Alcanena | Cientista Elvira Fortunato na corrida ao Prémio Nobel da Física

A cientista Elvira Fortunato tem raízes familiares em Louriceira, Alcanena, onde os pais nasceram e onde passou parte da sua infância Foto: DR

Elvira Fortunato, cientista natural da Louriceira, concelho de Alcanena, conhecida como a “mãe” do transistor de papel, está entre os candidatos do próximo ano ao Prémio Nobel da Física, adianta este domingo, 17 de maio, o jornal Expresso.

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Segundo a mesma fonte, várias instituições científicas internacionais estão a ser contactadas pela Academia Real das Ciências da Suécia para proporem, até julho, nomes de candidatos ao Prémio Nobel da Física de 2020, na área dos materiais. O jornal Expresso adianta que, segundo várias fontes, a eletrónica transparente tem vindo a destacar-se nos últimos anos, havendo três nomes incontornáveis, responsáveis por inovações disruptivas que têm hoje grandes aplicações no mercado: o americano John Wager, o japonês Hideo Hosono e a portuguesa Elvira Fortunato, que é também pioneira mundial na eletrónica de papel.

Os três cientistas já trabalham em conjunto, tendo apresentado uma comunicação conjunta em 2006 no primeiro simpósio mundial sobre eletrónica transparente, organizado pela Sociedade Europeia de Investigação de Materiais. Elvira Fortunato é ainda coautora, com Hideo Hosono, de um artigo científico sobre o mesmo tema.

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Em 2010, a alcanenense foi convidada pela Fundação Nobel para fazer uma palestra sobre eletrónica transparente em Estocolmo. Esta tecnologia tem sido usada nos ecrãs de “todo o tipo de dispositivos, como telemóveis, tablets, monitores ou sensores. E já chegou aos vidros dos automóveis”, resume.

Elvira Fortunato é professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde dirige o laboratório associado i3N (Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação).

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Elvira Fortunato é natural de Louriceira, Alcanena. Foto: TVI

Covid-19 | Ciência mostrou o poder que tem em tempos de crise e mais além

A pandemia de covid-19 mostrou a importância da Ciência como arma para a salvaguarda do mundo inteiro e veio dar um impulso decisivo à ligação entre a academia e a indústria, segundo investigadores portugueses ouvidos pela agência Lusa.

Para a galardoada cientista Elvira Fortunato, esta pandemia é a primeira grande crise global a seguir à II Guerra Mundial e veio “mostrar o poder que a Ciência tem e a necessidade de investir nela”.

“Mostra-nos que a Ciência é a mão armada do mundo. Movimentou uma ‘task force’ mundial que pôs todos os cientistas a trabalhar em conjunto e apressou coisas que demoravam a acontecer”, afirmou em declarações à Lusa.

A vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa e diretora do Centro de Investigação de Materiais acredita que o papel que a Ciência assumiu no contexto da pandemia vem resolver de vez o debate sobre a necessidade de investimento e fez com que se deixasse para trás a concorrência que também existe na área.

“Esqueceu-se por agora quem é que chega à frente, quem é que faz primeiro”, afirmou exemplificando com o consórcio formado pela Nova, Instituto Gulbenkian de Ciência, Fundação Champalimaud e Instituto de Medicina Molecular para responder às chamadas e projetos promovidos pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Ministério da Economia.

O ex-presidente do Instituto Superior Técnico Arlindo Oliveira disse à Lusa que o trabalho dos cientistas com hospitais e sistemas de saúde ganhou “uma prioridade que não tinha antes”.

Na sua área de investigação, as ciências da computação e a inteligência artificial, Arlindo Oliveira afirma que a análise de dados médicos e clínicos poderá dar respostas essenciais sobre o novo coronavírus, desde logo “porque ataca com tão grande ferocidade os mais velhos”.

O trabalho que já se está a fazer nesta área permitirá identificar melhor onde estão os maiores riscos de contrair a covid-19 e quais os fatores genéticos ou comportamentais determinantes, afirma.

Quanto aos avanços em tecnologias como a georreferenciação para rastrear contactos, “dependerão sempre da salvaguarda da privacidade” e não é claro sequer que funcionem para o efeito pretendido.

“Para já, os dados não são conclusivos quanto à sua utilidade. Para já, nem toda a gente as irá utilizar. Depois, podemos vir a concluir que saber onde é que toda a gente anda ou com quem contacta só resulta numa quebra de um ou dois por cento no contágio, portanto pode nem valer a pena”, afirmou.

