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Alcanena | Câmara aprova voto de reconhecimento e pesar ao maestro José Carlos Santos Rosa

A Câmara Municipal de Alcanena aprovou, por unanimidade, na sua reunião realizada a 4 de janeiro de 2021, um voto de reconhecimento e pesar em homenagem a José Carlos Santos Rosa, falecido a 31 de dezembro de 2020, aos 89 anos, “pela sua dedicação e entrega à música” e, também, “pelo contributo ao nível musical e cultural que prestou, não só à sua terra, Pernes, e ao País, mas também ao concelho de Alcanena”.

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A declaração de voto foi lida à vereação pela presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira (PS), durante a reunião de executivo que decorreu por videoconferência, esta segunda-feira. A autarca começou por dizer que “o maestro José Carlos Santos Rosa nasceu a 15 de setembro de 1931, em Pernes. Concluída a instrução primária, começou a trabalhar, com seu pai, Joaquim Rosa, no ofício de montador de azenhas e moagens.

A música entrou, de imediato, na sua vida, tendo aprendido com o Maestro Sabino Flor, na Sociedade Musical União Pernense (Música Nova), onde seu pai e tio eram músicos.
José Carlos Santos Rosa saiu a tocar pela 1ª vez, com apenas 11 anos de idade, na tradicional arruada do 1º de Dezembro de 1942, que a Banda da Música Nova tinha por tradição fazer pelas ruas da vila.

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Nos finais dos anos 40, vem tocar em ‘Os Lusitos’, de Alcanena, onde estabeleceu forte cadeia de amizades, que o levaram até Minde, tornando-se amigo íntimo de Jaime Chavinha e da Banda da Sociedade Musical Mindense.

Por influência do Padre Adriano da Silva, também ele um excelente melómano, com quem lidou enquanto adolescente, foi para Lisboa e ingressou na Banda de Caçadores, onde, de imediato, começou a compor, salientando-se pelo seu desempenho, tendo ingressado na Banda da Guarda Nacional Republicana.

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Trabalhador incansável, autodidata em contínua aprendizagem e formação, com uma inspiração sem limites, viveu para a música, num perfecionismo cada vez mais exigente.
Trabalhou com todos os grandes nomes do panorama artístico nacional e com as Orquestras mais importantes, da Emissora e da Rádio Televisão Portuguesa.

Formou o seu próprio conjunto e fez uma digressão de vários meses pelos países do norte da Europa. Em 1960, com a composição” Ó meu Rio Douro, ganha o Prémio do Festival Hispano-Português, realizado na cidade burgalesa de Aranda de Duero, êxito que muito o popularizou.

A intensidade de trabalho, como músico proeminente, no teatro de revista no Parque Mayer e em todos os Casinos e Casas de Espetáculo de Lisboa e arredores, levaram a que abandonasse a Banda da GNR.

A sua ‘Polka da Risota’ correu mundo, executada por agrupamentos internacionais. ‘Rapsódia Ligeira’, ‘Trombone de Sonho’, ‘Fé de quem tem fé’, ‘Variações Fadísticas’, são peças que compôs, com caráter mais popular, ou mais erudito, e que, hoje, fazem parte dos Arquivos Musicais, como os da Emissora Nacional, dos Dicionários da Música Portuguesa e dos repertórios de grande parte das Bandas do país, nomeadamente, da Banda da GNR.

No auge da sua carreira, de exímio e virtuoso executante e de inspirado e reconhecido compositor e maestro, abraçou o desafio da Direção Artística do Casino da Figueira da Foz, onde permaneceu cerca de 15 anos, sendo muito acarinhado e distinguido, e teve destacado papel, ao criar a Grande Orquestra José Santos Rosa.

No início dos anos 80, decide regressar à sua terra natal, Pernes, para fazer uma autêntica revolução artística e cultural.

E assim cria a sua própria escola, o Centro de Iniciação Musical Pernense, onde a sua ação de mestre e pedagogo introduz novos métodos de aprendizagem musical, junto de crianças e jovens, através da flauta de bisel. Cria as Orquestras Infantil e Juvenil, que se apresentaram de norte a sul do país, com aplaudido êxito e, por fim, uma Banda Filarmónica, unindo músicos das antigas coletividades rivais. Compôs a opereta ‘Saudades do meu rio’, um hino ao Rio Alviela.

A Câmara Municipal de Santarém decidiu atribuir ao Maestro José Carlos Santos Rosa o título de ‘Scalabitano Ilustre’.

Em 1987, cria o Centro de Iniciação Musical de Alcanena, com grande afluência de crianças e jovens, e faz nascer as Orquestras Infantil e Juvenil, que tiveram grande sucesso e, entre outros, atuou no Casino da Figueira da Foz e participou num Encontro Nacional de Escolas de Músicas, em Vila do Conde, onde deu nas vistas.

Em 1989, nas Comemorações do 75º aniversário do concelho, a Câmara Municipal de Alcanena atribuiu ao Maestro José Carlos Santos Rosa a Medalha de Mérito Cultural.

Em 1997, criou o Grupo Coral ‘Terra Nostra’, de Pernes, com grande parte do reportório de sua autoria, que, durante uma década, realizou concertos em toda a região, tendo atuado na Igreja de Santa Maria, em Alcanena. Ofereceu ao Maestro João Carlos Roque Gameiro e ao ‘Charales Chorus’, de Minde, algumas dessas peças originais, em especial ‘Ave Maria’, dedicada à senhora sua mãe, a cuja estreia assistiu, na abertura do Ciclo ‘Cultura, Arte e Património’, na Igreja de Nossa Senhora da Graça, de Bugalhos, em março de 2015.

Em 2013, a Junta e a Assembleia de Freguesia de Pernes atribuíram ao Maestro José Carlos Santos Rosa a Medalha de Mérito da Freguesia”.

A Câmara Municipal de Alcanena deliberou, por unanimidade, a atribuição de um voto de reconhecimento pelo seu contributo à cultura portuguesa em geral, e de pesar pelo seu falecimento, na sua reunião de 4 de janeiro de 2021.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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