Alcanena | Esgotos ilegais provocam cheiro pestilento que se espalhou pela região

Ex-administrador da AUSTRA começa a ser julgado por desvio de 960 mil euros. Foto: DR

Durante a semana passada toda a área de Alcanena, Bugalhos, Vila Moreira e até Pernes, já no concelho de Santarém, foi invadida por maus cheiros a fazer lembrar os dias e noites insuportáveis que a população viveu em 2017.

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Preocupados com o problema, a Câmara Municipal de Alcanena e a nova entidade gestora, AQUANENA, EM – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena, que, desde o passado dia 6 de julho, assumiu, de forma integral, as competências na área do saneamento, empenharam-se em identificar a ou as origens dos maus cheiros e a atribuir responsabilidades e consequências.

O que aconteceu foi que, naqueles dias, a AQUANENA viu-se confrontada “com caudais com elevada carga poluente a chegar à ETAR (levadas concentrações de sólidos, gorduras, cargas orgânicas (CQO) e elevada carga de sulfuretos)”, facto que surpreendeu a empresa e a Câmara, segundo um comunicado emitido pela primeira.

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O problema levou a que fosse convocado o Observatório Ambiental de Alcanena que inclui uma reunião com empresários realizada na tarde do dia 24.

Antes do comunicado da AQUANENA já a Câmara, em nota de imprensa, afirmava compreender a preocupação e descontentamento da população em relação aos maus cheiros de origem desconhecida, e a “empenhar-se na avaliação e diligências possíveis para a mais urgente resolução”.

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A AQUANENA diz estar “completamente solidária com a população e com os utilizadores cumpridores”, pois consideram “inaceitável e incompreensível o que está a acontecer”.

Foram definidas várias medidas em algumas unidades industriais, que “garantem efetivamente o bom funcionamento do sistema e impedem que chegue à ETAR o que ainda hoje continua a chegar”.

A Presidente da Câmara de Alcanena preside à `AQUANENA. Foto: mediotejo.net

O comunicado de sete páginas dá conta de todo o processo de transição da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena para a AQUANENA, EM – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena, que, desde o dia 6 de julho, assumiu, de forma integral, as competências na área do saneamento.

A nova empresa manteve os mesmos colaboradores, com os bens e equipamentos existentes e se não foram alterados procedimentos. E no comunicado pergunta-se: “qual a razão pela qual toda a situação se agravou desde o passado mês de Julho?”

A resposta contém uma listagem exaustiva da situação que a AQUANENA encontrou e quais as medidas tomadas desde então.

Foram realizadas reuniões de apresentação do processo e de enquadramento com Ministério do Ambiente, Ministério da Economia, APA- Agência Portuguesa do Ambiente, Direção Geral de Energia e Geologia, IGAMOT – Inspeção Geral do Ambiente e Ordenamento do Território.

A nova empresa estabeleceu contacto pessoal com todos os utilizadores do Sistema de Saneamento, para apresentação, esclarecimentos e comunicação das condições contratuais.

Garante-se em comunicado que “foi efetuado o levantamento de todos os bens e equipamentos que careciam de manutenção, de reparação e de substituição, do qual resultou listagem identificando um elevado número de avarias, que evidenciam não ter sido entregue a ETAR nas melhores condições de funcionamento”. Além disso, garantiu-se “a manutenção regular preventiva, nomeadamente a que ocorre no mês de Agosto, e a reparação dos equipamentos avariados ou que avariaram até à presente data, num total de 37 avarias desde 5 de julho de 2019”.

Outra medida foi a “aquisição urgente dos equipamentos que se encontravam avariados, nomeadamente um soprador, que não se obtém em Portugal e que só conseguimos obter em Itália. Encontrámos ainda avariados ou em mau estado de funcionamento, para além deste, outros equipamentos críticos, como uma bomba de dessulfuração, parafuso de elevação inicial ou o equipamento espalha lamas”.

A AQUANENA garante que assegurou “a existência de stock de bens e equipamentos correntes e/ ou urgentes, que em caso de avaria necessitem de substituição urgente, garantindo a redundância de equipamentos críticos que podem pôr em causa o bom funcionamento da ETAR. Exemplo: no caso do soprador efetuámos já encomenda de 3 sopradores, estando um a chegar para instalação na presente semana”.

Para tentar minimizar o problema dos cheiros insuportáveis na região, a empresa procurou que a carga poluente na chegada à ETAR fosse reduzida. Segundo a AQUANENA, alguns utilizadores, que “têm responsabilidade de cuidar e respeitar o Sistema, pelo serviço que lhes é prestado”, não respeitaram as medidas tomadas.

Por exemplo, “a quantidade de água que chega à ETAR é muito superior à água que é medida através dos contadores das unidades industrias”, o que levou a nova empresa a monitorizar a rede de coletores, com o objetivo de detetar formas ilegais de rejeição de águas residuais.

Para isso, vão ser instalados equipamentos que avaliem carga poluente rejeitada em cada unidade industrial e foi elaborado um Plano de Rejeição de Águas Residuais e comunicado a todas as Unidades Industriais, para ser respeitado o horário definido e atribuído, com o reforço das condições a respeitar nessa rejeição.

Entre outras medidas, foi também definido o horário para a rejeição das restantes águas residuais, “considerando estar comprovado que não podem ser rejeitadas em simultâneo, pelas reações químicas que originam ao longo da rede de coletores e na chegada à ETAR, provocando a libertação de gás sulfídrico”. Esta reação agrava-se com a presença de outras substâncias, nomeadamente matéria orgânica como as elevadas quantidades de gordura que imprópria e indevidamente têm estado também a ser rejeitadas, denuncia a AQUANENA.

“O desafio da sustentabilidade social, económica e ambiental do concelho de Alcanena tem que ser assumido de forma coletiva. É o garante do Futuro de Todos!”, defende a empresa, que deixa um apelo: “só com a colaboração, o sentido de responsabilidade e o empenho de todos será possível. Estamos prontos para enfrentar as dificuldades, mas também para atribuir responsabilidades e consequências! A determinação é total!”

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2 COMENTÁRIOS

  1. E a saúde da população? E o crime ambiental que está a ser cometido? Responsabilidade dos problemas cometidos? A resposta a isto? Qual os problemas que isurgem perante isto? É um crime que não têm respostas, pois não?

  2. E o mau cheiro continua! Continuamos a respirar estes químicos!!
    O objetivo da política é proporcionar qualidade de vida aos cidadãos. Estão a falhar! Aguardamos, enquanto perdemos saúde, a resolução da situação e a punição dos infratores…

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