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Sábado, Novembro 27, 2021

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Alcanena | Nova presidente da CPCJ aponta aumento processual em ano de pandemia

Aurélia Antunes, 57 anos, é desde finais de março a nova presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Alcanena. Em entrevista ao mediotejo.net, a responsável explicou o âmbito de ação deste organismo e traçou um cenário das principais problemáticas que afetam as crianças e jovens do concelho. Em ano de pandemia, constata que aumentou o volume de processos que a CPCJ acompanha, nomeadamente devido a violência doméstica. Salienta também que não é função da CPCJ tirar os filhos aos pais, mas dar ferramentas às famílias.

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Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante português/francês, Aurélia Antunes é docente há 33 anos, trabalhando no Agrupamento de Escolas de Alcanena. Desde 2015 que integra a estrutura da CPCJ de Alcanena, como representante na Educação, na modalidade restrita, tendo chegado a assumir as funções de secretária da presidente. Agora é a sua vez de presidir ao organismo.

Discreta, Aurélia Antunes frisa que o seu papel está integrado num amplo trabalho coletivo que é desempenhado pelas CPCJs a nível nacional, identificando, acompanhando casos e fazendo a mediação com o tribunal de crianças e jovens em risco. Muitas das situações que encontrou na CPCJ vieram confirmar a sua experiência de muitos anos em sala de aula e as causas por trás do comportamento de alguns alunos.

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Em Alcanena, adianta, as principais problemáticas não diferem de outras áreas sociais. São sobretudo casos de violência doméstica e alcoolismo, mas também negligência e o absentismo escolar, tendo o número de processos aumentado no último ano (atualmente acompanham cerca de 60 casos). Embora os números não sejam significativos neste concelho, salienta, a violência doméstica continua a predominar, tendo-se verificado também, com o confinamento, casos pontuais de abandono escolar, não obstante o esforço coletivo para que houvesse meios tecnológicos para as aulas online. 

A pandemia e os confinamentos, reflete, podem vir a ter consequências nas crianças e jovens, mas a responsável reflete que estes efeitos não serão imediatos. Para já, o pequeno crescimento do absentismo escolar foi o impacto mais imediato da crise sanitária.

Não é função da CPCJ tirar os filhos aos pais, frisa Foto: mediotejo.net

“A CPCJ só consegue ter um bom resultado se trabalhar em equipa”, afirma, sendo para ela uma continuação do trabalho que vem desenvolvendo como professora. “É uma missão que nos obriga a estar atentos e a tentar mudar um pouco as situações que chegam até nós”, reflete, salientando o esforço que a CPCJ faz também no que toca a sensibilização.

Este ano, no mês de abril, o “mês azul” de prevenção e maus tratos na infância, apostou-se numa campanha junto dos professores para alertar para a importância da família e da parentalidade positiva. Desmistificar ideias estabelecidas é um dos objetivos desta equipa. 

Destaca por isso que a CPCJ não tem por função tirar os filhos aos pais, mas prestar apoio, em concordância com os pais da criança. “O nosso papel junto das famílias é de orientar, de ouvir, fazê-los comprometer-se face a determinadas atitudes”, explica. Para que haja sucesso, constata porém, é necessário o envolvimento dos pais.

Rejeita por tal a ideia de que a CPCJ discrimina pela pobreza, constatando que há casos de famílias com formação e dinheiro que acabam sinalizados pelo organismo. “A pobreza não interfere na colaboração entre famílias, jovens e CPCJ”, salienta. Porém, explica, alguns pais nem sempre têm efetiva “consciência” de que estão a colocar a criança perante uma situação de perigo. Não é por tal o afeto destes que está em causa, mas comportamentos que podem ser prejudiciais.

“O primeiro trabalho é junto dos pais”, reitera, sensibilizando-os para os direitos da criança e das necessidades que esta tem como indivíduo numa posição vulnerável. Por vezes passa por transmitir noções que o próprio adulto não conheceu na sua infância e precisa perceber para melhor defender o seu filho.

“Ouvir” é assim uma das partes mais importantes deste trabalho, tendo sempre como prioridade a defesa dos direitos da criança. Ajudar as crianças a crescer, com regras e responsabilidade, são elementos essenciais à construção de adultos saudáveis, conclui. 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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