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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Alcanena | Município aguarda relatório de auditoria a 22 empresas de curtumes

A presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, na reunião de câmara de 17 de setembro, segunda-feira, fez um ponto de situação sobre o estado do ambiente em Alcanena. Entre as diversas intervenções e encontros enumerados, foi mencionado que o município se encontra a aguardar por um relatório de uma auditoria realizada a 22 unidades industriais que usam sulfuretos, uma das causas tradicionalmente apontadas pela população como a origem dos maus cheiros.

Os relatórios das auditorias confirmam ainda que há várias intervenções de que a ETAR de Alcanena necessita de ser alvo para que se minimizem os maus cheiros dela provenientes.

O relatório foi lido pela presidente no início da reunião de câmara e solicitado pelo mediotejo.net. No documento é referido que a auditoria às 22 empresas foi realizada em julho, “aguardando-se o envio do relatório final por parte da Agroleico, Lda”. A informação de que as empresas selecionadas são as que usam sulfuretos foi mencionada pela presidente durante a reunião, mas não vem referida no texto.

A Agroleico – Laboratório de Análises Químicas e Bacteriológicas foi a empresa a que o município contratou os serviços de análises que têm estado a decorrer pelo concelho este ano. Uma adjudicação no valor de 23.640 euros acrescido de IVA, com um prazo de execução previsto de 365 dias.

A instituição já fez três análises à qualidade do ar de Alcanena. O último relatório apresentado conclui que a ETAR de Alcanena e o respetivo aterro são as principais fontes de odor. “Esta situação associada à direção dos ventos, provoca maior ou menor incómodo à população”, adianta.

“Assim, as conclusões apresentadas vêm confirmar as conclusões já retiradas, no âmbito das várias ações levadas a cabo, pelo município e implicam que uma resolução dos impactos gerados pela ETAR ao nível da dispersão de odores deverá passar pelo controlo dos gases, com potencial odorífero, libertados durante o processo de tratamento das águas residuais, designadamente recorrendo à sua captação e tratamento”, refere o documento.

Foi ainda realizada uma auditoria à ETAR e ao aterro a 16 de maio. Concluiu-se que “ao nível das indústrias e portanto a montante da ETAR, deverá ocorrer uma melhoria nos processos de pré-tratamento e o recurso à adoção de tecnologias menos poluentes”. Refere ainda que “na ETAR, local onde foi sentida a maior presença de odores, especialmente no que respeita à obra de entrada e à zona de desidratação de lamas, impõe-se a cobertura,
remoção e tratamento do ar (situação que relativamente à desidratação de lamas foi já
implementada após a realização desta auditoria)”.

“Indica-se ainda que a presença de lamas em excesso (maioria secundárias), é responsável por baixos níveis de oxigénio nos tanques de arejamento, devendo assim ser promovido o seu encaminhamento para espessamento e desidratação. Relativamente à estabilização química das lamas, deverá proceder-se a um aumento da quantidade de cal adicionada. Há indicação ao tratamento terciário a instalar referindo que o mesmo terá reduzido impacto na libertação de odores mas que virá certamente contribuir para uma redução de cor e sólidos no efluente final, com a consequente melhoria da coloração da Ribeira do Carvalho”, refere a mesma informação.

No aterro de lamas também foi constatada a libertação de odores, “que são tão mais acentuados quanto as condições de estabilização, espalhamento e compactação das lamas se verificam insuficientes ou incorretos. Recomenda assim que a deposição das lamas em aterro deverá ser revista, passando a ser executada segundo um ‘plano de enchimento com parcelas sucessivas, cobertas e compactadas'”.

Nos últimos meses foi ainda realizada uma reunião da Comissão Técnica de Acompanhamento da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena para fazer um “ponto de situação sobre a implementação por parte das unidades industriais das classes 1, 2 e 3, das medidas propostas para minimizar situações de proliferação de odores nas unidades industriais de acordo com Relatório técnico elaborado pelo CTIC”.

Desde o início do ano contabilizam-se já 19 fiscalizações à ETAR de Alcanena, com relatórios redigidos pelos serviços de ambiente. As conclusões revelam que “a ETAR tem dificuldade em cumprir a licença de descarga relativamente aos parâmetros SST – Sólidos Suspensos Totais, CQO – Carência Química de Oxigénio e CBO – Carência Biológica de Oxigénio, situação que só poderá ser alterada aumentado a capacidade de retenção e de depuração da ETAR, com o recurso, por exemplo, ao sistema de tratamento terciário indicado pela AUSTRA como obra essencial a realizar. Releva-se ainda que ao nível do controlo da dispersão de odores provenientes do tratamento, a sua minimização passa obrigatoriamente pela cobertura dos principais órgãos geradores dos mesmos, extração dos gases aí gerados e seu tratamento prévio à sua libertação no ar ambiente”, refere.

O Observatório Ambiental de Alcanena reuniu a 11 de setembro e está a decorrer no concelho uma campanha de sensibilização ambiental. O município realizou ainda duas candidaturas a fundos comunitários para projetos de natureza ambiental, mas uma foi recusada e a outra teve uma pontuação demasiado baixa e ficou sem financiamento. A constituição da nova empresa municipal de águas e saneamento EMASA encontra-se a ser analisada pelo Tribunal de Contas.

Estes documentos e relatórios, segundo afirmou a presidente, serão disponibilizados no site do município, no Dossier do Ambiente.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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