Alcanena | Festival Materiais Diversos passa a bienal e a apoiar projetos artísticos (c/vídeo)

Desde 2009 a marcar a vida cultural da região a partir de Alcanena, o Festival Materiais Diversos entendeu ser chegado o momento de mudar o seu formato e dar mais espaço e tempo de reflexão à criação artística. Na sexta-feira, 21 de setembro, a organização anunciou em Minde que o certame passa a ser bienal, pelo que só vai ocorrer em 2019. Há ainda um conjunto de novidades no seu extenso programa, com a associação Materiais Diversos a mudar também o seu formato de apoio a artistas, passando para apoio a projetos artísticos.

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“Era muito importante para nós ganhar espaço e tempo para refletir e para aprofundar as nossas colaborações com os parceiros e com os nossos públicos”, disse a diretora artística da associação Materiais Diversos, Elisabete Paiva, na sexta-feira, dia em que o festival começou com uma “micro apresentação” pelo Teatro do Ferro, no Largo 14 de Agosto, em Minde.

Elisabete Paiva explicou que a organização sentiu necessidade de alterar o formato, face às constantes pressões para que os festivais cresçam Foto: mediotejo.net

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“Desde a sua fundação, o festival cresceu muito, tem uma visibilidade nacional e internacional, mas interessa-nos muito compreender como é que podemos fazer melhor aquilo que já fazíamos a partir do lugar. Afirmar: ‘Estamos aqui’. E ganhámos espaço para uma programação regular, o que implica um habitar do território muito mais intenso, muito mais profundo, e muito mais oportunidades para diferentes públicos de se aproximarem de nós e dos artistas que convidamos”, afirmou Elisabete Paiva.

Assim, a edição de 2019, que vai assinalar os dez anos do Festival Materiais Diversos, projeto iniciado pelo coreógrafo Tiago Guedes (natural de Minde), vai acontecer no último fim de semana de setembro em Minde e Alcanena e no primeiro fim de semana de outubro no Cartaxo.

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Festival Materiais Diversos passa a bianual. Diretora artística Elizabeth Paiva

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

Com a passagem a bienal, “os processos de apresentação, de criação, ao longo de cada biénio vão poder reverter-se no festival com outra profundidade”, realçou.

Como exemplo, Elisabete Paiva apontou o espetáculo de teatro documental “Viagem a Portugal”, que vai estrear no festival, um trabalho do Teatro do Vestido, que na sexta-feira à noite promoveu uma conversa no cineteatro S. Pedro, dando conta da pesquisa em curso e que inclui três residências ao longo de dois anos em Alcanena.

O mesmo acontece com as criações para jovens públicos, que são coproduzidas pela Materiais Diversos, com oficinas para professores e para crianças, “com investimento em filosofia, em dança, em teatro”, e que depois serão apresentadas no festival.

“Com isto, acho que estamos a dar muito mais oportunidade aos nossos diferentes públicos”, disse Elisabete Paiva, referindo “a pressão para os resultados” sentida pelos artistas e as “próprias políticas culturais que, por vezes, não são amigas do tempo”.

Festival arrancou com uma pequena amostra do espetáculo “Objetoteca Popular Itinerante”, na praça 14 de agosto em Minde Foto: mediotejo.net

“Para criar objetos artísticos verdadeiramente inovadores e interessantes, mas também com esta responsabilidade de olhar para os territórios com outra atenção e trazer as pessoas, desafiar os públicos a um olhar mais capacitado, é preciso mais tempo de encontro entre os artistas e as pessoas”, frisou.

Outra alteração anunciada por Elisabete Paiva foi o facto de a Materiais Diversos ter deixado de ter “artistas associados” para passar a ter “projetos associados”, recebendo ou fazendo propostas para serem construídas “a partir do lugar, a partir de pesquisas no lugar ou a partir de mecanismos de participação das pessoas do lugar” ou mesmo de recuperação do espaço público, onde quer passar a “programar mais”.

“Não estamos a abandonar os artistas, a apoiar menos, mas a apoiar de uma outra forma, até podendo diversificar o leque de artistas que estamos a apoiar”, disse, exemplificando com a bolsa “Filhos do Meio”, que disponibiliza aos artistas do distrito de Santarém uma estrutura “profissional, que tem o apoio estatal para cumprir esse desígnio”.

Ainda na sexta-feira, houve passagens pelos jardins do Museu da Aguarela Roque Gameiro, em Minde, pelo cineteatro S. Pedro, em Alcanena, e pelo Centro Cultural do Cartaxo, para apresentação dos múltiplos projetos em curso nestes dois concelhos do distrito de Santarém.

O programa do Festival inclui também uma ampla articulação com escolas, com oficinas de artes e filosofia para o 1º e 2º ciclos, jovens e professores.

c/LUSA

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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