Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

Alcanena | Festival Materiais Diversos reforçou laços com o público após um ano de pandemia

O público aderiu a "uma experiência diferente de contacto com as Artes, que não foi desligada de um pensar sobre o que é estarmos juntos hoje e depois de uma pandemia”, diz em entrevista Elisabete Paiva, diretora artística desta Bienal de Artes Performativas que nasceu há 10 anos.

O Festival Materiais Diversos, bienal de Artes Performativas, terminou este domingo em Minde, no concelho de Alcanena. A diretora artística Elisabete Paiva, em entrevista ao mediotejo.net, faz um balanço “muito positivo” desta 11ª edição, que decorreu de 05 a 17 de outubro no Cartaxo (na primeira semana) e em Alcanena e Minde (na segunda).

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“Correu muito bem, tivemos uma forte adesão do público, com muitas iniciativas praticamente esgotadas. Já se criou uma comunidade em torno do festival, um sentido de pertença, de comunhão até, e muitos dos que acompanham há alguns anos o nosso trabalho mostraram-se também felizes com este formato que apresentámos. Regressámos aos encontros, sim, mas de uma forma tranquila”, com um “formato mais distendido, de pequena escala e proximidade, que privilegia os processos de criação em contacto muito próximo com as pessoas”, explica Elisabete Paiva.

ÁUDIO | ELISABETE PAIVA, DIRETORA ARTÍSTICA MATERIAIS DIVERSOS

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“Esta oportunidade das reflexões diárias, através das conversas, das mesas longas”, depois das caminhadas, dos espetáculos ou da visita a instalações e exposições, “teve uma adesão muito grande”, talvez porque as pessoas estejam mesmo mais atentas e necessitadas destes espaços de reencontro e de pensamento e de conversa”.

O público viveu assim “uma experiência diferente de contacto com as Artes, que não é desligada de um pensar sobre o que é estarmos juntos hoje e depois de uma pandemia”, considera.

Para Elisabete Paiva a satisfação pelo trabalho apresentado, bem como o reconhecimento que vai sentido por parte de quem assiste aos espetáculos, é ainda maior pelo facto de considerar que “a relação do público português com as Artes ainda é muito frágil”.

O trabalho para a próxima edição, prevista para 2023, começa desde já. A tendência do Materiais Diversos tem sido essa, aliás: tem processos de pesquisa mais longos, dá mais tempo aos artistas para estarem com as pessoas a investigar, a discutir possibilidades. O público pode, aliás, ir sempre acompanhando essa preparação, seguindo por exemplo as residências artísticas que, no final, darão lugar a apresentações integradas no programa.

O financiamento não está garantido, assume a diretora artística. Vai sendo procurado pela associação ano a ano junto da Direção-Geral das Artes, das instituições europeias e das autarquias. Contudo, acredita que o “lastro muito positivo” deixado pelo festival junto de vários parceiros locais, desde escolas a coletividades, pode “levar ao encontro de visões e de expectativas”, além de sentir que existe uma postura positiva que pode ajudar o projeto a sedimentar-se e a aprofundar-se.

“Um festival com 10 anos em Portugal já tem uma história e já tem um corpo de trabalho reconhecível.”

*C/Lusa

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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