Alcanena | “Mar” de Minde em destaque no National Geographic Portugal

Uma fotografia e um texto de Luís Quinta em torno das salamandras de costelas salientes, que nadam entre as macieiras e os carvalhos para poderem respirar à superfície, serve de base à National Geographic Portugal para abordar o “mar” de Minde esta semana.

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Refere o texto que acompanha a fotografia que “em anos de precipitação elevada no Inverno, quando os vários rios subterrâneos das serras de Aire e Candeeiros excedem o seu caudal, a água sai por diversas exsurgências e cria-se uma lagoa na depressão cársica Mira de Aire-Minde. Conhecido como mar de Minde, este fenómeno temporal ocorre no polje de Minde durante poucas semanas de cada ano e há invernos em que não chega a formar-se”.

“Quando a precipitação diminui, o lago desaparece, pois a água escoa-se por diversos sumidouros. Para o biólogo Rui Rebelo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a posterior fase de seca é especialmente vantajosa para os anfíbios. «Os anos de seca matam todos os peixes de água doce, assim como outros grandes predadores como o lagostim-americano, libertando as posturas e as diversas formas larvares das principais ameaças nos anos seguintes», diz. «Por isso, estas serras são um local importante para a conservação dos anfíbios de Portugal»”, relata.

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“Na fase de enchente, pomares, vinhas, olivais ou montado ficam submersos. Em poucos dias, cresce vegetação  subaquática e grandes limos cobrem as árvores submersas”, acrescenta. “A alimentação para inúmeros animais é hiperabundante. Para Rui Rebelo, a biodiversidade ali contida «é um sinal da boa qualidade de água que chega ao polje»”, termina.

Em 2001, refere ainda a publicação, a água atingiu cotas muito elevadas, só comparáveis com os níveis de 1936. Em 2005 o polje de Minde foi incluído na Lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional no âmbito da Convenção de Ramsar.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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