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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Alcanena | Município não recebe mais refugiados até haver alterações no acolhimento

A frustração é grande entre o executivo municipal de Alcanena com a partida inesperada da família Haj Hasan para a Alemanha. Na reunião camarária de 20 de fevereiro, segunda-feira, a presidente, Fernanda Asseiceira, manifestou a sua tristeza com toda a situação, constatando que a partida tão rápida desta família de refugiados deixou a Câmara Municipal “perplexa”. Afirmaria assim que o processo de acolhimento e integração levado a cabo a nível nacional não está estável o suficiente para o município voltar a repetir a experiência no imediato.

Votava-se a cessação do protocolo com a família Haj Hasan quando Fernanda Asseiceira fez uma breve recapitulação de todo o processo. Lembrando que o município se mostrou solidário com a tragédia síria, aprovou-se em 2016, por unanimidade, o acolhimento de uma família de refugiados, de preferência alargada e com crianças. Esta foi a razão para uma primeira recusa de acolhimento, uma vez que os refugiados em causa eram todos adultos. Desse momento até à chegada da família Haj Hasan, através da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), o processo foi “célere”, recordou.

O casal e os seus quatro filhos, naturais de Aleppo, Síria, chegaram a 25 de janeiro, recebidos em grande festa na Câmara Municipal. Tinham à sua espera uma casa mobilada, roupa para as crianças, aulas de português e uma promessa de emprego para o elemento masculino. O município foi informado desde logo que a família queria ir para a Alemanha ter com familiares, mas ficou “perplexo” com a rapidez da partida. Menos de duas semanas depois da chegada, Fernanda Asseiceira informava em reunião de câmara de 6 de fevereiro que os Haj Hasan estavam de partida para a Alemanha.

“O nosso entendimento é que realmente procurámos acolher a família da melhor maneira”, afirmou Fernanda Asseiceira, “mas também nos foi dito pela PAR que era uma família que” provavelmente ficaria pouco tempo. Conforme o executivo municipal viria a aperceber-se junto da PAR, a saída de refugiados de Portugal é bastante frequente. Fernanda Asseiceira reconheceu também que apenas se sabe que a família foi para a Alemanha através do taxista, que os levou a comprar o bilhete de autocarro.

Visivelmente desiludida, a autarca frisou que prefere deixar passar algum tempo sobre esta experiência para não tomar decisões precipitadas. Os refugiados vêm de uma cultura diferente e têm os seus planos, reconheceu, salientando que não se deve “comparar o que não tem comparação”, nomeadamente os contextos destas pessoas, que fogem de um cenário grave de guerra e terrorismo, e dos cidadãos a nível nacional que precisam de apoio social. “Temos que ver esta situação como excecional, diferente”, constatou.

No entanto, frisou, o acolhimento nacional tem que ser “revisto”. Sublinhando o respeito pelo trabalho da PAR, Fernanda Asseiceira constatou que a integração nacional não é estável e não está a decorrer bem, com uma parte significativa dos refugiados recebidos a irem-se embora para outros países ao fim de pouco tempo. Os acolhimentos nos municípios exigem um grande esforço e envolvimento das instituições e o país não está preparado para este processo.

Fernanda Asseiceira referiu ainda que as viagens para fora de Portugal são feitas de autocarro e não de avião, uma vez que os refugiados não chegam a ter estatuto legal para estarem ao abrigo dos acordos de Schengen. “Isto é preocupante”, afirmou. “Fizemos o que foi possível”.

Foi assim aprovado por unanimidade a cessação do protocolo com a família Síria e manifestar à PAR que o município não está disponível para novo acolhimento enquanto o processo de integração de refugiados no país não estiver melhor organizado.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

2 COMENTÁRIOS

  1. Efectivamente o grupo de “refugiados” passou a ser um grupo de migrantes económicos.
    Preferem a ilegalidade dos migrantes à segurança dos refugiados.
    Afinal não é só da guerra que fogem, é igualmente da pobreza para o El Dorado alemão.
    Entendam pois porque os eleitores votam Trump e outros populistas.
    Cumprimentos
    Fernando Fernandes

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