Elvira Fortunato concorda que avanços tecnológicos como esses têm “sempre um lado negro e um lado branco” e que deve haver limites.

Duma coisa a investigadora tem certeza: “nunca houve uma interação e integração tão grande entre a indústria e a universidade”, como evidenciam as “reinvenções” de empresas como a que fabricava cotonetes e agora produz zaragatoas para testes de diagnóstico.

Para isso, e porque “a indústria não conseguia sozinha” adaptar-se tão depressa, precisou de chamar as universidades e contar com o “conhecimento adquirido” dos investigadores.

“Estas coisas não aconteciam antes. E este vírus não está para acabar”, salienta.

O diretor do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos CEiiA, Miguel Braga, aponta o projeto do ventilador português Atena como exemplo do que era “altamente improvável” há três meses.

“Dissemos à comunidade médica: ‘sabemos investigar e desenvolver equipamentos para aeronáutica, para a mobilidade, agora ajudem-nos a colocar estas capacidades ao serviço das vossas necessidades para enfrentar a covid-19’. E a comunidade médica trabalhou lindamente connosco”, disse à Lusa.

Empresas como a EDP e instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian juntaram-se também ao projeto de criação de um ventilador, um exemplo do tipo de tecnologia sem o qual não se pode imaginar um futuro pós-covid, argumenta.

“Se houve momento em que ficou clara a necessidade de apostar na ciência foi esta pandemia e a forma como apanhou de surpresa o mundo, mesmo os países mais desenvolvidos. Nós temos que nos preparar melhor para uma situação semelhante. Portugal e a União Europeia não podem estar dependentes do fornecimento da China ou de outro país qualquer para ter reagentes ou zaragatoas”, afirmou.

Miguel Braga salienta que a Ciência em Portugal se adaptou “muito rapidamente”, tal como a indústria, mostrando que “a necessidade faz o engenho” e que isso será essencial para o futuro próximo, em que se prevê uma grave crise económica a nível global.

“Temos duas maneiras de reagir a essa crise. Ou nos refugiamos em casa e esperamos que destrua o que tem que destruir para depois regressamos ou antecipamos o que será o mundo depois da crise e começamos já a investigar e a desenvolver”, considera.

A indústria da aviação, por exemplo, é uma das que “terá que se reinventar” para voltar a dar “confiança aos passageiros” e levá-los a voar novamente sem medo de serem contagiados.

“Vamos exigir, enquanto consumidores, produtos e serviços com mais qualidade e mais seguros. E é a ciência que tem condições para os criar”, salienta.

Para o administrador do CEiia e ex-reitor da Universidade do Minho António Cunha, a ciência dos próximos anos “terá que ser mais pragmática” pois a pandemia veio evidenciar que “as prioridades mudam”.

“Obriga-nos a pensar a ciência, tanto a fundamental como a aplicada, para enfrentar as necessidades efetivas das pessoas”, disse à Lusa.

O investigador da área de Engenharia de Polímeros admite que “talvez algumas áreas fiquem para trás porque a Saúde vai ser a prioridade mais visível”.

Prova disso é o facto de “quase todas as atuais chamadas de financiamento serem específicas da área da covid-19”.

“Isso vai passar, mas o mundo não vai ficar como dantes. Em todas as áreas, não só a ciência, vai mudar a maneira como se olha para o futuro. Nos transportes, nas lojas, que vão ter que se reinventar na forma como vão chegar ao consumidor, e para isso terá que haver nova tecnologia”, considera.

Elvira Fortunato admite ter ficado “com mais orgulho em Portugal” desde o início da pandemia, frisando que para a comunidade académica há práticas que foram impostas pelo confinamento que devem ficar.

“Ainda vivíamos com muito papel, com muita carga burocrática. Agora, foi desmaterializada uma série de coisas. Estão a fazer-se provas de doutoramento e de agregação ‘online’ e, embora as aulas práticas não possam ser substituídas, percebemos que as aulas teóricas podem ser dadas à distância com qualidade e com avaliação”, exemplificou.

c/LUSA

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2 COMENTÁRIOS

  1. Anos e anos, todos já sabem! Evitar viroses é máscara óculos TOUCA e muito banho! É somente evitar as gotículas nas faces!!! O resto é higiene usual!!!

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