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“Ainda a Ponte na Chamusca”, por Helena Pinto

Há muito que não se via um debate tão acesso a propósito da proposta de um partido para o distrito no debate do Orçamento de Estado. Facto positivo. A proposta do BE para uma nova ponte sobre o Tejo na zona da Chamusca, suscitou comentários do PS e do PSD através dos seus deputados, do Presidente da Câmara da Chamusca e de muitos cidadãos e cidadãs. Outro facto positivo.

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O debate de ideias e de propostas é o centro da Democracia. E o debate contribui para que se consolidem opiniões, o primeiro passo para as mudanças. E é porque considero mesmo muito importante que se debata que decidi voltar a este tema.

A proposta do BE recebeu muito apoio, mas quero sobretudo deter-me nas críticas que foram feitas, as críticas que levaram ao chumbo da proposta.

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Vejamos: da parte do PS foram sobretudo usados argumentos formais – não tem enquadramento legal (?), não está cabimentado (?), questões que seria bom esclarecerem o que significa quando se trata do Orçamento de Estado e depois afirmam que a nova Ponte na Chamusca e a conclusão do IC3/A13, que o PS diz defender, está previsto no horizonte 2021/2030 no Programa Nacional de Investimentos. Já tive ocasião de perguntar em que página, mas ainda não obtive resposta. Não se confunda um relatório da Assembleia da República com sugestões dos partidos para o Programa, com o Programa propriamente dito (pelo menos o que consta na página oficial do governo – https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/comunicacao/documento?i=programa-nacional-de-investimentos-2030).

Por último o melhor argumento de todos: o PIDDAC (1) já morreu. Paz à sua alma. Acontece que o PS fez aprovar uma proposta sua sobre a barragem do Pisão do mesmo tipo da proposta do BE, ou a proposta para a residência de estudantes em Rio Maior da autoria do PCP que veio a ser aprovada e bem, com os votos contra do PS. O PIDDAC morreu mas as propostas não.

Quanto ao PSD o argumento mais utilizado é que o BE viabilizou o Orçamento por via da abstenção. E depois? Isso torna a proposta errada? O que não deixa de ter piada é que as “coligações positivas” são boas quando as propostas são do PSD, como no caso das verbas para os Politécnicos de Tomar e Santarém, se são de outros já não funcionam. O que é verdade é que a abstenção do PSD tornou a adiar a ponte da Chamusca.

O chumbo desta proposta do BE, que visava comprometer o Governo com esta obra e iniciar os procedimentos necessários à sua concretização, adia novamente a solução para um problema que prejudica milhares de pessoas. E, lamentavelmente, o Presidente da Câmara da Chamusca apenas diz “que uma nova ponte por si só não resolve o problema”… Mas ajudava bastante, não ajudava, senhor Presidente?

O que o PS tem que explicar é quanto tempo vamos ter que esperar por esta obra. Imaginem a situação daqui a 10 anos? Não basta dizer que defendemos a nova ponte, é preciso trabalhar para comprometer o Governo com a sua construção. PS e PSD faltaram à chamada em 2020. Vamos ver como será em 2021.

(1)     PIDDAC Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central

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Helena Pinto
Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas. Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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