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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Alcanena | Instalação de ilha ecológica desenterrou ossadas na praça Marechal Carmona

A empresa Resitejo instalou uma ilha ecológica na praça Marechal Carmona, em Alcanena, sem acompanhamento de equipa arqueológica, o que fez com que algumas ossadas desenterradas no local não tenham sido preservadas. A situação foi constatada pelo vereador, e historiador, Gabriel Feitor, dos Cidadãos por Alcanena, e exposta na reunião camarária de 3 de setembro, segunda-feira. Apanhada de surpresa, a presidente Fernanda Asseiceira admitiu que desconhecia a situação.

Segundo explicou Gabriel Feitor ao mediotejo.net, “o tabuleiro onde é hoje a Praça foi o local de uma Igreja Matriz, a principal e única à altura, de Alcanena, templo do século XVII, que foi incendiada em 1915 nos confrontos anticlericais da I República. No seu lugar, que era um terreiro grande, fez-se, em 1919, a Praça. No buraco que foi lá aberto, 5 metros de profundidade, encontraram-se ossadas (porque até à metade do século XIX enterravam-se os mortos na Igreja) e foram afectados as fundações da antiga Igreja”.

A mesma exposição foi apresentada em reunião de câmara, com Fernanda Asseiceira a manifestar-se surpreendida com a informação dos achados, que desconhecia. O município recebeu três ilhas ecológicas, explicou, tendo-se optado por sítios de grande visibilidade e fácil acesso, razão pela qual se optou pela respetiva zona na praça Marechal Carmona. Há alguns anos a praça sofreu obras de requalificação, pelo que não se equacionou que ainda existisse ali alguma coisa, reconheceu.

Fernanda Asseiceira reiteraria que este tipo de questões sempre mereceram atenção do município, enumerando alguns exemplos de obras que pararam para investigação arqueológica já no seu executivo. Salientou ainda que se tivesse sabido das ossadas poderia eventualmente ter intervido.

Em declarações ao mediotejo.net, Gabriel Feitor comentou que aquando a requalificação urbana do centro histórico de Alcanena, há mais de uma década, “também não existiu acompanhamento arqueológico – eu próprio guardei bocados de azulejo e madeira queimada de um monte de entulho”.

“Como disse, não posso admitir que, num local onde foi o centro de Alcanena, pelo menos, desde o século XVII, seja alvo de negligência e alguém tem de se responsabilizar”, afirmou.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

1 COMENTÁRIO

  1. Naquele local tinha sido o cemitério da vila à volta da Igreja que ali havia e que tinha sido incendiada em 1915. Quando no principio da década de 50 foi criada a rede de águas em Alcanena, lembro-.me bem das ossadas que por ali foram encontrada e até de um anel de marfim que alguém terá guardado. Naqueles tempos não havia a sensibilidade e os conhecimentos arqueológicos que hoje existem. Eram outros tempos, mas os cuidados foram os mesmos.

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