Alcanena | Obras de saneamento paradas há 6 meses indignam população de Minde (c/áudio)

No Covão do Coelho e do Vale Alto as ruas estão esburacadas e alagadas, com algares abertos ameaçando a sustentabilidade das casas e canalização de água por enterrar. As obras arrastam-se há dois anos e os moradores, além do caos que os rodeia, ainda pagam uma taxa pelo serviço de saneamento que não conseguem usar.

Iniciadas há quase dois anos, as obras de saneamento do Covão do Coelho e do Vale Alto, na freguesia de Minde, já pararam várias vezes e estagnaram há cerca de meio ano. Algares abertos no meio da via pública, ameaçando a sustentabilidade das casas, canalização de água por enterrar, piso por alcatroar e várias ruas ainda por intervencionar têm afetado o quotidiano dos habitantes, que reclamam a falta de respostas do município. Esta semana, a tempestade fez agravar o estado de várias ruas. A presidente da Câmara de Alcanena aponta problemas relacionados com a empresa vencedora da obra, com quem está agora a renegociar a conclusão da empreitada.

PUB

A indignação sente-se, mas a população teme dar a cara e vai falando por meias palavras. Há muitas coisas na obra de saneamento do Covão do Coelho e do Vale Alto que não batem certo para quem já andou a fazer perguntas. A paragem dos trabalhos só trouxe mais desorientação. No verão, a canalização exposta ao calor deixou a água a ferver. Espera-se o efeito oposto no inverno. Os algares abertos entre casas causam preocupação. Ficou tudo parado a meio e ninguém percebe porquê.

Tempestade dos últimos dias alagou algumas ruas Foto: JF Minde

PUB

Maria da Graça Castanheira não tem problemas em mostrar a sua indignação. Lembra que o saneamento no concelho começou há 38 anos e o Covão do Coelho ficou para o fim. Há alguns anos, garante, que a taxa de saneamento lhe é cobrada sem que dele faça usufruto. Agora a obra parou a meio, semeando o caos pelas ruas da aldeia, e ninguém consegue explicar o que se passa. “Isto é um escândalo. Só quem está aqui percebe a situação”, frisa.

As suas queixas são partilhadas pela vizinha, Velvete Vieira, que aponta os problemas gerados quando se começou a intervir na canalização, ainda por concluir. “As pessoas ficam revoltadas com estas situações. Ainda para mais a pagar a taxa de saneamento sem ele estar feito”, comenta.

PUB

Há também críticas ao executivo de Fernanda Asseiceira, frisando-se a falta de fiscalização e um projeto de saneamento deficiente, que vai deixar vários problemas estruturais por resolver.

A empreitada das redes de saneamento de águas residuais de Covão do Coelho e Vale Alto foi adjudicada à empresa TOELTA – Gestão de Investimentos e Concessões, Sociedade Anónima, pelo valor de 2.068.563 de euros mais IVA, financiado pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), do Portugal 2020. A subempreitada foi entregue à empresa Dreamfields Lda.

Tempestade dos últimos dias alagou algumas ruas Foto: JF Minde

Iniciada no princípio de 2019, tinha inicialmente um prazo de execução de 365 dias. Os trabalhos pararam várias vezes, inicialmente por falta de material e depois por falta de pagamentos à Dreamfields Lda, uma empresa local de Alcanena. Em fevereiro a TOELTA conseguiu um prorrogação do prazo da obra, que deveria terminar em novembro. A obra acabaria, no entanto, por parar de novo.

Contactada pelo mediotejo.net, a presidente da Junta de Freguesia de Minde, Fátima Ramalho, reconheceu o problema e a indignação da população, da qual tem procurado dar conhecimento ao executivo municipal. “Começámos a chamar a atenção logo em abril de 2019, uma vez que havia casas que não estavam ligadas à rede pública e o problema devia ser resolvido”, recorda. A informação que tem do município é que estão a decorrer negociações com o empreiteiro.

“Devia de haver uma comunicação à população, que está ao abandono. As pessoas não sabem o que se passa”, refletiu. “Esta empresa deu problemas desde o início, parou várias vezes… Sinto-me frustrada. As pessoas vêm ter comigo e nós não conseguimos fazer nada”, comentou, salientando que a junta de freguesia não é a dona da obra.

Os canos encontram-se por enterrar, situação que conduziu ao sobreaquecimento da água durante o verão, afirmam os moradores Foto: mediotejo.net

O tema passou pelas últimas reuniões de câmara e assembleia municipal, com Fernanda Asseiceira a garantir que o município está a tentar encontrar uma solução com o empreiteiro.

Ao mediotejo.net a presidente da câmara recordou que a empresa TOELTA tem manifestado desde o início da obra problemas com a contratação de recursos humanos, mas também problemas financeiros. “Claro que esta situação de pandemia não veio ajudar, até veio agravar”, frisou, “mas as dificuldades já se sentiam”.

AUDIO | Entrevista a Fernanda Asseiceira sobre os atrasos nesta empreitada

A Câmara Municipal, diz, “tem vindo sempre a reforçar junto da empresa a procura” de soluções, sendo que se chegou a equacionar recentemente a cedência contratual a outra empresa que terminasse a empreitada. Mas, avança Fernanda Asseiceira, “na passada semana a empresa veio manifestar a vontade e a intenção de continuar a ser ela a responsável de levar esta obra até ao fim”.

O município encontra-se assim a aguardar um entendimento contratual entre a TOELTA e o subempreiteiro, havendo neste momento a perspetiva de se concluir os trabalhos até final de abril. “Estou com esperança que esta semana existam desenvolvimentos”, disse a presidente da autarquia de Alcanena.

A expectativa atual é que as obram possam ser retomadas no início de novembro. O município de Alcanena terá entretanto que pedir uma nova reprogramação financeira ao programa europeu que financiou a obra, de forma a não perder esses fundos.

PUB
Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).