“AGOSTO – O prazer de umas férias bem passadas…”, por Rui Calado

happy couple on the beach

É hoje, é hoje…

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Vou de férias, quebrar rotinas, “carregar baterias”.

Agosto é um período de grandes descompressões e/ou deslocações!. Nós, os profissionais de saúde, condicionados pela nossa “obsessão” com a saúde das populações, associamos de imediato as habituais manifestações de regozijo com a possibilidade acrescida de ocorrerem acidentes. Conhecedores do número de mortes e de pessoas severamente atingidas na sua integridade física, em consequência de excessos a que somos tentados, quase sempre associados à velocidade, consumos desregrados, agitação mundana, cansaço, não podemos deixar de vos dizer que essas coisas não acontecem apenas aos outros. O aviso é nosso e a escolha é sua…

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Quem não pode sair ou não quer sair, vai ficar em casa. Recomenda-se que aproveite para pôr as leituras em dia, conviver com os amigos, passear, nadar, ensaiar e saborear variados prazeres, com realce para a degustação de alimentos, com preocupações de qualidade. Aproveite para experimentar ementas cuidadas e especiarias divulgadas em livros da especialidade, confecionadas de forma a evitar a ingestão excessiva de gorduras, proteínas ou hidratos de carbono. Não deixe de beber água fresca, bacteriologicamente pura ou, se é consumidor, de saborear/”mastigar” um bom copo do vinho tinto português (não se entusiasme, o copo terá um tamanho normal).

Se vai para a praia, cuide-se. Vá antes das 11 ou depois das 17 horas (para evitar exposição aos ultravioletas), use protetores solares (previnem as queimaduras e o cancro da pele) e nade em segurança, desejavelmente em locais onde terceiros possam chegar com facilidade, para a eventualidade de surgir qualquer dificuldade que induza risco de afogamento.

Se o seu destino é o campo, não descuide os cuidados com a exposição solar, hidrate-se, aprecie a natureza, os sons, os cheiros, o por do sol, as estrelas e seja feliz…

Se vai “para fora”, não deixe de fazer a sua consulta do viajante. Como há muita informação útil, é importante que não perca essa oportunidade. Se acompanha as nossas crónicas, lembra-se certamente de uma que dedicámos ao animal mais perigoso do mundo, o mosquito.  Tendo em consideração a elevada probabilidade de se registarem encontros com esse animal, em especial se viajar para regiões tropicais, há que equacionar a possibilidade de vir a adoecer com malária, febre de dengue, doença do vírus Zika, febre amarela, entre outras doenças altamente perigosas, cada uma com as suas características próprias, todas transmitidas ao homem pelos mosquitos. Por isso, é indispensável prevenir essa possibilidade com medicação profilática, o uso de repelentes, de roupas que protejam o corpo, se possível de redes mosquiteiras impregnadas de repelentes, aplicadas nas janelas ou nas camas. E não se esqueça, cuidado dos cuidados, que deve evitar os perfumes, porque atraem não apenas as pessoas, mas também os mosquitos.

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Ouvir quem sabe…

Mas, para nos falar de outros aspetos importantes, que contribuem para a concretização de férias, falámos com a Dra Susana Gonçalves, um dos médicos de saúde pública que assegura a consulta do viajante no ACES Médio Tejo e perguntámos-lhe, que mais devemos divulgar para que as férias de 2016 fiquem na memória de cada um de nós como um momento das nossas vidas que valeu a pena viver:

–     Independentemente do destino escolhido, existem alguns elementos que deverão constar do estojo médico básico do viajante. Comecemos pelo termómetro, essencial para medir a temperatura na suspeita de febre, sintoma que constitui muitas vezes o primeiro sinal da doença tropical. Relativamente a medicamentos, deveremos levar um para a febre e um para as dores. Para além destes, e sendo a diarreia do viajante um problema que afeta cerca de 40% dos viajantes, é importante incluir um pró-biótico para ajudar a repor a flora intestinal, um antidiarreico e sais de re-hidratação oral, que deverão ser utilizados nos casos de diarreia sem febre, muco ou sangue. Dos pequenos traumatismos podem resultar feridas, que necessitarão de uma solução anti-séptica, em unidoses, para evitar a infecção das mesmas.

Durante as férias, a disponibilidade, o tempo livre, o convívio, o ambiente, entre outros fatores predispõem para o aumento de práticas sexuais. Tenha atenção à necessidade de assegurar que essas práticas são seguras, sendo indispensável o uso do preservativo nas relações sexuais de risco. Também não nos podemos esquecer de incluir os medicamentos que o viajante já está a fazer em Portugal. Aconselha-se que o estojo médico seja parte da sua bagagem de mão, pois nunca se sabe quando vamos precisar do que temos lá dentro…

As férias são momentos aguardados com grande expectativa e desejo. Por falta de cuidado, não deixe de ser feliz. Previna-se e aprecie os prazeres da vida.

Até depois!

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RUI1

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