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Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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Alcanena | CCV Alviela lembrou os animais vítimas dos mitos em noite temática

Os morcegos, os lobos, os insetos e os mitos que colocam em risco o ecossistema foram a base de uma baile temático organizado pelo Centro de Ciência Viva (CCV) do Alviela, em Alcanena, na noite das bruxas, 31 de outubro. O Baile dos Morcegos contou com a intervenção de quatro académicos que abordaram brevemente os efeitos de determinadas crenças sobre espécies “noturnas” que se encontram ameaçadas. Uma iniciativa a repetir, garantiu ao mediotejo.net a diretora do CCV Alviela, Paula Robalo, em dias temáticos que se possam enquadrar no âmbito de intervenção da instituição.

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“Quisemos fazer uma coisa mais à portuguesa”, comentou Paula Robalo no início da noite, inserindo o Halloween num “Baile dos Morcegos” que juntou cerca de um centena de pessoas no Centro, junto à praia fluvial dos Olhos de Água. No entanto, “não queríamos que fosse só um baile, mas que as pessoas levassem conhecimento científico, nomeadamente sobre animais associados aos mitos e às superstições”, explicou ao mediotejo.net.

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Este foi o primeiro ano da iniciativa e o objetivo é continuar, utilizando outros dias temáticos para abordar outros temas ligados à sustentabilidade. Este é, afinal, “um evento diferente e que espero seja também um atrativo para o concelho e para a região”, salientou a responsável.

O jantar que antecedeu o Baile contou com as intervenções de quatro académicos, que abordaram os mitos em torno dos morcegos, dos lobos e dos insetos. O biólogo Francisco Fonseca começou por falar sobre os lobos, animais que têm sofrido com as mudanças nos seus habitats e a caça que lhes é levada a cabo pelo homem por atacarem os rebanhos. “Este animal é parte de um puzzle que é a natureza e que ficaria muito pobre” sem ele, constatou.

O lobo “é uma espécie animal perseguida, incompreendida”, salientou. Substituído no seu ecossistema por animais como o veado ou o javali, começou a atacar os rebanhos para conseguir sobreviver, o que acaba por causar muitos prejuízos aos agricultores. Mas “nós homens é que destruímos toda uma harmonia em que o lobo estava inserido”, frisou.

Depois há todo um conjunto de mitos que atribuem ao lobo uma espécie de fama maldita: que é uma criatura da noite (não é), que quem o vê fica sem fala (não fica) ou que este só uiva quando há lua cheia (o lobo uiva quando quer marcar território ou comunicar com a alcateia). “É o medo que temos do escuro, da ignorância”, explicou Francisco Fonseca.

Da Universidade do Porto, Hugo Rebelo admitiu que se interessou pelos morcegos durante o curso, constatando o pouco que se sabia sobre este mamífero com asas. “O que eles comem são insetos”, frisou, sendo essenciais no combate de algumas pragas e controlo da população de mosquitos. Denis Medina, da Universidade de Évora, complementou a análise sobre os perigos em que o animal se encontra, frisando o impacto dos automóveis e das estradas sobre as populações de morcegos. Salientaria também a necessidade da comunicação social desfazer certos mitos em torno do morcego enquanto animal perigoso.

Sandra Antunes, do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, foi a última especialista a intervir, constatando que “os insetos são os que mais sofrem com os mitos” e que quase sempre o nosso impulso imediato é matar estes animais. Porém “precisamos dos insetos” para manter a biodiversidade e preservar o ecossistema. “As traças não são todas pragas”, advertiu, e as libélulas não “tiram olhos”. “Todos este bichos são alvo de muito misticismo e é preciso conservá-los”.

Antes do baile, decorreu o espetáculo “Dança Vertical” no exterior do CCV Alviela.

Halloween no Centro de Ciência Viva do Alviela

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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