Alcanena | Estudantes e população exigem soluções para o problema dos maus cheiros (C/FOTOS e VIDEOS)

Participaram centenas de alunos e moradores na marcha silenciosa. Foto: mediotejo.net

As “proporções calamitosas” que a situação ambiental em Alcanena atingiu levou os cerca de 600 alunos da Escola Secundária a organizar uma marcha silenciosa até ao edifício da Câmara.

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A ideia surgiu espontaneamente entre os estudantes que se queixam dos maus cheiros pestilentos e persistentes, além de problemas de saúde que fazem temer pelo seu futuro.

Por isso, na manhã desta segunda feira, dia 28, as aulas foram substituídas pela iniciativa de protesto à qual se associaram dezenas de moradores.

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Escoltados pela GNR que ali estava sobretudo para controlar o trânsito, os manifestantes deslocaram-se da escola até à Câmara em marcha silenciosa, a maioria vestidos de preto, alguns com máscaras e ostentando cartazes com palavras de ordem.

Manifestação silenciosa de estudantes contra o problema dos maus cheiros em Alcanena

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 28 de outubro de 2019

“Pela sua saúde, da sua família e de Alcanena”, “Quanto mais falamos, mais ar respiramos, faz silêncio”, “Com o odor como inimigo, temos o futuro comprometido”, “Queremos acabar com o que nos anda a matar”, “Está na hora de mudar, chega de adiar, não queremos poluição, queremos respirar”, “Fumar mata, viver em Alcanena também”, eram algumas frases que se podiam ler nos cartazes.

Miguel Sampainho, um dos alunos que dinamizou a iniciativa, explicou que a ideia surgiu espontaneamente entre os alunos depois de constatarem que a situação dos maus cheiros era “cada vez pior”.

“Neste último mês tem-se vindo a notar cada vez mais. É impossível para nós continuar a viver com estes cheiros em Alcanena, temos de fazer alguma coisa”, afirmou.

À espera dos manifestantes, no exterior da Câmara, estavam quatro elementos do executivo camarário, incluindo a presidente da autarquia, Fernanda Asseiceira.

Manifestação silenciosa de estudantes contra o problema dos maus cheiros em Alcanena

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Numa grande faixa afixada na varanda dos Paços do concelho pode ler-se: “O ambiente e a saúde em primeiro lugar”.

Coube a duas alunas ler um texto sobre o problema e o objetivo da sua iniciativa. Explicaram que a sua indignação deriva de não conseguirem respirar ar puro na sua escola, no seu concelho, considerando “o direito mais básico a que qualquer ser humano tem direito: respirar ar puro”.

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“Não está certo! Que nos ouçam uma e outra vez: não está certo o que estão a fazer ao povo de Alcanena”, repetiram, falando em nome dos estudantes mas também da população em geral.

Os alunos exigem “uma posição clara” e “a resolução do problema”, independentemente de se saber quem são os culpados.

“Tem sido insustentável frequentar a Escola Secundária de Alcanena. De manhã, ao entrarmos nas salas, cheira a podre. Um cheiro que, infelizmente, todos aqui conhecem. E não temos escolha: não podemos sair, embora nos fosse legítimo, porque estamos ali para cumprir uma tarefa. Mas ninguém consegue executar de forma exemplar uma tarefa num ambiente tão incauto”, lamentam os estudantes.

Queixam-se do “cheiro pestilento”, que provoca “reações a nível de saúde, como enxaquecas, enjoos ou dores físicas”.

Os estores que estão a ficar pretos na vila foram também referidos para de seguida questionar: “se os estores tão pretos, como ficam os nossos pulmões? O que é que estamos a respirar? Temos todo o direito de não estudar num ambiente destes”.

Os alunos fazem questão de frisar que queremos viver e estudar na vila e têm orgulho em que Alcanena se chame “Capital da Pele”, mas apelam para que não se passe a chamar “Capital da Morte”.

Manifestação silenciosa de estudantes contra o problema dos maus cheiros em Alcanena

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Ana Cláudia Cohen, diretora da Escola Secundária, elogiou a iniciativa dos alunos no seu exercício de cidadania. “Acho que é fantástico quererem apresentar soluções e isso é motivo de orgulho”, disse ao mediotejo.net, apelando a que não houvesse acusações gratuitas e que fosse uma manifestação ordeira, numa lógica de fazer parte da solução.

A presidente da Câmara foi a última a intervir, com alguns apupos pelo meio. Fernanda Asseiceira reconhece que se está perante “um problema de saúde pública” e apresentou explicações técnicas que originam os maus cheiros apontando o dedo a algumas unidades fabris de curtumes que excedem os limites e tipologias dos efluentes.

A autarca referiu o que tem sido feito através da empresa municipal Aquanena, responsável pela gestão do sistema, que passa por ações de sensibilização, fiscalização e monitorização junto das empresas.

Fernanda Asseiceira mostra-se esperançada na resolução do problema e foi essa a mensagem que procurou transmitir aos manifestantes.

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1 COMENTÁRIO

  1. Sempre cheirou mal em Alcanena.
    Eu trabalhei na Escola Preparatória entre 1998 e 2001 e lembro-me perfeitamente do mau cheiro.
    Nos primeiros dias foi-me muito difícil comer, tal era a pestilência.
    Em 2004 tive um cancro maligno nas vias respiratórias. Será que foi do mau cheiro?? Não sei, mas também se poderá colocar essa hipótese, pois inalei o ar irrespirável de Alcanena.
    Por isso, espero que a Presidente da Câmara se mexa e solucione o problema ou então a saúde das pessoas estará em risco permanente.
    Estou com vocês alcanenenses

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