Quinta-feira, Março 4, 2021
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Alcanena | Eucalygrape Leather, uma ideia que ainda não parou de ganhar prémios

Beatriz Oliveira, Carolina Santos e Bárbara Oliveira viveram o 12º ano em cheio. Um projeto da disciplina de Geologia levou-as ao CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, na busca de uma alternativa para substituir os metais pesados na curtimenta da pele. Descobriram assim o potencial dos resíduos de eucalipto e do bagaço de uva e ainda não pararam de ganhar prémios com a ideia deste couro vegetal – como o primeiro lugar, conquistado na sexta-feira, 29 de junho, no Concurso de Ideias e Planos de Negócio “Arrisca C”, da Universidade de Coimbra.

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Alcino Martinho, diretor geral do CTIC, reconhece que o ano letivo 2017/2018 foi um tanto fora do comum. A colaboração com o Agrupamento de Escolas de Alcanena vem de trás, mas este ano foram vários os grupos de alunos que procuraram apoio junto da instituição para desenvolver projetos de sustentabilidade, relacionados com a indústria de curtumes do concelho.

O responsável aponta o problema dos maus cheiros que se verificou no final de 2017 como eventual factor de consciencialização. “É uma preocupação que a indústria também tem”, frisou, tendo o CTIC desenvolvido vários projetos nesta área ao longo dos últimos 20 anos – sustentabilidade e inovação tecnológica – o que permitiu oferecer o apoio requisitado pelos jovens locais.

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Projeto teve mentoria do CTIC, que desenvolve há 20 anos projetos no âmbito da sustentabilidade e inovação tecnológica Foto: mediotejo.net

Mas voltemos ao início. Tudo começou na disciplina de Geologia na Escola Secundária de Alcanena. O professor José Fradique desafiou os alunos a encontrar um problema na vida quotidiana e a desenvolver uma eventual solução. O grupo constituído por Beatriz Oliveira, 17 anos, Carolina Santos, 17 anos, e Bárbara Oliveira, 18 anos, focou-se na questão dos químicos utilizados na indústria de curtumes e o seu efeito poluidor, nomeadamente o mau cheiro.

O passo seguinte foi dirigirem-se ao CTIC, procurando apoio para desenvolver uma solução. Tomaram assim conhecimento com aquilo a que Alcino Martinho define como “economia circular”, utilizando-se substratos de outras indústrias para curtir a pele de forma vegetal e não química, um trabalho ligado à biotecnologia, mais sustentável. A equipa apostou no desenvolvimento de um couro inovador, curtido à base de estratos de casca de eucalipto e bagaço de uva.

A ideia, constata Alcino Martinho, não é propriamente nova, a curtimenta vegetal foi a primeira forma de curtimenta da história, tendo sido substituída eventualmente pelos químicos, com melhores e mais rápidos resultados. Atualmente, constata, “é o futuro”, dada a aposta gradual na economia circular, aproveitando-se subprodutos de outras proveniências, e as preocupações com a poluição que têm conduzido ao desenvolvimento da biotecnologia. A curtimenta a vegetal não vai desaparecer com a poluição, alerta, mas diminui algum do seu impacto.

A ideia foi considerada “original” e a equipa teve desde logo bons resultados, com o professor a inscrever o projeto em vários concursos. O primeiro prémio que conquistaram foi o do EmpreEscola da NERSANT, obtendo também o primeiro lugar no Concurso Regional de Ideias de Negócio das escolas da região centro. Em Lisboa ficaram em segundo lugar num prémio atribuído pela Universidade Nova.

Na sexta-feira as jovens rumaram a Coimbra, onde as esperava nova vitória no Arrisca C. Somam-se outras viagens pelo país a apresentar a ideia. “Não estávamos à espera”, confessam.

A equipa gostaria de desenvolver a ideia ou vendê-la – são destacadas as possíveis aplicações, nomeadamente no calçado – mas para já os seus projetos de futuro passam pelos exames nacionais e respetiva entrada na universidade. As áreas de interesse das jovens são no âmbito da saúde, resultado do percurso do secundário, pelo que todo o projeto da Eucalygrape Leather foi “um desafio” que abriu um novo mundo de possibilidades e conhecimento às três amigas.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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