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Segunda-feira, Junho 21, 2021

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Alcanena | António Lúcio Vieira apresenta poemas de “Dores e Amores”

António Lúcio Vieira apresenta o livro “25 Poemas de Dores e Amores” este sábado, dia 23, na Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira. O poeta, que nasceu em Alcanena e recebeu a Medalha de Mérito de Ouro Cultural do concelho em 2015, tem encontro marcado com o público às 16h00 para partilhar a inspiração que o fez escrever os versos vencedores do Prémio Literário do Médio Tejo 2017, na categoria de Poesia.

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O lançamento do livro, com a chancela da Médio Tejo Edições/Origami Livros, decorreu a 16 de dezembro de 2017, em Torres Novas, cidade onde reside há várias décadas. O autor esteve também presente numa sessão de apresentação na Casa-Memória de Camões, em Constância, a 27 de maio, e na Feira do Livro de Lisboa, no passado dia 2 de junho.

O momento do próximo sábado conta com a apresentação do poeta e historiador António Mário Santos e a presença da presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira.

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A atriz e encenadora Ana Paula Eusébio (à esq.) leu poemas de Lúcio Vieira na Feira do Livro de Lisboa, onde o autor esteve presente, com a editora Patrícia Fonseca. Foto: mediotejo.net

No prefácio do livro “25 Poemas de Dores e Amores”, o músico e compositor Pedro Barroso escreve:

“Um conselho a quem quer ler Lúcio Vieira: dispa-se de atitude e abra a porta do sentir. Sofra com ele tudo que não foi e devia ter sido. Tudo o que se sonha e nunca se cumpriu e a alavanca imensa que nas suas palavras transcende a semântica e o bom comportamento sindical das palavras domesticadas. Com ele as palavras são, cada uma, um grito de alma próprio na junção da ideia. Uma pincelada do sentir.
É assim, pouco a pouco, nos corpos peregrinos que se acendem as galáxias, diz-nos ele. Acendendo-nos horizontes brilhantes de cor, como um homem que grita na montanha. É nas incansáveis ondas que ele nos abre o compêndio das coisas imortais.
Que também nós saibamos merecer a viagem que há por dentro das suas palavras, em nome de todos os beijos que nunca recebemos.”

Em jeito de convite para a sessão do próximo sábado, publicamos um dos poemas deste livro, onde se comprova, em cada verso, porque é Lúcio Vieira um dos mais importantes poetas da nossa região.

de força maior

leio no vento um inquieto desassossego
leio no vento um medo de cerzir as palavras
que chamei para colorirem as tardes que passam
soltas no rio que se perdeu da foz.
havia sempre no vento como um murmúrio
um barco a navegar na espuma das lágrimas
e um vazio de tragédia em cada silvo
em cada rajada de voz.

a vida não é bem o meu futuro.

que um dia deixarei a liberdade
e a guerrilha e outras bandeiras de existir
e voltarei ao livro dos profetas
às enxadas da memória que cavam
cavam o tempo até se quedarem
nas leiras dos meus segredos.

o meu pai sabia os trilhos do destino.
o meu pai foi construtor de viagens e de sonhos
e depôs tudo de si na arca dos meus anseios.

há um céu nos olhos de quem me soletra o poema.
tem de haver. E eu apenas vos deixo uma precária felicidade
um poema onde se mora e tudo mora
desde o sol que há por exemplo nos teus olhos
ao meu pomar de doce-amargos frutos.

a vida não é bem o meu futuro.

que bom voar o sol pelos teus olhos.
o vento ainda solta ao vento os seus caminhos.
deixem-me o esplendor das alvoradas
a música dos regatos e o desgarrar das cotovias.

por breves instantes
que de longe me chamam e me dizem
que é urgente interromper o sonho peregrino
por motivos de força maior.

 

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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