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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Alcanena | Manifestação popular junta uma centena contra maus cheiros (c/vídeos)

Na sexta-feira à noite, 29 de setembro, enquanto os diversos partidos e movimentos celebravam o fim da campanha eleitoral, cerca de uma centena de populares de Alcanena reuniu-se no miradouro da vila para uma primeira manifestação contra os maus cheiros. Uma iniciativa sem cariz político, espontânea, que ganhou dimensão nas redes sociais e surpreendeu alguns dos que compareceram. No momento foi lido um texto que pede uma assembleia municipal dedicada exclusivamente aos problemas ambientais, por forma a darem-se respostas à população.

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Intitulam-se “O Movimento pela Saúde de Alcanena” (MSA), sem cariz político, 100% popular, que nasceu de uma ideia espontânea de um conjunto de amigas numa tarde em que o mau cheiro era tal que não se podia respirar. A manifestação foi-se construindo via redes sociais e na sexta-feira, cerca das 21h00, conseguiu juntar alguma população, que depois seguiu em marcha silenciosa até à junta de freguesia de Alcanena e Câmara Municipal. Apesar de se identificarem no local alguns elementos das listas políticas, ninguém se manifestou.

Uma centena manifesta-se contra mau cheiro em Alcanena

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

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Não há um porta-voz definido, mas um conjunto de pessoas que têm procurado a mobilização. As queixas de Sofia Pereira, Pedro Caetano, Natalina Caetano, Etelvina Oliveira, Sofia Ferreira ou Maria João Ferreira são coincidentes: “há náuseas, ardor nos olhos, no nariz, o cheiro entranha-se na casa, nos roupeiros”, deixa os estores e as pratas completamente negros. Um cheiro “química”, aguerrido, que ninguém sabe ao certo de onde provém, apesar de se opinarem culpados.

Alcanena tem já fama do seu mau cheiro, mas a requalificação da rede de coletores em 2016 fez com que este atenuasse durante algum tempo. Há alguns meses, porém, o mau cheiro voltou e tão intenso que, afirma-se, supera hoje em muito o anterior, a que a população já estava de certo modo habituada. “Cheira a podre”, “cheira a morte”, cheira a merda”, enumera-se. “Não conseguimos continuar a viver assim”, numa vila onde os maus cheiros começam a atacar cerca das 21h00 e se mantêm nas casas noite dentro, retirando qualidade de vida e não deixando muitos dormir.

“Estou aqui para manifestar a minha preocupação”, afirma ao mediotejo.net Etelvina Oliveira, doente com uma laringite aguda e cujo mau cheiro lhe afeta a garganta. Trabalhou 20 anos nos curtumes e teve que sair devido aos problemas para a saúde.

Manifestação percorre avenida até à junta de freguesia e Câmara de Alcanena

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

Pedro Caetano também tem um problema nas cordas vocais e enumera alguns dos efeitos dos maus cheiros: estores pretos, peças de prata que escurecem. “Por isso pode ver a qualidade do ar”, constata, destacando que no verão não se pode abrir as janelas que o cheiro fica imediatamente dentro das casas. “Alguém tem que fazer alguma coisa”, defende.

Fala-se baixinho nas conversas de rua, no cafés, mas ninguém tem coragem de apontar publicamente os culpados. Pedro Caetano explica que há várias opiniões sobre o tema. “Uns culpam a ETAR, outros dizem que é a AUSTRA, outros que vêm aqui fazer descargas” poluentes. Mas efetivamente ninguém sabe de onde vem o mau cheiro.

O movimento falou com o delegado de saúde local, que ficou informado da vigília. Também já foi contactado o serviço ambiental da GNR. Na última semana, é mencionado pelos presentes, o cheiro terá chegado inclusive a Serra de Santo António, a vários quilómetros de distância e um ponto alto na Serra D’Aire.

A encerrar o protesto, populares juntaram-se frente à Câmara Municipal em silêncio e ligaram a luz dos telemóveis. Foto: mediotejo.net

Antes da população percorrer as ruas da cidade, Maria João Ferreira leu um texto em que o movimento marca a sua posição e pede soluções. Refere o documento que “o MSA é um movimento espontâneo de cidadãos do concelho de Alcanena que visa alertar a população do concelho e respetivas entidades oficiais competentes para a problemática da qualidade ambiental e da saúde pública. Mesmo com as infraestruturas realizadas, algumas delas recentemente, o problema continua por resolver… O ar está irrespirável, sintomas de náuseas, vómitos, dores de cabeça e dificuldades respiratórias acentuam-se”.

“O que será de nós e das próximas gerações que representam o futuro da nossa terra?”, questiona-se. “Basta de conformismo. Temos o direito de criar os nossos filhos num ambiente saudável”.

O texto, assinado por vários dos presentes e que será entregue à Câmara Municipal, Quercus e Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), termina solicitando, “com carater de urgência”, uma assembleia municipal extraordinária com o ponto único da “qualidade ambiental em Alcanena”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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