Afonso Cruz em Fátima: “Não deveríamos ter medo do Outro”

Afonso Cruz marcou presença no Fetsival Literário de Fátima em 2015 Foto: mediotejo.net

No penúltimo dia do Festival Literário de Fátima, este sábado, dia 21, o escritor Afonso Cruz fez parte do painel de oradores que debateram “Literatura e Filosofia”. Em Fátima, cidade onde já esteve por diversas vezes, o autor falou aos jornalistas sobre como encara o estado atual de insegurança quanto ao futuro da Europa. Escrever um livro sobre a cidade Altar do Mundo não parece estar nos planos.

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Presença constante em diversos festivais literários pelo país, Afonso Cruz, que lançou recentemente um novo livro, “Flores”, referiu ao mediotejo.net encarar com satisfação a diversidade que se encontra neste tipo de eventos. “Devemos usar todas as ferramentas possíveis para conhecer o mundo à nova volta”, frisou, referindo que já esteve num festival que se realizou num barco.

Refletindo sobre a Europa pós atentados de Paris, o escritor comentou que os “Europeus vivem num mundo confortável” e, quando surge insegurança, “vêm os medos” e as “vozes xenófobas”. “Imaginemos então em sociedades onde não há esta segurança, como não hão-de surgir certas pessoas”, sublinhou, numa alusão aos terroristas do Estado Islâmico. Mas “é também no meio desta loucura que aparecem heróis, que se tornam nossos modelos”. “Há fatores de esperança nesses modelos”.

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Afonso Cruz acredita ser possível que o que aconteceu em Paris se repita em Portugal. Daí a surgirem vozes xenófobas é um passo. “Para isso acontecer temos que estar ameaçados” e “ nunca saberemos se a nossa sociedade, por haver erosão económica e financeira, não estará a criar” novos ciclos que promovam essa insegurança entre as pessoas.

Para o autor “em termos morais continuamos iguais” aos nossos antepassados: lutamos pela paz ou pela guerra com base em determinados princípios. “Não evoluímos muito”, conclui, “por isso a história se repete”.”Temos medo do desconhecido, de quebrar as nossas rotinas, porque ás vezes isso implica a destruição daquilo onde estamos”.

“A sociedade evolui porque absorvemos o outro”, salientou. “Precisamos dessa diversidade, somos o que somos porque juntámos muitas culturas”. “Não devemos ter medo do Outro”, terminou.

Sendo um interessado em religiões e com vários escritos iniciados, Afonso Cruz não pensa escrever sobre Fátima. Lembra inclusive, entre sorrisos,que José Luís Peixoto escreveu um livro recentemente sobre o tema.

O Festival “Tábula Rasa” termina este domingo, dia 22, com uma homenagem à vida e obra do escritor Eduardo Louenço.

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