Alcanena | Empresários denunciam incapacidade de gestão da ETAR

ETAR de Alcanena. Foto: DR

Os maus cheiros que ainda se continuam a fazer sentir em Alcanena provocaram acusações mútuas entre a AQUANENA, EM – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena e a Associação Portuguesa de Industriais de Curtumes (APIC).

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Na sequência do esclarecimento da AQUANENA sobre o problema, tivemos acesso ao comunicado da APIC, no qual rejeita que haja mais caudais ou efluentes com características poluentes “diferentes daquelas que sempre foram rececionadas na ETAR”. Para os empresários “há sim é uma incapacidade de gestão da ETAR e do Sistema para o tratamento dos efluentes da indústria de curtumes.”

Para os empresários, o município “revela-se incapaz de gerir, de solucionar e, para se justificar, culpabiliza os industriais”.

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O comunicado da APIC surge na sequência de uma carta enviada pelos vereadores do grupo Cidadãos por Alcanena à associação, depois de declarações da Vice-Presidente e Vereador do pelouro na última reunião de Câmara. 

A carta da APIC foi publicada na sequência de uma carta/pedido de esclarecimentos nossos, tendo em conta as declarações da Senhora Vice-Presidente e Vereador do pelouro na última reunião de Câmara, muito antes da publicação do comunicado da AQUANENA.

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Depois de referir que a importância da industriais de curtumes no concelho e as suas preocupações ambientais, a APIC lembra que “a questão dos maus cheiros infelizmente é recorrente e a sua origem foi identificada bem como a solução para este problema logo em 2017 na sequência do incidente verificado” que na altura também provocou maus cheiros em toda a região.

Depois deste “incidente”, foram feitos estudos por solicitação da AUSTRA ao IDAD – Instituto de Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Aveiro, nos quais foram identificadas as causas do problema e preconizadas soluções que vieram a ser implementadas pela AUSTRA.

A APIC garante que o memorando de medidas a implementar nas indústrias tem vindo a ser aplicado e acusa a Câmara Municipal de Alcanena de não implementar algumas medidas propostas pela AUSTRA para conseguir controlar a situação.

“O facto do Município não implementar, ou continuar, o investimento projetado e iniciado pela AUSTRA, que foi interrompido quando o município manifestou a sua intenção de resgate do contrato de concessão, leva a que a questão dos maus cheiros seja recorrente”, acusam os industriais.

Para a APIC, a incapacidade que os responsáveis têm de resolver o problema “advém do desconhecimento da complexidade dos efluentes industriais que têm especificidades próprias e em particular os efluentes da indústria de curtumes em cada uma das suas diversas fases”.

Lembra-se ainda que “a indústria de curtumes regista um nível de atividade muito abaixo do normal para a época, que já por si é uma época de pouca atividade – tradicionalmente no final de Agosto e no mês de Setembro a atividade é fraca – não sendo esta realidade congruente com a afirmação de existência de uma “carga excessivamente poluente e caudais excessivos, a níveis que a ETAR não tem capacidade para tratar”.

Município responsabiliza caudais com elevada carga poluente por maus cheiros em Alcanena

A Aquanena, Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena, responsabiliza os “caudais com elevada carga poluente” e o desrespeito pelos horários de descarga na ETAR pelos “maus cheiros” que se voltaram a sentir no concelho.

Em comunicado, a Aquanena afirma ter verificado que estavam a chegar à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), que trata os efluentes domésticos e das empresas do concelho, na sua grande maioria de curtumes, “caudais com elevada carga poluente”, com “elevadas concentrações de sólidos, gorduras, cargas orgânicas e elevada carga de sulfuretos”.

“Os maus cheiros voltaram a surgir por toda a área de Alcanena, Bugalhos e Vila Moreira…voltou à memória de todos os dias e as noites insuportáveis que vivemos em 2017”, refere o comunicado, assinado pelo conselho de administração da empresa, que é presidido pela presidente da Câmara de Alcanena (distrito de Santarém), Fernanda Asseiceira.

O comunicado faz um historial do processo que levou à transferência da gestão do sistema de saneamento de Alcanena da associação de utilizadores, AUSTRA, para a empresa municipal, concretizada a 05 de julho.

A nota lembra que o Tribunal Arbitral constituído a pedido da AUSTRA, que contestou o resgate da concessão decidido pelo município, validou o processo, estando em curso “uma ação visando uma eventual compensação indemnizatória”.

A empresa afirma que, desde que assumiu a gestão do sistema, procurou “a todo o custo” conseguir uma diminuição da carga poluente na chegada à ETAR.

Contudo, além de constatar a “elevada carga poluente” à chegada à ETAR, “a agravar a situação”, verificou que “deixou de ser respeitado, pelo menos por alguns utilizadores que têm a fase da ribeira” o horário que havia sido estabelecido pela AUSTRA “para rejeição exclusiva das águas pré tratadas provenientes desta fase de produção e que era das 00:00 às 03:00”, afirma.

A empresa afirma que todas as unidades foram alertadas para a situação em agosto, tendo sido adquiridos cartões de transmissão de dados que permitem a leitura dos caudais à saída das unidades industriais e os equipamentos necessários à sua instalação, procedimentos concluídos esta semana e que passam a permitir a medição e verificação regular dos caudais.

A Aquanena afirma que vai igualmente começar a monitorizar a rede de coletores, uma vez que se tem verificado que a água que chega à ETAR é “muito superior à água que é medida através dos contadores das unidades industriais”, de forma a detetar “formas ilegais de rejeição de águas residuais”.

Por outro lado, vai instalar equipamentos “que avaliem a carga poluente rejeitada em cada unidade industrial”.

“Foi elaborado um Plano de Rejeição de Águas Residuais e comunicado a todas as unidades industriais para ser respeitado o horário definido”, acrescenta.

A empresa definiu ainda um horário para a rejeição das restantes águas residuais, por ter sido “comprovado que não podem ser rejeitadas em simultâneo, pelas reações químicas que originam ao longo da rede de coletores e na chegada à ETAR, provocando a libertação de gás sulfídrico”.

“Esta reação agrava-se com a presença de outras substâncias, nomeadamente matéria orgânica como as elevadas quantidades de gordura, que, imprópria e indevidamente, têm estado também a ser rejeitadas”, acrescenta.

Entre as várias medidas que decidiu adotar está ainda a verificação do cumprimento por parte das empresas que foram notificadas para, em 2018, adotarem medidas que minimizassem a proliferação de odores, e o reforço da fiscalização, refere a nota.

c/Lusa

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