para se saber como agir, nomeadamente quais eram as ações prioritárias.

Neste sentido, a prioridade são efetivamente as questões ambientais, nomeadamente as afluências indevidas, os odores e o cumprimento das licenças de descarga. Resolver os problemas ambientais é importante inclusive para a indústria de curtumes de Alcanena ser competitiva a nível internacional, lembrou, pois há critérios desta natureza a ser cumpridos.

Hugo Santarém concordou com a comparação do P.E.S.A. ao PDM, mas constatou que o desordenamento territorial do concelho é um problema de décadas e que não é fácil a deslocalização das empresas. Adiantou assim que a dois quilómetros da ETAR já há uma área de 68 hectares que pode receber atividade económica, sendo que apenas 30 hectares estão ocupados.

No que toca às lamas, admitiu, a questão não vem abordada porque o grande problema neste momento é a capacidade de se cumprir a licença de descarga poluente.

A fechar, o presidente da mesa, Silvestre Pereira (PS), resumiu as intervenções, admitindo os problemas estruturais do território, mas salientando as potencialidades do projeto e as suas soluções para o curto prazo.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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