“Água farta e Tejo seco, a Vida e a Biodiversidade mata” – Crónica “Cá por Causas”, por Paulo Constantino

Foto: Paulo Constantino

As barragens portuguesas e espanholas da bacia do Tejo estão cheias, encontrando-se o armazenamento das barragens da bacia do Tejo em Portugal em 84,9%, e da bacia do Tejo em Espanha em 64,15%, ou seja, ao nível da média dos últimos 10 anos. O nível da barragem de Cáceres está em 74,62%, relevando-se ainda que a maior barragem da Estremadura espanhola, Alcântara, armazena 86,17% da sua capacidade total, acima da média dos últimos 10 anos, e representando cerca de 50% do total da capacidade de armazenamento das barragens da Estremadura espanhola.

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As outras principais barragens da Estremadura espanhola encontram-se com níveis de armazenamento superiores à média dos últimos 10 anos, com exceção de Valdecañas.

Em Portugal, o armazenamento da barragem de Castelo de Bode encontra-se a 82,9% da sua capacidade e a de Fratel a 90,3% enquanto que a quase totalidade das restantes estão acima da percentagem do armazenamento da bacia do Tejo: (Apartadura (98.5%), Cabril (89.2%), Cova do Viriato (95.2%), Idanha (91.9%), Maranhão (88.1%), Meimoa (95%), Montargil (87.7%), Pracana (86.2%) e Sta Águeda – Marateca (97.6%)), com exceção unicamente das barragens de Magos (71.1%), Póvoa (62.1%), Divor (17.8%) e Minutos (39%).

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Contudo, os caudais vindos de Espanha foram nulos, de acordo com as medições do fim de semana e do dia de hoje na estação hidrométrica de Tramagal (Abrantes), enquanto os caudais medidos na estação hidrométrica de Almourol registaram cerca de 44 m3/s, para o que contribuiu a barragem de Castelo de Bode, apesar do rio Zêzere e do rio Tejo estarem quase a seco e a margem direita do Tejo no Castelo de Almourol se ter ligado à sua ilha.

Comprovam-no as imagens perturbadoras que se seguem do rio Zêzere e do rio Tejo com caudais insignificantes e pouco recomendáveis, recolhidas num percurso realizado no dia 4 de julho ao longo destes rios por Constância, Almourol, Tancos e Vila Nova da Barquinha.

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Em 10 anos de atividade do proTEJO estes foram os caudais mais baixos que já presenciámos. Acresce que também nos deparámos com um rio Tejo sem caudal corrente na albufeira do Fratel e, consequentemente, eutrofizado com algas junto ao caís fluvial de Vila Velha de Ródão.

Apesar das alterações climáticas provocarem épocas de escassez de recursos hídricos fica aqui provado que existem anos com bons níveis de precipitação e de entradas de água nas barragens, como o atual ano hidrológico de 2019/2020, mas que, mesmo em anos de fartura de água, os aproveitamentos hidroelétricos apenas descarregam a água que armazenam quando é mais rentável produzir energia hidroelétrica mantendo os rios quase a seco em certos períodos e, por isso mesmo, destruindo os ecossistemas aquáticos e a biodiversidade pela ganância do lucro.

Para apregoarem a sua energia como verde, a EDP e a Iberdrola deveriam ser obrigadas a obter uma certificação de ausência de impactes ambientais prejudiciais aos ecossistemas aquáticos e à biodiversidade, e, no limite, à própria Vida como a conhecemos!

Quanto tempo mais iremos lamentar este desprezível atentado à Vida ocasionado pela gestão de caudais dos rios ao bel prazer das produtoras hidroelétricas?

Exigimos caudais ecológicos para o rio Tejo e seus afluentes!

O Tejo, a sua Biodiversidade e a Vida merecem mais!

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