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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Alcanena | Comunidade organiza-se para lutar contra os maus cheiros

O Movimento pela Saúde de Alcanena (MSA) elegeu no sábado, 28 de outubro, o seu secretariado, com a apresentação de uma carta aberta que será enviada a diversas entidades nacionais e europeias e a renovação do apelo à população para que assine uma petição que pede a realização de uma Assembleia Municipal extraordinária, dedicada ao tema dos maus cheiros e do ambiente. A sessão reuniu cerca de uma centena de pessoas, tendo decorrido também um debate. O mau funcionamento da ETAR, a gestão duvidosa da AUSTRA, a falta de fiscalização às empresas de curtumes, o mau tratamento de lamas, a utilização de sulfuretos e crómio na indústria e a aparente incapacidade de resposta do município ao problema dos maus cheiros uniu as críticas dos intervenientes.

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Apesar da presença entre o público de elementos de forças partidárias que se encontram atualmente na oposição, a porta-voz do MSA, Maria José Ferreira, frisou já no final da sessão: “este movimento iniciou-se com quatro amigas numa rede social porque estávamos fartas de cheirar a porcaria no ar. Não há nada contra ninguém, a porta está aberta para quem quiser entrar”.

Sessão de eleição do secretariado do MSA reuniu cerca de um centena de pessoas Foto: mediotejo.net

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A mesma afirmação foi repetida poucos minutos depois ao mediotejo.net, quando lembrámos a tomada de posse da presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, onde esta lançou críticas à vigília realizada pelo movimento a 29 de setembro, dois dias antes das eleições. “O movimento surgiu espontaneamente”, sublinhou. “Desde a vigília que dizemos que não temos nada a ver com cores políticas”, salientou, “acho que a presidente devia-se juntar ao movimento”. “A população luta por melhor condições de vida”, destacou.

Maria João Ferreira fez um balanço “positivo” da sessão no auditório (antiga praça do peixe), explicando que o problema dos maus cheiros afeta todos e “tem que se começar de alguma maneira”. O MSA definiu reunir-se de 15 em 15 dias, preparando-se mais vigílias e manifestações, para além da petição que pede uma Assembleia Municipal extraordinária para que se dêem respostas à população. O movimento é “aberto”, frisou ainda, sendo “essencial a participação de todos”.

A sessão iniciou com algumas intervenções sobre a temática dos maus cheiros e as possíveis causas do odor, entre as quais a de Suzel Frazão. Aprovou-se de seguida uma carta aberta do MSA que expõe o historial da problemática.

Refere que “a população, desde sempre, tem sido massacrada com os cheiros nauseabundos e fétidos, alegadamente, resultantes: do tratamento incompleto das águas residuais ou descargas indevidas de unidades fabris dos efluentes na rede pública; da intensa degradação das lamas que devem ser devidamente estabilizadas, e da deposição de raspas e outras matérias nos aterros em condições impróprias”. Para além dos maus odores, destaca, ocorre também a contaminação de solos.

porta-voz do MSA, Maria José Ferreira, leu uma carta aberta que será enviada, entre outras entidades, ao presidente da República e aos deputados europeus Foto: mediotejo.net

O MSA refere que tem conhecimento de queixas a entidades fiscalizadoras, mas as ocorrências sucedem em período noturno ou de madrugada, fora do horário de expediente das entidades com capacidade de fiscalização. Terminada apelando à “intervenção” das instituições para que se tomem medidas de resolução, “uma vez que aquelas até agora adotadas pelas entidades responsáveis se têm mostrado ineficientes”.

O texto será enviado à Câmara de Alcanena, AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, APIC – Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes, junta de Alcanena e Vila Moreira, Ministério da Saúde, Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT), Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, Centro de Saúde de Alcanena, Ministério do Ambiente, serviço ambiental da GNR (SEPNA), Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), Quercus, vereadores e deputados eleitos no município e Às várias bancadas parlamentares da Assembleia da República. Durante o debate ficou definido enviar também o texto à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), Presidência da República e para os deputados europeus.

A população foi convidada a intervir, com participação de várias pessoas com algum conhecimento sobre a eventual proveniência dos maus cheiros e elementos da CDU e do movimento Cidadãos por Alcanena. O mau funcionamento da ETAR de Alcanena foi uma das causas mais vezes apontada, mas também o mau tratamento das lamas, os químicos usados na indústria dos curtumes, nomeadamente os sulfuretos e o amoníaco, e as falhas na fiscalização às fábricas, sobretudo da parte do município.

A atuação de Fernanda Asseiceira no seio da AUSTRA também mereceu críticas, ainda que outros intervenientes entendessem que a presidente não estará totalmente a par de toda a real problemática. Presente esteve também Manuel Soares, da Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT), que convidou o MSA a estar presente numa reunião com o ACES Médio Tejo.

“Um dos grandes problemas do concelho de Alcanena é a falta de informação”, comentaria Maria João Rodolfo, atual vereadora do movimento Cidadãos por Alcanena, “todos fazemos conjeturas, mas quem pode dar informação não a dá”. “Mais que uma busca de culpados, isto é uma busca de soluções”, terminou.

Manuel Soares, da CUSMT, convidou o MSA a participar numa reunião conjunta com o ACES Médio Tejo Foto: mediotejo.net

“O mal é da ETAR. O problema é a ETAR. O problema está nas nossas mãos”, afirmaria Luís Galveias, solicitador natural de Alcanena que realizou uma das maiores intervenções, mencionando um relatório de 1995 que já previa toda esta situação. “O movimento tem que ser assertivo”, frisou, lembrando que o concelho vive da indústria de curtumes.

No final da sessão foi eleito o secretariado do MSA, composto por: Maria José Ferreira, Elisa Alves, Pedro Caetano, Natalina Caetano, Marcelo Costa, Filipa Ferreira, João Calçada, Sofia Ferreira, Carlos Matias. Um dos presentes votaria contra por entender que o MSA está a dividir, quando se deveria trabalhar em conjunto com a autarquia.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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2 COMENTÁRIOS

  1. Felizmente houve um voto contra com declaração de voto esclarecedora e que está no cerne da questão futura. O MSA está a dividir em vez de trabalhar em conjunto com a a Autarquia. E isso seria unir todos em torno de um problema que é de todos.

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