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Sábado, Setembro 18, 2021

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Alcanena | Línguas em extinção inspiram espetáculo que se estreia no Festival Materiais Diversos

Uma trupe de atrizes viaja por uma terra extinta apresentando “pedaços do que sobrou”, num espetáculo que resulta de residências artísticas em lugares onde resistem línguas em extinção e que vai ser uma das estreias do Festival Materiais Diversos.

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Alex Cassal, encenador, dramaturgo, ator, e a encenadora e atriz Paula Diogo aceitaram o desafio para criarem um espetáculo sobre as línguas minoritárias em risco de extinção, lançado por Elisabete Paiva, a diretora artística do Festival Materiais Diversos (FMD), que decorre a partir de sexta-feira e até 05 de outubro em Minde, Alcanena e Cartaxo, no distrito de Santarém.

Desse desafio nasceu “A Menor Língua do Mundo”, espetáculo que se estreia sexta-feira às 21:30 no cineteatro de Alcanena (com repetição no dia seguinte), construído “com pequenos pedaços” dos lugares por onde a equipa passou.

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As residências artísticas aconteceram em Barrancos, onde se fala o barranquenho, em Miranda do Douro, onde o mirandês é língua cooficial, e em Minde, vila do concelho de Alcanena onde vai persistindo o minderico e onde se encontra a sede do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, que se dedica ao estudo das línguas minoritárias em risco de extinção.

“Em 2100, é provável que se tenha perdido metade dos 7.000 idiomas falados em todo o mundo. Inspirados neste e noutros desaparecimentos iminentes, Alex Cassal e Paula Diogo debruçam-se sobre as línguas minoritárias portuguesas que ao caminharem para a extinção, levam consigo histórias, identidades, diferenças”, refere a sinopse do espetáculo.

Brasileiro, Alex Cassal “aterrou” num território desconhecido – “não sabia que havia outras línguas em Portugal”, confessou na conversa de artistas com residentes, ao final da tarde de terça-feira, no Ponto de Encontro do FMD, que estava ainda a ser ultimado na praça Alberto Guedes, em Minde, pela equipa do Laboratório de Intervenção em Arquitetura In Situ, da Universidade Autónoma.

Com Paula Diogo, três atrizes de língua portuguesa e origens diversas e uma cineasta que foi registando as residências em formato Super 8, “bitola em extinção para registar línguas em extinção”, a passagem pelos lugares resultou na recolha de “vestígios”, dezenas de horas de gravações áudio e “muitas histórias para encaixar num espetáculo de hora e meia”, num desafio para “transformar tudo isso em algo que pode vir a interessar a outras pessoas”.

Numa conversa inicial entre os dois, e porque se falava em línguas em extinção, surgiu a imagem “daqueles filmes, histórias do fim do mundo, em que caiu um cometa ou uma praga e tem um grupo de sobreviventes que ficou andando de um sítio para o outro e pegando o que necessita para sobreviver, tentando se manter naquela paisagem arrasada”, disse Alex Cassal à Lusa.

“Então a gente imaginou que esse grupo de atrizes podia ser uma espécie de trupe de artistas num mundo onde as línguas todas foram extintas, pegando o que sobrou, uma palavra aqui, uma história ali, uma gravação que sobrou e elas iam pelas comunidades e apresentavam esses números, esses pequenos espetáculos, feitos no fim das contas de pedaços, nunca ia estar completo”.

“Também a gente falava sobre essa relação com o passado mais distante, Eurípedes escreveu dezenas e dezenas de peças, temos acesso a cinco, ou a biblioteca de Alexandria, que de repente se incendeia e a gente tem um volume da poética de Aristóteles, não tem tudo”.

O espetáculo foi assim construído “com pequenos pedaços” dos lugares por onde passaram, sem que se tenha tornado “trágico, melancólico, de fim do mundo”, mas “usando isso para fazer humor”, para falar “sobre a relação com o passado, com o que não se conhece”, disse.

Fora do espetáculo “ficam memórias, ficam encontros preciosos para a gente e esperamos que para as pessoas do lugar”.

Depois de Alcanena, “A Menor Língua do Mundo” vai ser apresentada no Teatro Campo Alegre, no Porto, a 04 e 05 de outubro, e no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em março de 2020.

Agência de Notícias de Portugal

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