Alcanena | Dezenas de emails de apelo contra a poluição enchem caixas de correio de instituições (c/AUDIO)

Um buzinão noturno e dezenas de emails de apelo contra a poluição em Alcanena encheram caixas de correio de instituições. Foto: mediotejo.net

Uma corrente de mensagens de apelo contra a poluição em Alcanena está a invadir desde quinta-feira à noite, 30 de julho, as caixas de correio de várias entidades, desde instituições governamentais e às redações dos jornais. Ao início da tarde de hoje eram já mais de três dezenas de emails e continuam a chegar. A mensagem é sempre a mesma, mas assinada por pessoas diferentes, e é movida pela nova onda de maus cheiros que afeta a vila de Alcanena. A iniciativa é do movimento SOS Alcanena e um ato de “desespero e sentimento de impotência”.

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Ao que o mediotejo.net conseguiu contabilizar, são cerca de 85 os endereços de email a que esta mensagem é dirigida. Refere o texto que “a poluição ambiental em Alcanena atingiu níveis insustentáveis para a população poder viver com o mínimo de qualidade. Não se consegue respirar ar puro com os níveis adequados por dois dias seguidos. Ao contrário do resto do país, Alcanena continua em confinamento pois todos os dias a população tem de fechar portas e janelas de casa, os vidros do carro, tudo, para que o cheiro não empeste as nossas vidas”.

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Continua expondo que “o ar irrespirável deve-se à exposição do ar de Alcanena a Sulfeto de Hidrogénio, um gás venenoso, que tem graves implicações na saúde das pessoas. Ou seja, trata-se de um problema de poluição ambiental que atinge a vertente social e de saúde pública. A população de Alcanena está a ser gaseada diariamente como se vivesse num cenário de algum filme da II Guerra ou do trágico acidente de Chernobyl”.

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“Esta situação ultrapassou todos os limites do razoável há muito tempo e sentimos-nos completamente presos de uma indústria que não cumpre e/ou de uma autarquia completamente incompetente na resolução do problema. Dia após dia, mês após mês, ano após ano, o problema mantém-se e intensifica-se sem qualquer avanço da parte das entidades competentes. Não sabemos mais o que fazer para vermos o fim a este calvário e o sofrimento da população é visível pelos protestos na página de Facebook Alcanena em Movimento”, refere.
“A população está completamente desesperada e esta mensagem é um apelo à vossa intervenção, investigação e exposição deste tema. Como entidades públicas e órgãos de comunicação social, apelamos ao vosso sentido cívico aliando-se à população de Alcanena que precisa de todas as ajudas nesta altura”, explica.
O texto conclui afirmando que “esta não é uma mensagem informativa. É um pedido de ajuda de quem chegou ao limite”.
Entre as entidades que estão a receber esta corrente de mensagens encontra-se a Agência Portuguesa do Ambiente, o IGAMAOT – Agência para a Competitividade e Inovação, Presidência da República, grupos parlamentares de vários partidos, jornais regionais e nacionais, Quercus, Zero e SEPNA – GNR.
De recordar que na sexta-feira, 24 de julho, um protesto contra os maus cheiros marcou o início da assembleia municipal de Alcanena, mas a pouca adesão e o debate dividido durante a sessão acabaram por criar desânimo entre os que permaneceram.
Contactado pelo mediotejo.net, um dos porta-vozes do SOS Alcanena, Ricardo Rodrigues, explicou que a ideia da cadeia de emails surgiu de uma outra iniciativa semelhante em 2019, que produziu alguns efeitos.
De quarta para quinta-feira, 29 para 30 de julho, “foi das piores noites de que tenho memória” em termos de maus cheiros, admitiu o ativista. “Já não sabemos o que fazer, perdeu-se completamente o controlo”, comentou.
Ricardo acredita que o verão será difícil e o que os problemas com mau cheiro vão persistir. “Nós estamos completamente desesperados, é uma sensação de impotência”, afirmou, apontando a falta de capacidade do município para resolver o problema. “Acreditando que não é dolo, a autarquia não faz a mínima ideia de como resolver o problema”, afirmou.
“Tenho a forte convicção que vai ser mais um verão neste sofrimento”.
Algumas dezenas de populares saíram à rua em protesto pelos maus cheiros em Alcanena. Foto: Ricardo Rodrigues

Em 24 de julho, a presidente do município, Fernanda Asseiceira (PS), disse à Lusa “lamentar que continuem a existir industriais que não cumprem com as regras, pondo em causa todo o sistema”.

Segundo a autarca, foi possível detetar que as descargas de hidrocarbonetos na rede, ocorridas no início deste mês, tiveram origem no emissário da Gouxaria (um dos três que conduz águas residuais até à Estação de tratamento de águas Residuais), tendo sido realizadas análises que confirmaram a presença daquele químico, sem, contudo, ser possível identificar a ou as indústrias em concreto.

Fernanda Asseiceira afirmou na ocasião ser “a primeira a reconhecer que a população só pode estar muito desagradada, inquieta e preocupada”.

c/LUSA

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