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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Águia-Pesqueira: De espécie extinta a visita habitual na nossa região

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O segundo censo de águias-pesqueiras invernantes vai decorrer este sábado, 16 de janeiro, em todo o País, com particular atenção no Médio Tejo. Esta contagem de exemplares chegou a estar anunciada para dia 9 mas foi adiada devido ao mau tempo.

Esta ave, extinta no nosso País em 1997, altura em que desapareceu o último exemplar residente na Costa Vicentina, tem vindo a ser alvo de especial atenção e de reintrodução nas margens do Alqueva, com aves vindas do Norte da Europa (Suécia e Finlândia).
No primeiro censo, em 24 de janeiro do ano passado, foram observados por 135 voluntários cerca de 80 exemplares, na sua maioria invernantes. O evento decorreu em estuários, lagoas e albufeiras de Norte a Sul do país, cobrindo a quase totalidade do território continental português: desde o Estuário do Minho, em Caminha, ao Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, no Algarve.
Os resultados, francamente animadores, levaram Gonçalo Elias, ornitólogo e coordenador do projeto, a avançar com um novo trabalho, desta vez com especial incidência em dois locais: a albufeira de Alqueva e o Médio Tejo.
As águias-pesqueiras residentes, que já poderão estar a nidificar no nosso País, sofrem um significativo reforço de aves vindas do Norte da Europa. “Muitas das suas zonas de alimentação nos seus países de origem – Reino Unido, Alemanha, Noruega e Suécia – estão congeladas e, por isso, as aves não conseguem capturar peixes, o seu principal alimento”, explica Gonçalo Elias, sócio fundador da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a cuja direcção pertenceu, sendo hoje administrador do Forum Aves (a maior comunidade online de observadores de aves em Portugal), bem como fundador e coordenador do portal avesdeportugal.info.
O evento deste ano, que contará com cerca de 80 voluntários, irá decorrer em todo o País. Verificando-se um especial interesse do cidadão comum por estas temáticas, quisemos saber a opinião do coordenador do projecto: “Nos últimos anos, a atividade de observação de aves em Portugal tem conhecido um grande desenvolvimento, fruto de um crescente interesse pelo tema por parte da sociedade. Este interesse resulta, por um lado, de uma maior sensibilização para as questões ambientais e, por outro, do desenvolvimento tecnológico, nomeadamente através da fotografia digital e da Internet, que veio tornar possível a obtenção e a partilha de imagens do mundo natural a custo reduzido, bem como o acesso a um enorme manancial de informação em sites e fóruns sobre os melhores locais de observação, as listas de aves ou a identificação de espécies, o que torna mais atrativo e fácil entrar e progredir nesta atividade.
Devido ao rápido crescimento do número de interessados, o volume de informação sobre as aves observadas em liberdade em Portugal teve igualmente um aumento considerável. Muitas pessoas optam por partilhar as suas fotografias na Internet, seja nas redes sociais, seja através dos vários sites online que existem para registo de informação, como o PortugalAves / eBird, o Biodiversity4all ou o ReservoirBirds, para citar apenas alguns. Creio que esta partilha é muito útil, pois coloca a informação à disposição de todos os interessados. Saliente-se que, nos últimos anos, de facto a contribuição para o conhecimento global por parte de observadores não profissionais tem sido substancial e continua a crescer.”
Estes ano, a região do Médio Tejo merece especial atenção. Procurámos saber o motivo.
“O interesse no Médio Tejo surgiu depois de, no ano passado, ter sido realizado um censo de barco entre Santarém e Vila Franca de Xira, que veio revelar que este troço do rio é importante para a invernada de águia-pesqueira. Para este ano está prevista a repetição do censo, alargando a prospeção às zonas a montante de Santarém.”, disse-nos Gonçalo Elias.
Estando o Tejo na ordem do dia, pelas piores razões, quisemos ouvir o ornitólogo sobre as consequências da falta de água e poluição no Rio Tejo na biodiversidade, e na águia-pesqueira em concreto. Sem entrar em grandes explicações de ordem técnicas deu-nos a sua opinião: “Os níveis de água no Tejo flutuam grandemente, não só como resultado do volume de precipitação mas, acima de tudo, em função das descargas efectuadas nas barragens. É provável que estas flutuações tenham um impacto significativo na biodiversidade, o mesmo se podendo dizer em relação à poluição, que está identificada como um factor adverso para diversas espécies.”
Sendo consensual que o Médio Tejo representa um importante refúgio para a biodiversidade, e para a águia-pesqueira em particular, não poderíamos deixar de ouvir Gonçalo Elias falar do futuro e do que se prevê realizar: “Os dados do ano passado (e que esperamos que se confirmem este ano) vieram revelar que o Médio Tejo é mais importante para a invernada de águia-pesqueira do que se imaginava. O facto de esta informação ter permanecido desconhecida até à realização do primeiro censo sugere que esta zona não tem sido alvo de prospecções regulares e leva a admitir a possibilidade de haver outros valores faunísticos na zona que não tenham sido ainda detectados. Neste sentido, creio que seria interessante promover a realização de censos dirigidos a outras espécies de aves, nomeadamente na época de reprodução, de modo a recolher mais informação sobre a fauna da área. Para além disso, esperamos naturalmente que o censo de águias-pesqueiras invernantes continue a ser realizado nos próximos anos.”
Esta iniciativa, pela sua importância, cativou “nuestros hermanos”. Em Espanha, o projecto “Amigos del Águila Pescadora” decidiu adoptar o “dia da águia-pesqueira” para a região da Andaluzia, com a realização de censos nos dias 19 de dezembro e 9 de janeiro. Gonçalo Elias adianta que se aguardam com expectativa os resultados do outro lado da fronteira.

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Nome comum: Águia-pesqueira

Nome científico: Pandion haliaetus

Comprimento: 52 – 60 centímetros

Envergadura da asa: 152 – 167 centímetros

Características que a distinguem das outras rapinas: Esta ave distingue-se pela sua grande dimensão, pela “máscara” preta em redor dos olhos e pela plumagem muito branca nas partes inferiores, que é geralmente visível em voo.

Locais onde é mais fácil de a observar: Esta águia aparece quase sempre perto de água e é frequente vê-la a pescar ou pousada num poste, enquanto se alimenta de um peixe que acabou de capturar. Os melhores locais são a ria de Aveiro, os estuários do Tejo e do Sado e a ria Formosa.

A águia mais parecida e que pode causar confusão na identificação: Em termos de coloração e dimensões é parecida com a águia-cobreira, mas essa espécie é muito invulgar no período de Inverno e além disso não se alimenta de peixe.

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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