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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Alcanena | Município prepara medidas de fundo para combater os maus cheiros

Equilibrar a dimensão ambiental, social e económica no concelho de Alcanena – este foi o objetivo, por diversas vezes reiterado, pela presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, durante a reunião camarária de 6 de novembro, segunda-feira, com um tópico dedicado ao ambiente que ocupou cerca de três das perto de quatro horas da sessão. A autarca apresentou uma extensa informação sobre a ação do município em termos ambientais e as ações de fundo que pretende levar a cabo nos próximos meses. O esforço municipal, porém, levantou dúvidas a alguns dos presentes.

O tópico sobre o Ambiente agendado na Ordem de Trabalhos foi publicitado nas páginas oficiais do município e atraiu algumas dezenas de pessoas ao auditório da Câmara Municipal, onde se realizou a reunião, incluindo os representantes do Movimento pela Saúde de Alcanena (MSA) e industriais dos curtumes. Fernanda Asseiceira foi exaustiva: a informação começou  por um cronograma com todos os passos de intervenção na ETAR desde 1988, passando pelas conclusões de alguns dos relatórios da fiscalização municipal e terminou com as ações que o município pretende levar a cabo para resolver o problema dos maus cheiros.

Equilibrar as necessidades do ambiente, da sociedade e do tecido económico tem sido a estratégia do executivo, defendeu Fernanda Asseiceira. “Todas as nossas ações têm tido esse rumo. Infelizmente, e é motivo para isso, que a população esteja preocupada com a situação dos cheiros que têm incomodado o nosso concelho, sobretudo a vila de Alcanena e áreas limítrofes. Mas devem também ter presentes que a Câmara de Alcanena tem uma preocupação acrescida, pelas funções que desempenhamos, com este processo. Daí trazer a análise e apreciação nesta ordem de trabalhos, porque justifica que assim seja”, referiu a presidente.

A autarca deu especial enfoque à requalificação da rede de coletores, “uma obra de uma grande complexidade, de uma grande extensão”, que se esperava vir a melhor substancialmente a qualidade de vida da população, eliminando boa parte dos odores. “É por isso que com algum desânimo, algumas preocupação, começámos a ser confrontados com a realidade dos cheiros que afetam a população, à noite, de madrugada… A Câmara Municipal, a tentar perceber o que se passa, junto da AUSTRA tem procurado receber informações”, frisou Fernanda Asseiceira.

população foi enchendo o auditório municipal Foto: mediotejo.net

Citando diversos relatórios, denota-se um padrão nas suspeitas das origens dos odores. “A fonte é o aterro, a fonte é a ETAR, a fonte são as unidades industriais”, constatou a presidente, defendendo que se deve começar por atuar nas indústrias para reduzir o impacto nos restantes.

Fernanda Asseiceira apresentou de seguida as ações que a Câmara pretende levar a cabo durante os próximos meses. Para além das já anunciadas análises ao ar, cuja primeira campanha deverá arrancar ainda em novembro (com mais ações previstas em 2018), pretende-se fazer uma auditoria à ETAR de Alcanena e ao seu aterro de lamas, assim como fazer uma análise do pré-tratamento das águas que se realiza nas unidades industriais.

Outra das propostas da presidente, a arrancar já em 2018, é a criação de um Observatório do Ambiente (ideia que integrava o seu programa eleitoral), com diversas entidades nacionais. Fernanda Asseiceira assume o pelouro do Ambiente e garantiu que fará pontos de situação a cada trimestre. A assembleia geral extraordinária pedida pela petição do MSA será realizada, foi anunciado, dia 10 de novembro, esta sexta-feira.

A presidente adiantaria também que foi pedida uma assembleia geral extraordinária da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena para discutir estes problemas, pedindo-se a presença dos donos das indústrias de curtumes e não dos seus representantes. Há ainda negociações a decorrer com a entidade fiscalizadora, a ERSAR, e o município quer discutir com IAPMEI –  Agência para a Competitividade e Inovação o licenciamento industrial. 

Faltam dados objetivos

A exposição de Fernanda Asseiceira não convenceu alguns dos presentes. A vereadora Maria João Rodolfo (Cidadãos por Alcanena) considerou a apresentação “medíocre”, sem dados objetivos que definam as origens dos maus cheiros e a identidade dos prevaricadores. Colocaria ainda uma série de questões sobre más práticas na ETAR, que a presidente pediria para enviar por email a fim de encaminhar à AUSTRA para esclarecimento.

Fernanda Asseiceira leu de seguida uma carta da AUSTRA, a qual referia que há duas unidades industriais que não consegue fiscalizar, onde há indícios de mau tratamento ao crómio e aos sulfuretos, químicos utilizados na curtimenta cujos gases libertados provocam mau cheiro. Defenderia assim que as empresas têm que fazer a sua própria dessulfuração, os tanques devem ser cobertos (incluindo o da ETAR, que está descoberto), sendo que a água com sulfuretos vai começar a ser encaminhada para a ETAR por via de camião.

Presente no público, o responsável da empresa de curtumes ALCURTE explicou porque dificulta a entrada da fiscalização da AUSTRA nas suas fiscalizações, apontando para a falta de enquadramento legal da instituição e das contradições existentes com a regulamentação municipal. Afirmaria também que a sua empresa quase não usa atualmente sulfureto.

“Enquanto não existirem outros são estes regulamentos que persistem”, respondeu Fernanda Asseiceira, referindo que a ERSAR está ao corrente da situação de Alcanena e das características do seu saneamento. A discussão terminaria com a presidente a combinar uma visita às instalações da ALCURTE.

Intervieram ainda um conjunto de populares que focaram a preocupação com os efeitos do mau cheiro, nomeadamente dos gases provocados pelo uso de sulfuretos e do crómio, na saúde da população e da necessidade da Câmara ter uma ação mais assertiva na sua ação fiscalizadora.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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