Alcanena | A hidrogénio ou a bateria… os carros vão mudar até 2046

Os custos permanecem elevados, mas o desenvolvimento tecnológico poderá permitir que o hidrogénio se estabeleça como combustível. Uma energia limpa, abundante e renovável. Foto: mediotejo.net

A última sessão do Café Ciência, do Centro de Ciência Viva do Alviela, nos Olhos de Água, em Alcanena, foi dedicada ao combustível do futuro: o hidrogénio. Na sexta-feira, 25 de novembro, abordou-se o desenvolvimento tecnológico da última década em torno do hidrogénio e deixaram-se expetativas optimistas para que daqui a 25/30 anos este combustível limpo e renovável possa competir ao lado da eletricidade movida a bateria.

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O orador foi Rui Costa Neto, do Instituto Superior Técnico, cujo doutoramento abordou a temática do hidrogénio como combustível. O académico fez um ponto de situação sobre os consumos de energia no mundo, colocando-se Portugal em níveis médios, ao lado da Coreia do Sul. Os EUA são de longe o país que mais consome energia.

Portugal possui 7 milhões de veículos, uma média de um carro por cada dois habitantes, 61% dos quais movidos a gasolina, 24% a diesel e apenas 2% a gás natural, enumerou. A nível global “estamos a queimar petróleo como se não houvesse amanhã”, constatou Rui Costa Neto, salientando a necessidade cada vez mais urgente de se pensar em alternativas viáveis para o futuro. Afinal, os combustíveis fósseis, além de poluentes, vão acabar…

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Através desta análise, o académico chegou ao hidrogénio e às pilhas de combustível que permitem o funcionamento dos veículos, de carros a submarinos. As primeiras pilhas datam das missões Apolo, nos anos 60, mas nunca se vulgarizaram devido aos elevados custos desta tecnologia. Mas “de há 15 anos para cá” houve uma evolução significativa, que permitiu reduzir para 1/3 os valores associados à produção de hidrogénio, explicou.

Rui Costa Neto constatou que embora muitas pessoas tenham consciência ambiental, só um número pequeno delas estará disposta a pagar o triplo por um carro amigo do ambiente. O hidrogénio enfrenta por isso e ainda alguns desafios: “redução de custos, aumento da durabilidade, redução das dimensões, melhorar a gestão térmica de água e calor”, enumerou, além de questões de segurança relacionadas com a inflamabilidade. Acresce a falta de toda uma infraestrutura necessária ao abastecimento.

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Há assim um caminho ainda a percorrer, que “vai depender de como se desenvolvem as tecnologias e dos custos que as pessoas estiverem dispostas a pagar” para terem um carro completamente amigo do ambiente. A vontade política também contribuirá bastante para esta evolução, constatou. “As pilhas só irão igualar os motores de combustão interna quando superarem certos desafios”, tornou a frisar.

Ao mediotejo.net, Rui Costa Neto explicou que o grande obstáculo ao combustível de hidrogénio é construir toda a infraestrutura necessária ao abastecimento, que será um grande investimento. “Acredito que vai acontecer nos grandes centros urbanos e acredito que vai começar pelos transportes públicos”, referiu. As previsões da União Europeia, explicou, apontam para que dentro de 25 a 30 anos o hidrogénio seja um combustível viável, ao lado do que são hoje os carros elétricos movidos a baterias. Mas, salientou Rui Costa Neto, tudo dependerá de como vai evoluir o preço do petróleo e a vontade dos governantes.

Em 2017 os Cafés Ciência do Centro de Ciência Viva do Alviela serão dedicados ao tema da Robótica.

 

 

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