Alcanena | Festival Internacional de Folclore celebra tradições (c/video e fotogaleria)

Na sua 30ª edição, o Festival Internacional de Folclore voltou a reunir em Alcanena algumas centenas de dançarinos de grupos etnográficos do concelho e internacionais. O mediotejo.net passou na quinta-feira, 27 de julho, pelo evento e perguntou a organizadores e artistas quais as vantagens deste intercâmbio cultural. O enriquecimento coletivo e a oportunidade de apresentar usos e tradições dos seus países de origem foi por todos referido como o grande benefício.

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Num circulo acompanhado por guitarras, cerca de meia dúzia de sevilhanas entoam o “Bailando” de Enrique Iglesias. Passados alguns minutos, com um intervalo de silêncio, a música muda. Agora canta-se o “Despacito” de Luis Fonsi. Não é o folclore dito tradicional, mas a música pop contemporânea dá um certo ritmo ao ambiente, ainda de espera, enquanto o desfile composto por sete grupos de folclore aguarda para sair da Escola Secundária de Alcanena.

Chama a atenção os trajes típicos, coloridos, que desenham as diferentes nacionalidades e contam a história dos costumes de cada terra. Das sevilhanas espanholas para o violino lituano, passando pelos ritmos tropicais chilenos e a memória de uma comunidade portuguesa no Canadá que traz orgulhosos campinos e uma frondosa bandeira nacional, numa característica mistura de diálogo em português, inglês e francês. O XXX Festival Internacional de Folclore de Alcanena tornou a encher a sede do concelho com os sons do mundo e uma oportunidade de intercâmbio para os cerca de 200 dançarinos que desejaram dar a conhecer a sua cultura.

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Filipe Vieira, diretor do Rancho Folclórico do Covão do Coelho, desde sempre que se lembra de participar no festival. A experiência não funciona tanto como intercâmbio, explica, uma vez que os grupos mantêm alguma distância, eventualmente por causa da língua, mas é uma oportunidade de “mostrar o nosso folclore”.

Permutas entre países também não há muitas, tanto devido a razões financeiros como de vida pessoal. Ao contrário de alguns dos grupos internacionais, explica, que fazem do folclore a sua vida, participando em todo o tipo de eventos e mostrando sobretudo espetáculos de dança, os ranchos são um “hobbie” em Portugal.

Ainda assim o Rancho Folclórico do Covão do Coelho já teve a hipótese de atuar em Espanha, França e na ilha da Madeira. “Quando vamos lá fora mostramos o nosso folclore, conhecemos a zona e as comunidades portuguesas”, adianta. “É sempre de valorizar”, constata, mostrando-se as tradições de Alcanena e trazendo o conhecimento do folclore dos outros países ou regiões.

“O folclore do Covão do Coelho está vivo e de boa saúde, com muita gente nova”, frisa o responsável, mas esse não é o panorama a nível nacional, onde domina uma faixa etária mais elevada. “Nós como rancho temos que oferecer mais que etnografia. Temos que manter as tradições, mas fazemos também encenações (a Via Sacra), as corridas de carros de rolamentos, o cantar das janeiras. E assim conseguimos manter gente jovem”, refere. “O facto de se fazer um Festival de Folclore é sempre bom para mostrarmos que ainda há grupos de folclore ativos e que há alternativas ao futebol”.

Alcanena Festival Internacional de Folclore

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 27 de Julho de 2017

Para Anabela Gomes, do Rancho Folclórico da Gouxaria, o Festival “é muito importante para dar a conhecer as culturas, os usos e os costumes dos nossos antepassados”. “É muito enriquecedor”, afirma, referindo que há muita cordialidade e simpatia pelos grupos internacionais participantes. Já tem feito de guia a alguns dos estrangeiros que visitam Alcanena e salienta o interesse que estes mostram por Portugal. “Há uma paixão pelo país, pela cultura”, afirma.

Do Chile, o Ballet Folclorico Municipal Rancagua Alejandro Cabezas Matus trouxe 35 pessoas até Alcanena. Seguir-se-iam espetáculos no Porto, Lagos, Silvares e Milheirós de Poiares. “É um modo de vida”, explicou ao mediotejo.net o porta-voz do grupo, Alejandro Cabezas, entre rasgos de “portunhol” de ambas as partes. O grupo tem bastante experiência em festivais internacionais, tendo já atuado em Espanha, Argentina e na Bolívia. De Portugal salienta a proximidade cultural. O folclore “é muito diferente, mas culturalmente somos muito parecidos”. “Trazemos diferentes tipos de dança do nosso país, danças tradicionais. É muito enriquecedor, uma experiência de alto nível”, frisa.

Em Alcanena atuaram o Folk Ensemble “Saulé” Zenonas Ripinskis, da Lituânia, o Ballet Folclorico Municipal Rancagua Alejandro Cabezas Matus, do Chile, o Coros y Danzas de Ronda Adela Ramirez, de Espanha, e o Grupo Folclórico Campinos do Ribatejo de Montréal, uma comunidade portuguesa no Canadá. De Alcanena marcaram presença o Rancho Folclórico de Gouxaria, o Rancho Folclórico e Cultural do Covão do Coelho e o Grupo do Jogo do Pau, da Casa do Povo de Espinheiro.

O espetáculo decorreu frente à Câmara Municipal.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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