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Terça-feira, Maio 11, 2021

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Alcanena | 62 anos de Cine-teatro em que até os vereadores sobem a palco (c/vídeo)

Este fim-de-semana, 19 e 20 de novembro, o Cine-teatro São Pedro, em Alcanena, está a celebrar os seus 62 anos, com a peça “Chegou a Nau da Índia: Auto da Índia e Outras Histórias”. Uma encenação de Vicente Batalha que reúne 52 elementos, entre figurantes e atores amadores do grupo de teatro “Alcanena em Cena”. O elenco conta ainda com a participação dos vereadores Hugo Santarém e Luís Pires. Na sexta-feira, 18 de novembro, foi a grande estreia.

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Peça narra vários episódios da ligação portuguesa ao mar e aos descobrimentos. FOTO: mediotejo.net
Peça narra vários episódios da ligação portuguesa ao mar e aos descobrimentos. FOTO: mediotejo.net

A nau está a regressar da Índia. Mercadores, pedintes, arruaceiros, nobreza e povo concentram-se no Restelo. Em breve, lembra-se, nascerá um grande poeta que eternizará em versos os feitos portugueses. Há três anos que as esposas desgostosas não vêem os seus maridos e anseiam pelo regresso das naus, apesar de terem preservado muito pouca castidade na ausência. A Rainha pede a Gil Vicente uma nova peça, mas alerta-o para os perigos dos seus textos, pejados de crítica social. Sobe a palco assim o “Auto da Índia”, a fazer lembrar que o mundo não terá mudado assim tanto…

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Vereador Luís Pires faz uma das aparições mais cómicas da peça, a "vender" marfim. FOTO: mediotejo.net
Vereador Luís Pires faz uma das aparições mais cómicas da peça, a “vender” marfim. FOTO: mediotejo.net

Vicente Batalha quis trazer Alcanena a palco, em mais um aniversário do Cine-teatro. Apesar de noutros anos se ter apostado no teatro mais profissional, vindo de fora, o encenador entendeu que era tempo de experimentar outras abordagens para o Cine-teatro São Pedro, explicou ao público, que depois de anos de grandes atuações passou por uma época de decadência. Daí ter escolhido Gil Vicente. Uma peça simples, conforme recordou, “mas muito difícil. É uma prova de teatro” como só se faz nos conservatórios. “Falar dos descobrimentos, da história de Portugal, do Camões…está aqui trabalho de 29 ensaios”, salientou.

Gil Vicente explica à Rainha a importância da crítica social nas suas peças. FOTO: mediotejo.net
Gil Vicente explica à Rainha a importância da crítica social nas suas peças. FOTO: mediotejo.net

Já a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, explicou que os Parabéns ao teatro só serão cantados no domingo, dia 20. Lembrou ainda que neste sábado, dia 19, o bilhete será pago, com os lucros a reverterem para a pequena Lara, uma jovem do concelho com paralisia cerebral que precisa urgentemente de tratamentos para melhor a sua qualidade de vida.

Considerando Vicente Batalha “o pai” atual do teatro de Alcanena, teceu largos elogios ao trabalho desenvolvido pela equipa em palco, que em dois anos e meio “tem crescido em número de elementos e de desempenho”. “É este tipo de espetáculo que eu acho que faz sentido neste aniversário do Cine-teatro”, frisou, lembrando também o historial do espaço e o seu renascimento.

A esposa infiel que coleciona amantes enquanto o marido está na Índia. FOTO: mediotejo.net
A esposa infiel que coleciona amantes enquanto o marido está na Índia. FOTO: mediotejo.net

Como havia falta de atores masculinhos, o executivo “emprestou” os vereadores Hugo Santarém e Luís Pires ao teatro. “Eles agora não querem outra coisa”, comentou entre risos a presidente, enaltecendo o trabalho desenvolvido por ambos os vereadores para o grupo. “Eu prefiro estes espetáculos feitos pela nossa população”, tornou a frisar.

Já Hugo Santarém e Luís Pires elogiaram ao mediotejo.net o trabalho de Vicente Batalha, que tem sido o grande dinamizador do teatro amador em Alcanena.

Discreto, Vicente Batalha (ao centro) foi consideradio "o pai" do teatro atual de Alcanena. FOTO: mediotejo.net
Discreto, Vicente Batalha (ao centro) foi consideradio “o pai” do teatro atual de Alcanena. FOTO: mediotejo.net

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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